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Ciência

O fenômeno que avança nos Alpes, no Himalaia e nos polos preocupa cada vez mais cientistas

Pesquisadores acompanham um fenômeno que avança ano após ano em diferentes regiões do planeta. O problema já afeta milhões de pessoas e pode ter consequências muito maiores nas próximas décadas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante séculos, geleiras foram vistas como elementos permanentes da paisagem terrestre. Espalhadas por montanhas e regiões polares, elas armazenam enormes reservas de água doce e funcionam como verdadeiros arquivos naturais da história climática do planeta. Mas algo mudou. Nos últimos anos, cientistas passaram a registrar uma aceleração preocupante na perda dessas massas de gelo, levantando alertas sobre impactos que vão muito além das áreas onde elas estão localizadas.

O gelo do planeta está desaparecendo em uma velocidade sem precedentes

Para os glaciologistas, as geleiras representam um dos indicadores mais claros das mudanças climáticas em andamento. Embora o clima da Terra tenha passado por transformações naturais ao longo de milhões de anos, o ritmo observado nas últimas décadas preocupa especialistas de todo o mundo.

Atualmente, o planeta perde mais de um trilhão de toneladas de gelo por ano. Trata-se de um volume tão gigantesco que é difícil visualizar sua dimensão. O fenômeno ocorre em diferentes continentes e afeta tanto geleiras de montanha quanto grandes massas de gelo localizadas em regiões polares.

Nos Alpes europeus, por exemplo, os efeitos já são visíveis. Desde o início dos anos 2000, cerca de 40% da massa glacial da cadeia montanhosa desapareceu. Em diversas áreas, o degelo alterou a estabilidade do terreno, aumentando o risco de deslizamentos e colapsos repentinos.

Especialistas explicam que, à medida que o gelo recua, perde sua capacidade de permanecer firmemente conectado às rochas. Como consequência, estruturas que permaneceram estáveis durante séculos tornam-se vulneráveis a desmoronamentos.

O problema vai além da paisagem. Quando uma geleira desaparece completamente, sua recuperação não acontece em escalas humanas de tempo. Em muitos casos, seriam necessários milhares de anos para que condições semelhantes voltassem a existir.

Gelo
© Adriana Lorena Benavides Estrada – Unsplash

Enquanto algumas geleiras encolhem, outras criam novos perigos

Nas regiões do Himalaia, a preocupação não está apenas relacionada à perda de gelo, mas também ao surgimento de lagos glaciais cada vez maiores.

À medida que as geleiras derretem, grandes volumes de água ficam represados atrás de barreiras naturais formadas por sedimentos e gelo. Essas estruturas podem romper de forma repentina, provocando enchentes devastadoras.

Nos últimos anos, diversos países da região registraram aumento desse risco. Em alguns casos, sistemas de monitoramento conseguiram prever incidentes e evitar tragédias. Em outros, comunidades inteiras foram surpreendidas por ondas gigantescas que percorreram centenas de quilômetros pelos vales.

Segundo estimativas apresentadas por especialistas, aproximadamente 15 milhões de pessoas vivem atualmente em áreas potencialmente expostas a esse tipo de desastre.

Além do risco humano imediato, pesquisadores destacam uma questão frequentemente mencionada nos debates climáticos: muitas das populações mais vulneráveis aos impactos do aquecimento global estão entre as que menos contribuíram para o problema.

O cenário mais extremo está nos polos — e os cientistas pedem ação imediata

Se as geleiras de montanha preocupam, as grandes camadas de gelo dos polos despertam atenção ainda maior.

Pesquisadores monitoram há anos o desprendimento de plataformas de gelo na Antártida e o avanço do degelo na Groenlândia. Esses processos contribuem para a elevação gradual do nível dos oceanos, fenômeno que ameaça cidades costeiras em todo o mundo.

Entre os cenários mais preocupantes analisados pelos especialistas está a possibilidade de uma perda significativa da camada de gelo da Groenlândia. Caso isso ocorresse em larga escala, os oceanos poderiam subir vários metros, afetando algumas das regiões urbanas mais populosas do planeta.

Ao mesmo tempo, cientistas alertam para outro problema: a redução de investimentos em pesquisa climática em diferentes países. Muitos especialistas afirmam que a velocidade das transformações observadas atualmente exige respostas mais rápidas por parte de governos, empresas e sociedade.

E é justamente aí que está a resposta para o título deste artigo.

Segundo os glaciologistas, ainda existe uma diferença enorme entre agir agora e adiar decisões importantes por mais alguns anos. As projeções indicam que medidas tomadas nesta década podem reduzir significativamente a velocidade das perdas e limitar os impactos mais graves.

Por outro lado, se nada mudar, uma parcela considerável das geleiras de montanha poderá desaparecer ao longo das próximas gerações, alterando ecossistemas, recursos hídricos e a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

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