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Ciência

O insólito destino do cérebro de Albert Einstein: 70 anos de mistério e controvérsias

Ele pediu anonimato e simplicidade ao morrer, mas o que aconteceu com seu cérebro contrariou completamente sua vontade. Uma história de frascos escondidos, viagens clandestinas e estudos científicos que ainda geram polêmica.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Em 18 de abril de 1955, Albert Einstein morreu em Princeton, Nova Jersey, vítima de um aneurisma na aorta abdominal. O físico mais famoso do século XX havia expressado o desejo de um fim discreto e sem idolatrias — mas o que se seguiu foi uma das histórias mais bizarras da ciência moderna.

A recusa de Einstein e sua despedida silenciosa

Em 18 de abril de 1955, Albert Einstein morreu em Princeton, Nova Jersey, vítima de um aneurisma na aorta abdominal.
© Unsplash

Einstein se recusou a realizar uma cirurgia experimental e afirmou: “Quero partir quando for minha hora. Já cumpri meu papel; agora vou embora com elegância”. Ele deixou ordens claras para que seus restos fossem cremados e dispersos, sem culto ou veneração ao seu corpo.

Foi exatamente o que sua família fez: uma cerimônia íntima, sem acesso ao público, e as cinzas lançadas no rio Delaware. O mundo, no entanto, ficou sem saber — e o verdadeiro enigma só começava.

Um cérebro retirado sem permissão

Durante a autópsia, o patologista Thomas Stoltz Harvey retirou o cérebro de Einstein sem autorização da família. Inicialmente alegou motivos científicos, e só depois conseguiu o consentimento formal do filho mais velho, Hans Albert, com a condição de que fosse usado apenas para pesquisa.

Harvey cortou o cérebro em 240 pedaços e os conservou com ele por mais de 40 anos. Ele foi demitido do hospital ao descobrirem sua atitude, mas mesmo assim levou o cérebro consigo por várias mudanças de casa — transportando os frascos em caixas e até no porta-malas de seu carro pelos Estados Unidos e Canadá.

Frascos, fotografias e estudos

O cérebro foi conservado em celoidina e parcialmente transformado em lâminas para análise. Harvey chegou a preparar 12 conjuntos de 200 lâminas com seções do tecido cerebral, e fotografou o órgão antes de fatiá-lo.

Durante décadas, nenhum cientista queria colaborar com ele. Só em 1978, após uma entrevista ao jornalista Steven Levy, do New Jersey Monthly, o caso voltou à tona. O artigo “Eu encontrei o cérebro de Einstein” chamou a atenção da neurologista Marian Diamond, da Universidade da Califórnia, que solicitou uma amostra.

O que os cientistas descobriram

Diamond foi a primeira a estudar cientificamente o cérebro de Einstein. Em 1985, publicou que ele tinha uma proporção maior de células gliais por neurônio — células responsáveis por sustentar e proteger o sistema nervoso.

Outros estudos apontaram diferenças anatômicas, como uma fenda extra no lobo frontal e maior densidade neuronal em certas regiões. Essas características poderiam explicar, em parte, sua impressionante capacidade de raciocínio e memória de trabalho.

Um legado científico envolto em controvérsia

Apesar do valor científico das análises, a vida de Harvey desmoronou. Sua obsessão pelo cérebro de Einstein acabou com seu casamento e sua carreira. Ele morreu após uma longa doença, e anos depois, os fragmentos do cérebro foram distribuídos para instituições científicas.

Hoje, parte do órgão está no Museu Nacional de Saúde e Medicina do Exército dos EUA. Outros pedaços estão no Mütter Museum, na Filadélfia, e no University Medical Center of Princeton. Mas muitos fragmentos desapareceram — e o destino completo do cérebro de Einstein ainda é um mistério.

 

Fonte: Infobae

 

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