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Tecnologia

O Japão quer colocar 10 milhões de robôs em operação até 2040: o plano vai muito além dos humanoides e aposta na IA para enfrentar a falta de trabalhadores

O Japão estabeleceu uma meta ambiciosa para as próximas décadas: colocar cerca de 10 milhões de robôs em operação até 2040. A estratégia não se concentra apenas em humanoides, mas em máquinas inteligentes capazes de atuar em fábricas, hospitais, restaurantes, logística e outros setores afetados pela escassez de mão de obra.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante anos, o Japão foi visto como o país dos robôs humanoides. Máquinas como o famoso ASIMO, desenvolvido pela Honda, simbolizavam um futuro em que robôs caminhariam entre as pessoas realizando tarefas complexas. Hoje, porém, a prioridade mudou. Em vez de impressionar o mundo com demonstrações tecnológicas, o país quer resolver um problema muito mais urgente: a falta crescente de trabalhadores. Para isso, o governo aposta em uma nova geração de robôs equipados com inteligência artificial e estabelece uma meta ousada: cerca de 10 milhões de unidades em funcionamento até 2040.

Um plano para enfrentar a escassez de mão de obra

A meta foi apresentada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) como parte da atualização da estratégia nacional de robótica baseada em inteligência artificial.

Batizado de AI Robotics, o programa busca integrar IA e robótica para criar máquinas capazes de operar em ambientes reais, assumindo tarefas repetitivas, físicas, perigosas ou difíceis de preencher devido à falta de profissionais.

A nova estratégia amplia significativamente o escopo da política anterior. Em vez de concentrar esforços apenas na indústria, o plano passa a contemplar 18 áreas de aplicação, incluindo restaurantes, produção de alimentos, hospitais, cuidados com idosos, logística, inspeção, manutenção e serviços em geral.

O futuro não depende apenas de robôs humanoides

Apesar da imagem popular dos robôs com aparência humana, eles não serão os protagonistas dessa transformação.

O governo japonês deixa claro que o objetivo envolve uma ampla variedade de equipamentos: robôs industriais, plataformas móveis, sistemas hospitalares, máquinas para restaurantes, veículos autônomos para logística, equipamentos de inspeção, manutenção e até resposta a emergências.

Os humanoides continuam fazendo parte dos planos, mas apenas quando sua forma oferecer vantagens reais para determinadas atividades. O foco principal é colocar robôs onde eles possam aumentar a produtividade e compensar a escassez de trabalhadores.

O fim do ASIMO marcou uma mudança de rumo

Essa mudança de estratégia ajuda a explicar o destino do ASIMO, talvez o robô mais famoso da história do Japão.

A Honda encerrou o desenvolvimento do projeto em 2018 e retirou o robô das demonstrações públicas em 2022. No entanto, isso não significou o abandono da robótica.

Grande parte das tecnologias desenvolvidas durante o projeto passou a ser aplicada em sistemas de assistência, teleoperação e outras soluções mais voltadas para aplicações práticas.

A mensagem é clara: já não basta construir um robô capaz de caminhar como um ser humano. Agora, ele precisa demonstrar utilidade econômica e resolver problemas concretos do cotidiano.

O desafio é demográfico

A principal motivação do governo japonês não é tecnológica, mas demográfica.

O país enfrenta uma combinação de envelhecimento acelerado da população, baixa taxa de natalidade e redução contínua da população economicamente ativa.

Segundo estimativas do Recruit Works Institute, o Japão poderá registrar um déficit de aproximadamente 11 milhões de trabalhadores até 2040.

Sem mão de obra suficiente, setores como saúde, cuidados com idosos, alimentação, transporte e indústria enfrentam dificuldades cada vez maiores para manter suas operações.

Nesse cenário, os robôs deixam de representar uma visão futurista e passam a ser uma necessidade econômica.

O Japão continua sendo uma potência em robótica

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© pexels

Embora os holofotes recentes estejam voltados para empresas da China e dos Estados Unidos, o Japão continua ocupando uma posição de destaque na indústria global de robótica.

Dados da Federação Internacional de Robótica mostram que o país respondeu por cerca de 38% da produção mundial de robôs industriais em 2023.

Em 2024, foram instaladas aproximadamente 44,5 mil novas unidades, elevando para cerca de 450,5 mil o número de robôs industriais em operação no território japonês.

Essa base tecnológica coloca o país em uma posição privilegiada para ampliar rapidamente o uso dessas máquinas em novos setores.

A inteligência artificial será o grande diferencial

O plano japonês não prevê apenas aumentar a quantidade de robôs, mas também torná-los muito mais inteligentes.

No fim de junho de 2026, o METI anunciou a seleção de um consórcio formado pela Noetra e pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada (AIST) para desenvolver um modelo nacional de inteligência artificial multimodal.

Esse sistema servirá como uma espécie de “cérebro” para futuras máquinas, permitindo que elas interpretem imagens, sons, linguagem e informações do ambiente de forma integrada antes de tomar decisões.

Ainda existem dúvidas sobre quais empresas produzirão os milhões de robôs previstos e como será dividido o trabalho entre fabricantes japoneses e parceiros internacionais. Mesmo assim, a direção já está definida.

Para o Japão, a próxima revolução da robótica não será medida pelo número de robôs humanoides em exibição, mas pela quantidade de tarefas essenciais que essas máquinas conseguirão executar no dia a dia de uma sociedade que envelhece rapidamente.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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