A taxa de desemprego no Brasil caiu para 7% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados do IBGE. Esse é o menor índice para o período desde o início da série histórica, em 2012. Embora o número represente uma conquista importante, ele não reflete integralmente a situação do trabalhador brasileiro. A renda média segue abaixo da inflação, o que indica perda de poder de compra e maior fragilidade no consumo.
Emprego formal em alta, mas com salário defasado
O país encerrou 2024 com recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas, sendo 1,69 milhão de vagas formais criadas ao longo do ano. No entanto, o rendimento médio real subiu apenas 4%, enquanto a inflação ultrapassou esse percentual, o que significa que os trabalhadores estão tendo reajustes salariais, mas não aumentos reais.
Segundo o IBGE, o rendimento médio chegou a R$ 3.410, o maior valor da série histórica, mas esse ganho não tem sido suficiente para manter o carrinho do supermercado cheio. O consumidor está empregado, mas com o orçamento apertado.
A informalidade avança e o consumo enfraquece
Especialistas alertam para o aumento da informalidade, o que ajuda a manter o desemprego baixo, mas com empregos de menor qualidade. Os setores que mais absorvem mão de obra — como construção civil e serviços — oferecem pouca estabilidade e remunerações mais baixas.
Enquanto isso, o consumo se mantém alto, mas sustentado por uma população cada vez mais endividada. Um levantamento da CNDL e SPC Brasil mostra que 31% da população usou o cheque especial no último ano, evidenciando a fragilidade das finanças pessoais.

Falta de qualificação limita contratações
Mesmo com o aumento das contratações formais, setores como bares e restaurantes enfrentam dificuldades para preencher vagas. Uma pesquisa da Abrasel aponta que 90% dos empresários têm dificuldade em contratar, principalmente pela falta de profissionais qualificados.
Cargos como sushiman, churrasqueiro e cozinheiro estão entre os mais difíceis de preencher. Para driblar a escassez, muitas empresas têm optado por contratar sem experiência e investir em treinamentos internos. Premiações por desempenho e programas de capacitação têm sido estratégias para formar e reter talentos.
Desafios estruturais ainda persistem
Apesar das políticas de estímulo implementadas pelo governo, especialistas afirmam que faltam medidas estruturais para garantir empregos de qualidade. O crescimento da ocupação não está sendo acompanhado por avanços significativos na renda ou na qualificação profissional. O Brasil precisa olhar para além dos números do desemprego e pensar em soluções que fortaleçam o poder de compra e a estabilidade do trabalhador.
Fonte: Metrópoles