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Tecnologia

O que está por trás do enorme investimento chinês em inteligência artificial até 2030

A China acaba de revelar números impressionantes sobre sua infraestrutura de inteligência artificial. Mas o que realmente chama atenção está na dimensão do próximo passo.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A disputa global pela inteligência artificial já não acontece apenas nos laboratórios onde novos modelos são desenvolvidos. Por trás deles existe uma corrida igualmente importante: construir a infraestrutura capaz de alimentar, treinar e executar sistemas cada vez mais exigentes. E os números divulgados recentemente pela China mostram que o país está acelerando em uma escala difícil de ignorar. O próximo objetivo, porém, é ainda mais ambicioso.

Um salto gigantesco em apenas um ano

No fim de junho de 2026, a capacidade de computação voltada para inteligência artificial na China havia chegado a 2.185 exaflops, segundo dados apresentados pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT).

O número representa um crescimento de 177% em apenas 12 meses. E a expansão não parou ali: no fim de julho, estimativas da Administração Nacional de Dados apontavam para aproximadamente 2.450 exaflops.

Essa capacidade é fundamental para o desenvolvimento da IA moderna. Modelos avançados precisam de enormes quantidades de processamento tanto durante o treinamento quanto quando são utilizados por milhões de pessoas.

Para sustentar o crescimento, a China colocou em operação dezenas de grandes instalações. Ao todo, 52 centros de computação inteligente foram construídos com mais de 10 mil placas aceleradoras cada um.

Mas esse impressionante crescimento recente não é apresentado por Pequim como o ponto final. É apenas uma etapa de uma estratégia muito maior.

O novo plano do governo chinês estabelece uma meta que pode alterar significativamente a dimensão da infraestrutura nacional de IA nos próximos anos.

A meta que coloca a infraestrutura em outra escala

O plano quinquenal do MIIT para 2026–2030 estabelece como objetivo elevar a capacidade de computação inteligente da China para 9.800 exaflops até 2030.

Na prática, isso significa multiplicar por aproximadamente 4,5 vezes a capacidade registrada em junho deste ano.

A ambição não se limita ao processamento. A China também pretende aumentar sua capacidade de armazenamento avançado de 540 para 1.700 exabytes no mesmo período.

Para financiar essa expansão, o governo prevê investimentos acumulados de 3,8 trilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 532 bilhões, em infraestrutura de informação durante os próximos cinco anos.

O tamanho do investimento revela que Pequim considera a computação um componente estratégico da economia e da competição tecnológica internacional.

E existe um motivo bastante concreto para essa urgência: a disputa pelos chips mais avançados.

O bloqueio dos chips virou combustível para a estratégia chinesa

Os Estados Unidos impuseram restrições ao acesso de empresas chinesas aos processadores gráficos mais avançados da Nvidia, em uma tentativa de limitar o desenvolvimento de capacidades sofisticadas de inteligência artificial no país asiático.

A resposta chinesa foi acelerar a busca por autossuficiência tecnológica.

O novo plano dá prioridade à adaptação dos centros de computação para trabalhar com chips produzidos nacionalmente. Em vez de depender exclusivamente de componentes estrangeiros que podem sofrer novas restrições, Pequim pretende ampliar uma infraestrutura compatível com sua própria indústria de semicondutores.

A estratégia também prevê a criação de grandes clusters de computação, incluindo instalações com 10 mil e até mais de 100 mil placas gráficas.

Parte dessa expansão aproveita o projeto conhecido como “Dados do Leste, Computação do Oeste”, lançado em 2022. A iniciativa procura transferir centros de processamento para regiões ocidentais do país, onde energia, terrenos e outros custos podem ser mais favoráveis.

A demanda por IA também está explodindo

Existe ainda outro fator pressionando essa expansão: o uso crescente da inteligência artificial dentro da própria China.

Dados da Administração Nacional de Dados indicam que o consumo diário de tokens no país passou de aproximadamente 100 bilhões no início de 2024 para 140 trilhões em março de 2026.

Tokens são unidades utilizadas pelos modelos de linguagem para processar informações. O salto mostra a velocidade com que ferramentas de IA generativa estão sendo incorporadas a produtos e serviços.

E a infraestrutura necessária para acompanhar esse crescimento vai além dos computadores.

O plano chinês também inclui avanços nas redes de comunicação, maior integração do 5G com o sistema de navegação BeiDou, expansão do 5G-Advanced e preparação para a futura chegada do 6G.

A China já destinou a faixa de 6 GHz para testes iniciais dessa próxima geração de conectividade. Enquanto isso, o 3GPP trabalha no primeiro padrão global de 6G, cuja conclusão é esperada para 2029.

Assim, a meta anunciada para 2030 não representa apenas uma tentativa de aumentar o número de computadores. Ela faz parte de uma estratégia muito mais ampla: construir uma infraestrutura nacional capaz de sustentar a próxima fase da inteligência artificial, reduzir a dependência tecnológica do exterior e transformar capacidade computacional em vantagem econômica e geopolítica.

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