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Ciência

Curiosity encontra um “mar de polígonos” em Marte — e cientistas tentam explicar sua origem

O rover da NASA encontrou estruturas geométricas de apenas 4 a 8 centímetros nas encostas do Monte Sharp. Elas podem guardar pistas sobre uma época em que Marte alternava entre períodos úmidos e secos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Marte continua encontrando maneiras de surpreender os cientistas. Durante sua exploração do Valle Grande, nas encostas do Monte Sharp, o rover Curiosity, da NASA, registrou uma extensa área coberta por pequenas fraturas geométricas. O cenário lembra um enorme mosaico — ou até um verdadeiro “mar de polígonos”.

As estruturas medem entre 4 e 8 centímetros de largura e podem ajudar a reconstruir um capítulo importante da história do Planeta Vermelho. Cientistas investigam agora três possíveis explicações para sua origem, incluindo uma que envolve antigos ciclos de água líquida e secagem.

Um estranho “mar de polígonos” em Marte

Um objeto misterioso encontrado em Marte deixou cientistas sem respostas
© Unsplash

As imagens captadas pelo Curiosity revelam inúmeras fraturas sedimentares distribuídas pelo terreno e formando padrões semelhantes a favos de mel.

Não é a primeira vez que o rover encontra estruturas poligonais em Marte. O que surpreendeu os pesquisadores desta vez foi a enorme quantidade delas. Os padrões aparecem repetidamente e se estendem por vários metros.

Para os cientistas, essa abundância pode ser uma pista importante sobre o antigo clima marciano. Uma das possibilidades é que a região tenha passado por longos períodos com água líquida, intercalados com fases de evaporação e seca.

Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, afirmou que a equipe já observou muitas paisagens fascinantes durante a missão. Ainda assim, a dimensão desse “mar de polígonos” surpreendeu os pesquisadores.

A equipe agora está analisando cuidadosamente o formato e a composição química das estruturas para tentar descobrir exatamente como elas surgiram.

Três hipóteses podem explicar as estruturas

Até agora, os pesquisadores trabalham principalmente com três mecanismos geológicos capazes de produzir padrões semelhantes.

A primeira hipótese — e uma das mais interessantes — envolve antigas rachaduras de lama. O processo seria relativamente simples: o solo entrava em contato com água líquida e, posteriormente, secava.

Com a perda de umidade, a lama se contraía e rachava. Se esses ciclos de umedecimento e secagem acontecessem repetidamente, as fissuras poderiam se reorganizar até formar hexágonos e outros polígonos.

Esse cenário reforçaria a ideia de que Marte não foi apenas úmido em algum momento distante, mas pode ter experimentado vários ciclos entre condições úmidas e secas.

Temperaturas extremas também podem estar envolvidas

Martee
© Pixabay/WikiImages

A segunda hipótese está relacionada ao congelamento e descongelamento do terreno.

Mudanças extremas de temperatura poderiam fazer o material presente no solo se expandir e contrair repetidamente. Com o tempo, esse processo seria capaz de produzir rachaduras e padrões geométricos.

Os cientistas ainda precisam comparar as características dessas formações com o que seria esperado nesse tipo de processo para descobrir se essa explicação realmente se encaixa no cenário observado pelo Curiosity.

Há ainda uma terceira possibilidade: a compressão dos sedimentos.

Nesse caso, novas camadas de material teriam se acumulado sobre sedimentos antigos. O peso crescente poderia comprimir as camadas inferiores e expulsar parte da água que estava presa entre elas, favorecendo o surgimento das fissuras.

Por que esses pequenos polígonos são tão importantes

O Curiosity já havia encontrado estruturas parecidas anteriormente. Mas nunca em uma escala tão impressionante.

Abigail Fraeman, cientista adjunta do projeto Curiosity, destacou justamente essa diferença. Segundo ela, rochas com padrões poligonais já apareceram em outras regiões exploradas pelo rover, mas nunca em uma quantidade tão grande, cobrindo vários metros do terreno nas imagens.

E essas pequenas estruturas podem contar uma história muito maior do que seu tamanho sugere.

Ciclos repetidos de água e seca são especialmente interessantes para a astrobiologia. Quando a água evapora, determinadas substâncias químicas podem ficar concentradas em uma área menor. Novos períodos úmidos podem então permitir outras reações químicas.

Isso não significa que o Curiosity tenha encontrado sinais de vida.

O que os cientistas querem descobrir é se Marte apresentou, bilhões de anos atrás, ambientes capazes de favorecer a formação de moléculas cada vez mais complexas.

Se os polígonos realmente forem resultado de repetidos ciclos de umidade e seca, esse pequeno mosaico marciano poderá revelar muito sobre uma das maiores questões da exploração do planeta: por quanto tempo Marte teve condições potencialmente favoráveis à química que antecede a vida?

 

[ Fonte: Canal26 ]

 

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