Apesar de ser líder de uma das instituições mais antigas e tradicionais do mundo, o papa Francisco manteve até o fim sua postura humilde e centrada no essencial. Seu testamento, publicado pelo Vaticano, revela um desejo sereno e simbólico: uma sepultura simples, fora do Vaticano, com apenas uma palavra gravada.
O pedido que quebra uma tradição de mais de um século
Diferentemente de seus antecessores, o papa Francisco não será enterrado nas grutas da Basílica de São Pedro, onde repousam os últimos líderes da Igreja. Ele pediu para ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, local que visitava ao início e ao final de cada viagem apostólica.
Essa decisão rompe uma tradição de 122 anos e mostra o forte vínculo de Francisco com a imagem de Nossa Senhora conhecida como Salus Populi Romani, considerada padroeira da cidade de Roma. Segundo a tradição, a pintura teria sido feita por São Lucas, um dos evangelistas do Novo Testamento.
Uma lápide sem ornamentos e com uma única palavra
No testamento, Francisco solicita que sua tumba seja no chão, entre a Capela Paulina e a Capela Sforza, sem qualquer ornamento ou decoração especial. Ele deseja que nela esteja apenas o nome Franciscus, reafirmando sua identidade como servo simples e fiel, em sintonia com os ensinamentos de São Francisco de Assis, de quem herdou o nome papal.
O pontífice também pediu que os custos com sua sepultura sejam cobertos por um benfeitor, já previamente indicado por ele, e deixou instruções ao arcebispo Rolandas Makrickas para a execução do plano.
Um testamento que fala de fé, sofrimento e paz
Datado de 29 de junho de 2022, o testamento traz reflexões espirituais e um último apelo à fraternidade entre os povos. Francisco dedica suas últimas palavras à esperança na vida eterna, à sua devoção à Virgem Maria e ao sofrimento oferecido em prol da paz mundial.
“Que o Senhor dê a merecida recompensa àqueles que me quiseram bem e que continuarão a rezar por mim. O sofrimento que esteve presente na última parte de minha vida eu o ofereço ao Senhor pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos”, escreveu o papa em um dos trechos mais emocionantes do documento.
A escolha pela simplicidade até nos detalhes finais de sua vida ecoa os valores que Francisco cultivou desde o início do seu pontificado: proximidade com os pobres, modéstia no exercício do poder e foco nas causas humanitárias mais urgentes. Um gesto que, sem dúvida, ficará marcado como parte de seu legado espiritual e histórico.
[Fonte: UOL Notícias]