Você provavelmente já viu um pequeno triângulo com um número no fundo de uma garrafa, pote ou embalagem de plástico. Ele pode passar completamente despercebido, mas não está ali por acaso. Os números de 1 a 7 fazem parte de um sistema criado para identificar diferentes tipos de resina. E existe um detalhe importante: saber qual plástico você tem nas mãos não significa automaticamente saber tudo o que pode fazer com ele.
O número que aparece no fundo não é um selo de segurança
O símbolo formado por um triângulo com um número no interior é conhecido como Código de Identificação de Resina, ou RIC. Sua principal função é indicar qual tipo de plástico foi utilizado na fabricação daquela embalagem.
Os códigos vão de 1 a 7 e ajudam a diferenciar materiais que podem parecer praticamente iguais. Uma garrafa transparente, por exemplo, pode ser feita de uma resina completamente diferente daquela utilizada em outro recipiente aparentemente semelhante.
Mas existe uma confusão bastante comum: interpretar esses números como uma escala que vai do plástico “ruim” ao “bom” ou como uma autorização para reutilizar, aquecer ou colocar o recipiente no micro-ondas.
Não é isso que eles significam.
O código identifica principalmente o material. Para descobrir se determinado recipiente pode entrar em contato com alimentos, ser reutilizado repetidamente ou suportar temperaturas elevadas, é necessário verificar também as instruções e os símbolos fornecidos pelo fabricante.
É aí que os números começam a ficar realmente interessantes.
Do número 1 ao 4, os plásticos mais comuns aparecem por todos os lados
O número 1 corresponde ao PET, ou tereftalato de polietileno. É extremamente comum em garrafas de água, refrigerantes e outras bebidas. Muitos desses produtos são fabricados pensando em uso único. Se a embalagem estiver riscada, deformada ou difícil de higienizar, não deve ser tratada como se fosse um recipiente reutilizável.
O número 2 identifica o PEAD, o polietileno de alta densidade. Ele aparece em embalagens de leite e outros produtos, frascos de xampu e detergente, além de diversos objetos domésticos. É um material resistente, mas isso não significa que qualquer recipiente feito de PEAD seja apropriado para alimentos ou altas temperaturas.
Já o número 3 representa o PVC, o cloreto de polivinila. É muito conhecido por aplicações como tubos e materiais de construção, embora também esteja presente em outros produtos. Quando o assunto é contato com alimentos, é preciso considerar a formulação específica e a finalidade para a qual o produto foi fabricado.
O número 4 corresponde ao PEBD, polietileno de baixa densidade. É frequente em sacolas, filmes plásticos e embalagens flexíveis usadas para conservar alimentos. Mais uma vez, a indicação específica do fabricante é o que determina se aquele produto pode ser submetido ao calor ou utilizado no micro-ondas.
O número 5 costuma aparecer onde você menos espera
O número 5 identifica o polipropileno, conhecido pela sigla PP. Esse material é bastante utilizado em recipientes para alimentos e pode ser encontrado em produtos desenvolvidos para reutilização.
Alguns recipientes de PP também conseguem suportar temperaturas relativamente altas. Isso, porém, não significa que qualquer pote com o número 5 esteja automaticamente liberado para o micro-ondas.
A diferença parece pequena, mas é fundamental: o tipo de plástico e a finalidade específica do produto são coisas diferentes.
Os códigos 6 e 7 deixam isso ainda mais evidente.
O número 6 corresponde ao poliestireno, ou PS, utilizado em determinados recipientes, embalagens e utensílios descartáveis. Já o número 7 funciona como uma categoria muito mais ampla, reunindo outros tipos de plástico e algumas combinações que não se encaixam nas seis categorias anteriores.
Por isso, encontrar um 7 no fundo de um recipiente não é suficiente para descobrir suas propriedades. É necessário saber qual material específico foi utilizado.
Afinal, qual número é seguro para reutilizar?
A resposta não está simplesmente em escolher um número de 1 a 7.
O código é útil para identificar a resina, mas não funciona como uma classificação universal de segurança. Ele não informa, sozinho, se uma garrafa foi projetada para ser reutilizada, se pode receber alimentos quentes ou se pode ser colocada no micro-ondas.
Para uso repetido, o mais importante é verificar se o recipiente foi projetado para contato com alimentos e reutilização. Também vale seguir as orientações sobre lavagem e temperatura indicadas pelo fabricante.
Outro sinal merece atenção: o estado físico da embalagem.
Riscos, deformações, rachaduras e dificuldade para limpar completamente o recipiente são motivos para substituí-lo, independentemente do número estampado no fundo.
No fim, aquele pequeno símbolo tem uma função mais específica do que parece. Ele ajuda a responder “de que plástico isso é feito?”, mas não necessariamente “o que posso fazer com isso?”.
Para a segunda pergunta, é preciso olhar além do número.