Estacionar um carro elétrico debaixo do sol normalmente significa apenas encontrar o interior mais quente algumas horas depois. Uma nova geração de vidros automotivos quer transformar essa situação em algo mais útil. Células fotovoltaicas praticamente escondidas no teto podem aproveitar a luz para produzir eletricidade enquanto o veículo permanece ao ar livre. E uma das maiores fabricantes de elétricos do mundo já aparece ligada à tecnologia.
Não é um painel solar simplesmente colocado sobre o carro

A proposta foi desenvolvida pela Fuyao Group, uma das gigantes mundiais na fabricação de vidros automotivos.
Em vez de instalar um painel solar convencional sobre a carroceria, a empresa integra as células fotovoltaicas diretamente às camadas do vidro laminado utilizado no teto.
O resultado mantém uma aparência muito mais próxima de um teto panorâmico convencional.
Quando recebe radiação solar, o sistema converte parte dessa energia em eletricidade, seguindo o mesmo princípio fundamental utilizado em painéis instalados em residências e usinas solares.
A Fuyao afirma que já possui capacidade para fabricar a solução em grande escala.
Segundo as informações divulgadas pela empresa, sua tecnologia pode alcançar aproximadamente 150 watts por metro quadrado em determinadas condições.
É justamente aí que surge uma pergunta inevitável.
Se o carro passa várias horas estacionado debaixo do sol, seria possível recarregar completamente sua enorme bateria sem conectá-lo a uma tomada?
A resposta, pelo menos com a tecnologia atual, é não.
O carro continuará precisando do carregador
Existe uma limitação física difícil de contornar: a área disponível.
O teto de um automóvel oferece apenas alguns metros quadrados para captar luz solar, enquanto a bateria de um veículo elétrico moderno pode armazenar dezenas de quilowatts-hora.
Além disso, a geração real varia bastante.
Um carro estacionado debaixo de uma árvore produzirá menos energia. Nuvens, orientação em relação ao sol, temperatura, localização geográfica e até sujeira acumulada sobre o vidro também interferem no resultado.
Por isso, a proposta inicial é muito menos espetacular, mas potencialmente bastante útil: utilizar a energia solar para alimentar sistemas auxiliares do veículo.
Ventilação, conectividade e determinados equipamentos eletrônicos que permanecem funcionando quando o carro está parado poderiam consumir a eletricidade gerada pelo próprio teto.
Isso significa retirar uma pequena carga da bateria principal.
Isoladamente, a economia pode parecer insignificante. Acumulada durante meses ou anos, entretanto, qualquer redução de consumo pode contribuir para a eficiência geral do automóvel.
E é nesse contexto que o nome da BYD começou a aparecer.
BYD pode estar entre as primeiras, mas ainda falta uma confirmação importante
Relatos especializados associaram a tecnologia da Fuyao à BYD, uma das maiores fabricantes mundiais de veículos eletrificados.
Algumas informações chegaram a apontar os modelos BYD Han e Tang como possíveis candidatos para receber o novo teto.
Também circularam números muito mais impressionantes, incluindo potência de até 720 W, eficiência de 23,18% e custo adicional próximo de 8.000 yuans.
Existe, porém, um problema: essas especificações não foram confirmadas oficialmente pela BYD ou pela Fuyao.
A fabricante de vidros também não revelou os nomes dos clientes envolvidos em seus projetos por causa de acordos de confidencialidade.
Portanto, ainda não é possível afirmar que um determinado BYD chegará às concessionárias equipado com essa solução.
O interesse da montadora em energia solar aplicada a veículos, entretanto, não seria completamente inesperado.
A própria BYD possui patentes relacionadas a sistemas solares para tetos automotivos, incluindo conceitos que buscam aumentar a eficiência da captação fotovoltaica.
Uma patente mostra que a BYD está olhando para o teto com atenção
Uma patente publicada recentemente descreve um teto no qual diferentes elementos fotovoltaicos são organizados ao redor de uma seção transparente.
O objetivo é aproveitar melhor a energia solar disponível e elevar a eficiência de geração.
Outra patente anterior da BYD descreve uma solução ainda mais incomum: painéis solares móveis no teto, capazes de alterar sua posição considerando fatores como velocidade do veículo e condições do vento.
Patentes não significam que essas tecnologias necessariamente chegarão à produção.
Fabricantes registram inúmeros conceitos que podem ser modificados ou simplesmente nunca aparecer em um produto comercial.
Mas elas mostram que transformar a superfície superior do automóvel em uma área ativa de geração energética está sendo investigado de diferentes maneiras.
A Fuyao, por sua vez, trabalha no conceito há anos. Em 2024, a empresa já informava a investidores que possuía capacidade de produção em série de vidros automotivos com tecnologia solar.
Agora, o avanço está mais próximo da industrialização em grande escala.
O futuro do carro elétrico pode aproveitar até os momentos em que ele não se move
A ideia provavelmente não resolverá a ansiedade de autonomia nem acabará com os carregadores rápidos.
Sua contribuição é mais discreta.
Um automóvel passa grande parte de sua existência estacionado. Durante muitas dessas horas, especialmente em regiões ensolaradas, existe uma enorme quantidade de energia atingindo sua carroceria e sendo simplesmente desperdiçada.
Transformar parte dessa luz em eletricidade cria uma nova lógica.
O carro não precisaria estar rodando ou conectado para produzir uma pequena quantidade de sua própria energia.
Se custos diminuírem e eficiência aumentar, superfícies fotovoltaicas também poderão ganhar espaço em outras partes dos veículos.
A disputa dos carros elétricos costuma ser medida em baterias maiores, quilômetros de autonomia e minutos necessários para recarregar.
Mas a próxima pequena vantagem pode vir de um lugar muito mais simples.
Enquanto o motorista está longe e o veículo aparentemente não faz absolutamente nada, seu teto pode estar silenciosamente trabalhando sob o sol.
[Fonte: El comercio]