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Tecnologia

O teto dos carros elétricos pode ganhar uma função inesperada e a BYD aparece entre as primeiras candidatas

Uma nova tecnologia transforma o vidro do teto em uma pequena fonte de eletricidade. A ideia não elimina os carregadores, mas pode mudar silenciosamente o consumo dos carros elétricos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Estacionar um carro elétrico debaixo do sol normalmente significa apenas encontrar o interior mais quente algumas horas depois. Uma nova geração de vidros automotivos quer transformar essa situação em algo mais útil. Células fotovoltaicas praticamente escondidas no teto podem aproveitar a luz para produzir eletricidade enquanto o veículo permanece ao ar livre. E uma das maiores fabricantes de elétricos do mundo já aparece ligada à tecnologia.

Não é um painel solar simplesmente colocado sobre o carro

O teto dos carros elétricos pode ganhar uma função inesperada e a BYD aparece entre as primeiras candidatas
© Imagem gerada com IA – Gizmodo BR

A proposta foi desenvolvida pela Fuyao Group, uma das gigantes mundiais na fabricação de vidros automotivos.

Em vez de instalar um painel solar convencional sobre a carroceria, a empresa integra as células fotovoltaicas diretamente às camadas do vidro laminado utilizado no teto.

O resultado mantém uma aparência muito mais próxima de um teto panorâmico convencional.

Quando recebe radiação solar, o sistema converte parte dessa energia em eletricidade, seguindo o mesmo princípio fundamental utilizado em painéis instalados em residências e usinas solares.

A Fuyao afirma que já possui capacidade para fabricar a solução em grande escala.

Segundo as informações divulgadas pela empresa, sua tecnologia pode alcançar aproximadamente 150 watts por metro quadrado em determinadas condições.

É justamente aí que surge uma pergunta inevitável.

Se o carro passa várias horas estacionado debaixo do sol, seria possível recarregar completamente sua enorme bateria sem conectá-lo a uma tomada?

A resposta, pelo menos com a tecnologia atual, é não.

O carro continuará precisando do carregador

Existe uma limitação física difícil de contornar: a área disponível.

O teto de um automóvel oferece apenas alguns metros quadrados para captar luz solar, enquanto a bateria de um veículo elétrico moderno pode armazenar dezenas de quilowatts-hora.

Além disso, a geração real varia bastante.

Um carro estacionado debaixo de uma árvore produzirá menos energia. Nuvens, orientação em relação ao sol, temperatura, localização geográfica e até sujeira acumulada sobre o vidro também interferem no resultado.

Por isso, a proposta inicial é muito menos espetacular, mas potencialmente bastante útil: utilizar a energia solar para alimentar sistemas auxiliares do veículo.

Ventilação, conectividade e determinados equipamentos eletrônicos que permanecem funcionando quando o carro está parado poderiam consumir a eletricidade gerada pelo próprio teto.

Isso significa retirar uma pequena carga da bateria principal.

Isoladamente, a economia pode parecer insignificante. Acumulada durante meses ou anos, entretanto, qualquer redução de consumo pode contribuir para a eficiência geral do automóvel.

E é nesse contexto que o nome da BYD começou a aparecer.

BYD pode estar entre as primeiras, mas ainda falta uma confirmação importante

Relatos especializados associaram a tecnologia da Fuyao à BYD, uma das maiores fabricantes mundiais de veículos eletrificados.

Algumas informações chegaram a apontar os modelos BYD Han e Tang como possíveis candidatos para receber o novo teto.

Também circularam números muito mais impressionantes, incluindo potência de até 720 W, eficiência de 23,18% e custo adicional próximo de 8.000 yuans.

Existe, porém, um problema: essas especificações não foram confirmadas oficialmente pela BYD ou pela Fuyao.

A fabricante de vidros também não revelou os nomes dos clientes envolvidos em seus projetos por causa de acordos de confidencialidade.

Portanto, ainda não é possível afirmar que um determinado BYD chegará às concessionárias equipado com essa solução.

O interesse da montadora em energia solar aplicada a veículos, entretanto, não seria completamente inesperado.

A própria BYD possui patentes relacionadas a sistemas solares para tetos automotivos, incluindo conceitos que buscam aumentar a eficiência da captação fotovoltaica.

Uma patente mostra que a BYD está olhando para o teto com atenção

Uma patente publicada recentemente descreve um teto no qual diferentes elementos fotovoltaicos são organizados ao redor de uma seção transparente.

O objetivo é aproveitar melhor a energia solar disponível e elevar a eficiência de geração.

Outra patente anterior da BYD descreve uma solução ainda mais incomum: painéis solares móveis no teto, capazes de alterar sua posição considerando fatores como velocidade do veículo e condições do vento.

Patentes não significam que essas tecnologias necessariamente chegarão à produção.

Fabricantes registram inúmeros conceitos que podem ser modificados ou simplesmente nunca aparecer em um produto comercial.

Mas elas mostram que transformar a superfície superior do automóvel em uma área ativa de geração energética está sendo investigado de diferentes maneiras.

A Fuyao, por sua vez, trabalha no conceito há anos. Em 2024, a empresa já informava a investidores que possuía capacidade de produção em série de vidros automotivos com tecnologia solar.

Agora, o avanço está mais próximo da industrialização em grande escala.

O futuro do carro elétrico pode aproveitar até os momentos em que ele não se move

A ideia provavelmente não resolverá a ansiedade de autonomia nem acabará com os carregadores rápidos.

Sua contribuição é mais discreta.

Um automóvel passa grande parte de sua existência estacionado. Durante muitas dessas horas, especialmente em regiões ensolaradas, existe uma enorme quantidade de energia atingindo sua carroceria e sendo simplesmente desperdiçada.

Transformar parte dessa luz em eletricidade cria uma nova lógica.

O carro não precisaria estar rodando ou conectado para produzir uma pequena quantidade de sua própria energia.

Se custos diminuírem e eficiência aumentar, superfícies fotovoltaicas também poderão ganhar espaço em outras partes dos veículos.

A disputa dos carros elétricos costuma ser medida em baterias maiores, quilômetros de autonomia e minutos necessários para recarregar.

Mas a próxima pequena vantagem pode vir de um lugar muito mais simples.

Enquanto o motorista está longe e o veículo aparentemente não faz absolutamente nada, seu teto pode estar silenciosamente trabalhando sob o sol.

[Fonte: El comercio]

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