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Tecnologia

Os dramas de pets feitos por IA que estão viciando milhões — e rendendo fortunas

Vídeos curtos com animais gerados por inteligência artificial estão dominando as redes e faturando alto. O sucesso mistura emoção, roteiro dramático e uma fórmula difícil de ignorar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma nova febre digital está tomando conta das plataformas de vídeos curtos — e ela não envolve influenciadores humanos. Criadores estão usando inteligência artificial para produzir mini-dramas protagonizados por pets virtuais, com histórias carregadas de emoção e reviravoltas. O resultado? Audiências gigantescas, contas que crescem em ritmo acelerado e um modelo de monetização que começa a chamar atenção da indústria.

O fenômeno dos pets dramáticos

Os dramas de pets feitos por IA que estão viciando milhões — e rendendo fortunas
© https://x.com/edmondyang

Os chamados “dramas de animais” gerados por IA se transformaram em um dos formatos mais virais do momento nas redes sociais de vídeo curto. Muitos desses clipes acumulam milhões — e às vezes centenas de milhões — de visualizações.

Um dos exemplos mais impressionantes surgiu em abril, quando um vídeo de 59 segundos estrelado por um gato laranja viralizou rapidamente. Até o momento do levantamento, a produção já havia ultrapassado a marca de 150 milhões de visualizações.

A história segue uma fórmula emocional bem conhecida: o gato pobre é ridicularizado por uma gata branca e pelo namorado rico dela. Determinado a mudar de vida, o protagonista trabalha duro — atuando como operário da construção civil e limpador de janelas — até enriquecer e surpreender quem duvidou dele.

O público respondeu em massa. Em menos de dois meses, a conta responsável pelo conteúdo conquistou mais de um milhão de seguidores.

O negócio por trás dos vídeos virais

Por trás de alguns desses sucessos está um criador chinês conhecido como Ansheng. Ele administra várias contas de dramas felinos gerados por IA — duas delas já ultrapassaram um milhão de seguidores, enquanto outras somam cerca de 500 mil cada.

Segundo o próprio criador, a monetização pode ser bastante lucrativa. Um único vídeo que ultrapassa 10 milhões de visualizações pode render entre 1.200 e 2.000 yuans (aproximadamente US$ 170 a US$ 280). No total, a renda mensal chega perto de 20 mil yuans (cerca de US$ 3.000).

Curiosamente, Ansheng afirma que decidiu migrar para plataformas internacionais após perceber que o retorno financeiro em redes do mercado chinês era muito menor — em um caso, apenas 50 yuans por um vídeo que atingiu 8 milhões de views.

Outro fator que impulsiona o modelo é o baixo custo de produção. O criador utiliza ferramentas online com créditos gratuitos e produz entre dois e três vídeos por dia, gastando menos de 50 yuans por mês com software.

Ele também admite que não escreve roteiros do zero, preferindo adaptar histórias já existentes — uma prática comum nesse ecossistema de conteúdo.

Fórmula emocional e personagens humanizados

O sucesso não se limita aos gatos. Em redes sociais chinesas, um novo subgênero vem ganhando força: mini-dramas com cães gerados por IA.

Nessas histórias, uma cadela da raça Bichon Frisé costuma aparecer como uma jovem pobre que descobre ser, na verdade, uma princesa. Ao retornar ao palácio, enfrenta humilhações até que surge um príncipe encantado que se apaixona exclusivamente por ela.

Apesar do tom melodramático — muitas vezes considerado exagerado — esse tipo de conteúdo prende a atenção do público. Reviravoltas rápidas e finais emocionantes ajudam a manter os espectadores engajados e frequentemente levam a maratonas de visualização.

Os personagens também são usados como vitrines comerciais. Em vários vídeos, os animais promovem produtos que vão desde xampus para pets até alimentos destinados a humanos, como molhos e massas.

Latang, criadora por trás de uma conta focada em dramas caninos, defende a estratégia. Segundo ela, a personificação dos animais torna natural a promoção de produtos variados.

Por que esse conteúdo funciona tão bem

Para os criadores, o segredo do sucesso está menos nos animais em si e mais nas emoções que eles representam.

Ansheng resume a lógica de forma direta: o público não se conecta necessariamente com gatos ou cachorros, mas com as emoções humanas que esses personagens carregam.

Essa combinação de inteligência artificial, narrativa melodramática e produção barata pode indicar um novo caminho para o entretenimento digital de massa — especialmente em plataformas que priorizam vídeos curtos e altamente virais.

Se a tendência continuar no ritmo atual, os pets virtuais podem deixar de ser apenas uma curiosidade passageira para se tornar uma das engrenagens mais lucrativas da economia de conteúdo online.

[Fonte: SCMP]

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