A autonomia sempre foi um dos maiores obstáculos para a evolução dos drones. Não importa o quão avançado seja o equipamento: cedo ou tarde, a bateria acaba e a missão precisa ser interrompida. Agora, uma inovação desenvolvida nos Estados Unidos promete mudar esse cenário. Utilizando energia transmitida pelo ar, pesquisadores demonstraram que é possível manter um drone recarregado durante o voo, abrindo caminho para operações muito mais longas e praticamente ininterruptas.
A nova tecnologia elimina uma das maiores limitações dos drones
A empresa norte-americana Reach Power Inc., sediada em Redwood City, na Califórnia, apresentou um sistema capaz de transmitir eletricidade por meio de ondas de radiofrequência para um drone que permanece em pleno voo.
Em vez de depender exclusivamente da bateria embarcada, a aeronave recebe energia continuamente por um receptor instalado em sua estrutura. Dessa forma, o equipamento pode continuar operando sem precisar pousar para trocar ou recarregar baterias.
O projeto recebeu financiamento da DARPA, agência responsável por pesquisas avançadas do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e busca resolver um dos principais desafios enfrentados pelas operações com drones: a limitação do tempo de voo.
Na prática, a autonomia deixa de depender apenas da capacidade da bateria e passa a estar relacionada à cobertura da rede responsável pela transmissão da energia.
Como funciona o carregamento sem fio durante o voo
O sistema utiliza uma rede inteligente formada por diversos transmissores que trabalham de maneira sincronizada. Em vez de um único equipamento enviar toda a energia, vários transmissores direcionam simultaneamente a potência para o receptor instalado no drone.
Durante uma demonstração realizada em 23 de maio de 2024 no Centro de Pesquisas Ames, da NASA, quatro transmissores forneceram conjuntamente 256 watts de potência para um quadricóptero com aproximadamente 2,3 quilos.
O receptor embarcado conseguiu converter parte dessa energia e fornecer cerca de 50 watts diretamente para a bateria da aeronave enquanto ela permanecia voando a cerca de seis metros de distância dos transmissores.
Segundo a Reach Power, esse fornecimento contínuo é suficiente para manter a carga da bateria durante toda a operação, permitindo voos muito mais longos do que os possibilitados pelos sistemas convencionais.
Outro diferencial está na arquitetura da rede. Como diversos transmissores trabalham em conjunto, não existe um ponto único de falha. Caso um deles deixe de funcionar, os demais redistribuem automaticamente a potência necessária para manter o carregamento sem interrupções.
Além disso, um algoritmo adaptativo monitora constantemente o sistema e ajusta a distribuição da energia em tempo real para maximizar a eficiência da transmissão.
A tecnologia pode transformar operações militares e outras aplicações no futuro
O desenvolvimento faz parte de um programa conhecido internamente como POWER, sigla para Persistent Overwatch Wireless Energy Recharging. O objetivo principal é permitir que drones militares permaneçam em missões de vigilância e reconhecimento durante períodos muito maiores do que os atuais.
Hoje, operações desse tipo exigem substituição frequente das aeronaves, áreas específicas para pouso e uma logística complexa de recarga de baterias. Cada troca representa alguns minutos sem cobertura aérea, algo que pode comprometer missões críticas.
Com o novo sistema, um drone poderia permanecer sobre uma determinada região durante horas ou até dias, desde que estivesse dentro da área atendida pela rede de transmissores.
Além do apoio da DARPA, o projeto recebeu recursos do Fundo de Melhoria da Capacidade Energética Operacional do Pentágono e conquistou destaque ao vencer a competição xTechSearch 9, superando mais de 800 propostas tecnológicas.
Embora o foco inicial seja militar, especialistas acreditam que sistemas semelhantes poderão futuramente beneficiar aplicações civis. Monitoramento ambiental, inspeção de infraestrutura, agricultura de precisão, resposta a desastres naturais e operações de busca e salvamento estão entre as áreas que poderiam aproveitar drones com autonomia muito superior à disponível atualmente.
Ainda existem desafios técnicos antes da adoção em larga escala, principalmente relacionados ao alcance da transmissão e à eficiência energética em distâncias maiores. Mesmo assim, a demonstração representa um passo importante para uma tecnologia que pode redefinir completamente o conceito de autonomia aérea nos próximos anos.
[Fonte: okdiario]