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Ciência

Europa fecha grande acordo para acelerar o armazenamento de energia renovável e aposta em baterias para reduzir custos e fortalecer a segurança elétrica

A União Europeia deu um passo importante para ampliar o uso de energias renováveis ao firmar um acordo inédito que reúne governos, indústria e instituições financeiras. O objetivo é acelerar a instalação de sistemas de armazenamento, considerados essenciais para garantir uma rede elétrica mais estável, segura e menos dependente dos combustíveis fósseis.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A expansão da energia solar e eólica transformou o setor elétrico europeu nos últimos anos, mas um desafio continua limitando o avanço dessas fontes limpas: armazenar a eletricidade produzida quando há abundância de sol ou vento para utilizá-la nos momentos de maior demanda. Para enfrentar esse problema, a Comissão Europeia anunciou um acordo histórico que reúne 22 países, incluindo a Espanha, empresas do setor e instituições financeiras em uma estratégia conjunta para ampliar a capacidade de armazenamento de energia até 2028.

Um acordo inédito para impulsionar a transição energética

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© Pexels

Assinado durante o Conselho de Energia realizado em Luxemburgo, o pacto é o primeiro acordo tripartite de armazenamento energético da União Europeia. A iniciativa une governos nacionais, representantes da indústria e o setor financeiro em torno de uma meta comum: acelerar a implantação de sistemas de armazenamento de curto prazo, principalmente baterias de grande capacidade.

Segundo a Comissão Europeia, os países participantes assumiram o compromisso de instalar entre 30 e 35 gigawatts (GW) adicionais de capacidade de armazenamento nos próximos dois anos. Esse volume representa cerca de 15% da meta prevista para o fim desta década.

A expectativa é tornar o sistema elétrico europeu mais flexível, resiliente e preparado para integrar uma participação cada vez maior das fontes renováveis.

O armazenamento é considerado o elo que faltava

Para a Comissão Europeia, aumentar a geração de energia limpa não é suficiente sem tecnologias capazes de armazenar essa eletricidade.

O comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, definiu o armazenamento como “o elo perdido” da transição energética. Segundo ele, guardar energia nos momentos de maior produção e utilizá-la quando a demanda aumenta permitirá reduzir desperdícios, estabilizar o fornecimento e contribuir para a queda dos preços da eletricidade.

Além disso, sistemas de armazenamento ajudam a reduzir a necessidade de acionar usinas movidas por combustíveis fósseis nos horários de pico de consumo, tornando a matriz energética mais limpa e eficiente.

Acordo também busca reduzir a dependência energética

Outro objetivo estratégico da iniciativa é diminuir a dependência europeia dos mercados internacionais de petróleo e gás natural, frequentemente afetados por crises geopolíticas.

Nos últimos meses, conflitos no Oriente Médio e as tensões envolvendo o estreito de Ormuz voltaram a pressionar os preços da energia, reforçando a necessidade de ampliar a produção própria baseada em fontes renováveis.

Segundo Bruxelas, uma infraestrutura robusta de armazenamento permitirá aproveitar melhor a eletricidade produzida por parques solares e eólicos, reduzindo a vulnerabilidade do bloco às oscilações dos combustíveis fósseis.

Indústria, governos e bancos terão responsabilidades compartilhadas

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© Hansjörg Keller – Unsplash

O acordo estabelece compromissos específicos para cada participante.

As empresas do setor energético deverão apresentar estimativas anuais sobre novos projetos e informar o volume previsto de armazenamento.

Já as indústrias com alto consumo de eletricidade serão incentivadas a instalar sistemas próprios de armazenamento e fornecer informações mais precisas sobre seus padrões de consumo, facilitando o equilíbrio da rede elétrica.

Os governos participantes, por sua vez, assumiram o compromisso de eliminar barreiras regulatórias que dificultam novos investimentos, além de oferecer apoio financeiro quando necessário. Também deverão garantir tarifas de acesso à rede mais transparentes e compatíveis com os custos reais do sistema.

Instituições financeiras e o Banco Europeu de Investimentos trabalharão em conjunto para ampliar o acesso ao crédito e tornar os projetos de armazenamento mais atrativos para investidores privados.

Europa precisará quase quadruplicar sua capacidade até 2030

Os números mostram a dimensão do desafio.

Segundo estimativas da Comissão Europeia, o bloco precisará contar com aproximadamente 200 GW de capacidade de armazenamento até 2030 para atender às necessidades do sistema elétrico.

Atualmente, a União Europeia possui cerca de 55 GW instalados, o que significa que será necessário quase quadruplicar essa infraestrutura em apenas cinco anos.

Para atingir essa meta, Bruxelas aposta não apenas na expansão das baterias de grande escala, mas também em outras tecnologias de armazenamento e soluções de flexibilidade energética que complementem a produção de fontes renováveis.

Na avaliação da Comissão, esse esforço conjunto será fundamental para acelerar a descarbonização da economia, fortalecer a competitividade industrial do continente e garantir um fornecimento de energia mais seguro, acessível e sustentável nas próximas décadas.

 

[ Fonte: El País ]

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