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Ciência

Por que a terra não para de tremer no Panamá? Cientistas explicam o que está acontecendo

Após um terremoto de magnitude 7,7, o Panamá enfrenta centenas de réplicas. Especialistas explicam por que os tremores continuam e quais riscos ainda existem.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A terra tremeu violentamente no Panamá em 9 de outubro e, desde então, não voltou completamente à tranquilidade. Centenas de novos abalos foram registrados, deixando moradores apreensivos diante da possibilidade de outro grande terremoto. Embora a sequência pareça assustadora, os cientistas explicam que existe um mecanismo geológico por trás desses movimentos. E compreender esse processo pode fazer a diferença entre o medo e a preparação para novos eventos.

O terremoto que mudou a rotina de um país inteiro

Em 9 de outubro de 2026, um forte terremoto atingiu o Panamá, provocando danos em edifícios, interrupções de serviços e evacuações em diferentes regiões.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou a magnitude do evento em 7,7, enquanto o Instituto de Geociências da Universidade do Panamá divulgou uma estimativa de 7,5. Diferenças como essa podem ocorrer porque instituições utilizam dados e métodos distintos, especialmente nas primeiras análises.

O epicentro foi localizado na região central do país, nas proximidades das províncias de Veraguas e Los Santos. O tremor também foi sentido em países vizinhos, como Costa Rica e Colômbia.

Segundo o balanço divulgado pela Organização Pan-Americana da Saúde em 11 de outubro, pelo menos 27 pessoas ficaram feridas, sem mortes confirmadas até aquela atualização.

O governo declarou estado de emergência para facilitar o atendimento às comunidades atingidas e a recuperação da infraestrutura.

Mas o que mais chamou a atenção foi a continuidade dos tremores. Em poucos dias, mais de 200 réplicas já haviam sido registradas, e a atividade sísmica permaneceu intensa.

Por que o Panamá continua registrando tantos tremores?

Por que a terra não para de tremer no Panamá? Cientistas explicam o que está acontecendo
© YouTube

A explicação começa muito abaixo da superfície terrestre.

A crosta do planeta é dividida em grandes placas tectônicas que se movimentam lentamente. Embora esse deslocamento normalmente seja imperceptível, ele acumula tensões nas rochas ao longo de falhas geológicas.

Quando a resistência dessas rochas é superada, ocorre uma ruptura repentina que libera energia em forma de ondas sísmicas.

O Panamá está localizado em uma região especialmente complexa, onde interagem as placas de Cocos, Nazca, Caribe e Sul-Americana, além de estruturas associadas ao bloco tectônico panamenho.

De acordo com o engenheiro sísmico Luis Pinzón, pesquisador ligado à Secretaria Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação do Panamá (Senacyt), essa configuração explica por que o território está sujeito a terremotos, mesmo que parte da população não o considere uma região de elevado risco.

Entre as estruturas investigadas está o sistema de falhas de Azuero-Soná, possível responsável pelo terremoto de 9 de outubro.

Entretanto, os cientistas ainda precisam analisar os registros instrumentais e os mecanismos de ruptura para determinar exatamente qual segmento da falha se movimentou.

As réplicas significam que outro grande terremoto está chegando?

Não necessariamente.

Depois de um terremoto de grande magnitude, as rochas próximas à área de ruptura precisam se ajustar à nova distribuição das tensões subterrâneas.

Esse processo provoca novos abalos, conhecidos como réplicas, que podem continuar durante semanas ou até meses.

Em geral, a frequência desses movimentos diminui com o passar do tempo, embora algumas réplicas possam ser suficientemente fortes para causar novos danos.

No dia 13 de outubro, por exemplo, outro tremor de magnitude 6,3 foi registrado nas proximidades de Soná, provocando evacuações preventivas.

Segundo informações divulgadas pela Senacyt, a continuidade das réplicas é um comportamento esperado depois de um terremoto intenso.

Isso não significa que seja possível prever exatamente quando ocorrerá o próximo abalo.

A ciência consegue estimar probabilidades e identificar regiões perigosas, mas ainda não dispõe de métodos confiáveis para determinar a data, o horário e a magnitude de um futuro terremoto.

Por que o mesmo terremoto é sentido de maneiras diferentes?

Por que a terra não para de tremer no Panamá? Cientistas explicam o que está acontecendo
© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Um dos aspectos mais importantes da atividade sísmica é a diferença entre magnitude e intensidade.

A magnitude representa a energia liberada na origem do terremoto. Já a intensidade descreve os efeitos observados em determinado local, incluindo a força com que o solo treme e os danos às construções.

Isso explica por que duas cidades podem experimentar consequências muito diferentes durante o mesmo evento.

A distância até a falha, a profundidade do terremoto, as características do terreno e a resistência dos edifícios influenciam diretamente os resultados.

No Panamá, equipamentos analisados pela Universidade Católica Santa María La Antigua registraram acelerações máximas do solo equivalentes a 0,04 g na Cidade do Panamá e 0,06 g em David.

Esses valores representam medições físicas do movimento do terreno, não a magnitude do terremoto.

O que fazer enquanto os tremores continuam?

O principal desafio agora é transformar o conhecimento científico em prevenção.

A Organização Pan-Americana da Saúde destacou os impactos do terremoto sobre moradias, infraestrutura e serviços essenciais, reforçando a importância da resposta coordenada às emergências.

Especialistas recomendam verificar a existência de rachaduras estruturais, evitar edifícios danificados e manter um plano familiar de emergência.

Durante um tremor, a orientação geral para quem está dentro de uma construção é abaixar-se, proteger a cabeça e o pescoço e segurar-se em uma estrutura resistente, afastando-se de janelas e objetos que possam cair.

A situação também evidencia a necessidade de ampliar o monitoramento geológico. Segundo a Senacyt, o Panamá conta com aproximadamente 15 pesquisadores e técnicos envolvidos em áreas relacionadas à sismologia e à engenharia sísmica.

Para Luis Pinzón, compreender as falhas geológicas, melhorar os instrumentos de medição e fortalecer as construções são medidas essenciais para reduzir os danos de futuros terremotos.

A conclusão dos especialistas é clara: a continuidade dos tremores não representa, por si só, um sinal de catástrofe iminente. Entretanto, também não deve ser ignorada.

O Panamá continuará sujeito à atividade sísmica, e a melhor proteção não depende de prever o próximo terremoto, mas de estar preparado quando ele acontecer.

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