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Tecnologia

Por que alguns prédios impedem a instalação de ar-condicionado? Descubra os motivos ocultos

Nos dias mais quentes, o ar-condicionado se torna um item essencial para garantir conforto dentro de casa. No entanto, muitos condomínios ainda proíbem sua instalação, gerando questionamentos e insatisfação entre os moradores. Por que isso acontece? Especialistas explicam as principais razões por trás dessa restrição e o que pode ser feito para resolver a situação.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Restrições comuns em prédios mais antigos

A proibição da instalação de ar-condicionado costuma ser mais comum em prédios antigos. Isso ocorre porque essas construções geralmente possuem instalações elétricas ultrapassadas, que podem não suportar o alto consumo de energia desses aparelhos.

Willian dos Santos, administrador e membro da Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Paraná, explica que é necessário contratar um engenheiro elétrico para avaliar a capacidade do transformador da rua e verificar se o prédio pode ser adaptado para receber a nova carga elétrica.

Como medida de segurança, qualquer ar-condicionado precisa estar conectado a uma tomada de 20 A, que foi projetada para suportar equipamentos de alta demanda elétrica. Caso essa adequação não seja realizada corretamente, há riscos sérios de superaquecimento e até mesmo de incêndios.

Além disso, existe uma Norma Brasileira Regulamentadora (NBR) que exige a apresentação de uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para a instalação desses equipamentos. O síndico do prédio tem a responsabilidade civil e criminal de garantir que as normas sejam cumpridas, o que justifica a rigidez das regras.

Impacto na fachada do prédio

Outro motivo relevante para a proibição está relacionado à fachada do edifício. Muitos condomínios têm regras estritas sobre alterações externas, e a instalação de um ar-condicionado split exige a colocação da unidade condensadora do lado de fora do apartamento.

Em prédios modernos, esse problema é resolvido com espaços pré-determinados para os aparelhos, mantendo um padrão visual. No entanto, em edifícios antigos, não há essa previsão, tornando a instalação complicada ou impossível sem comprometer a estética do local.

A manutenção de uma fachada uniforme é uma regra comum em condomínios de todo o país, evitando impactos negativos na valorização dos imóveis.

Nem todos os prédios suportam adaptações

Ainda que alguns edifícios permitam reformas para adequar a parte elétrica e possibilitar a instalação de ar-condicionado, isso nem sempre é viável. Um exemplo citado por Santos são os prédios do programa “Minha Casa, Minha Vida”, que foram projetados sem estrutura para suportar esses equipamentos. Nesses casos, a substituição da instalação elétrica do prédio inteiro seria necessária, o que pode ser inviável financeiramente.

Atualmente, novas edições do programa já preveem instalação elétrica adequada para pelo menos um aparelho de ar-condicionado por unidade, evitando transtornos para os moradores.

É possível adaptar o apartamento?

Quando permitido pelo condomínio, o morador pode realizar uma adaptação em seu apartamento para viabilizar a instalação do ar-condicionado. Isso envolve uma reforma significativa, que geralmente inclui a substituição do chuveiro elétrico por um modelo com aquecimento a gás, aliviando a carga elétrica do sistema.

Celia Haas, moradora de Curitiba, compartilhou sua experiência ao passar por esse processo. Após consultar um engenheiro, obteve a aprovação do síndico para dar início à obra. A reforma incluiu a troca completa da instalação elétrica e do encanamento, além da compra e instalação de um aquecedor a gás. No total, o custo do projeto ficou em torno de R$ 25 mil em 2021.

Apesar do alto investimento, Celia considera que a adaptação valeu a pena, mas destaca que se trata de um processo burocrático e dispendioso, que pode não ser viável para todos os moradores.

Como proceder se o prédio proíbe a instalação?

Para aqueles que moram em condomínios onde o uso de ar-condicionado é proibido, a solução pode estar no diálogo com a administração do prédio. Reunir um grupo de moradores interessados na instalação pode ser um bom começo para pleitear a contratação de um engenheiro e avaliar possíveis melhorias na infraestrutura.

Caso a proibição esteja relacionada à fachada do edifício, a negociação pode envolver alternativas que mantenham a estética do prédio. Em alguns condomínios, já foram criadas soluções como a padronização da posição das condensadoras ou a inclusão de espaços específicos para esses equipamentos.

Para evitar dores de cabeça, é recomendável verificar as normas do condomínio antes de comprar ou alugar um imóvel. Dessa forma, o morador pode tomar uma decisão mais consciente sobre a viabilidade da instalação do ar-condicionado no local.

[Fonte: Canaltech]

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