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Ciência

Agosto terá uma semana tão extraordinária no céu que será difícil decidir para onde olhar primeiro

O calendário astronômico de agosto de 2026 reserva uma combinação incomum de fenômenos, com algumas das melhores oportunidades do ano para quem gosta de observar o céu.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quem costuma olhar para o céu terá bons motivos para reservar algumas noites de agosto de 2026. O mês reunirá fenômenos capazes de atrair desde astrônomos experientes até pessoas que nunca tocaram em um telescópio. E existe uma coincidência particularmente interessante: alguns dos acontecimentos mais aguardados ocorrerão praticamente ao mesmo tempo, criando uma sequência astronômica que dificilmente passará despercebida.

Uma das melhores chuvas de meteoros do ano terá condições quase perfeitas

Agosto terá uma semana tão extraordinária no céu que será difícil decidir para onde olhar primeiro
© Pexels

As Perseidas retornam todos os anos e estão entre as chuvas de meteoros mais populares do calendário astronômico, ao lado das Geminídeas, observadas em dezembro, e das Quadrântidas, que costumam atingir seu máximo em janeiro.

O fenômeno acontece porque a Terra atravessa uma região do espaço repleta de partículas deixadas pelo cometa 109P/Swift-Tuttle. Quando esses pequenos fragmentos entram na atmosfera terrestre em altíssima velocidade, aquecem e produzem os riscos luminosos popularmente chamados de estrelas cadentes.

Em 2026, o melhor momento para acompanhar as Perseidas será durante a noite de 12 de agosto e a madrugada do dia 13.

Existe ainda uma vantagem especial neste ano: o pico ocorrerá próximo da Lua nova. Com menos iluminação lunar interferindo na observação, locais afastados das luzes urbanas poderão oferecer um céu muito mais escuro.

Os meteoros parecem partir da região da constelação de Perseu, que dá nome à chuva, embora possam surgir em praticamente qualquer ponto do céu.

Mas as Perseidas dividirão a atenção com um acontecimento muito mais raro.

O dia 12 de agosto terá um espetáculo que não acontece há gerações em alguns lugares

Um eclipse total do Sol será o grande protagonista do calendário astronômico de agosto.

A faixa de totalidade atravessará regiões do Ártico e da Europa, incluindo Groenlândia, Islândia e Espanha. Em áreas próximas, o fenômeno poderá ser acompanhado de forma parcial.

A Espanha terá um papel especialmente importante. O país não observa um eclipse solar total visível de seu território continental há mais de um século, e diversas regiões estarão dentro da trajetória da sombra da Lua.

Há ainda um elemento capaz de tornar o espetáculo particularmente fotogênico.

A totalidade acontecerá perto do pôr do sol em partes da trajetória europeia. Isso significa que o Sol estará relativamente baixo no horizonte quando desaparecer completamente atrás da Lua, criando uma combinação incomum entre eclipse e paisagem.

Para observar diretamente qualquer fase parcial do eclipse será indispensável utilizar proteção ocular apropriada para observação solar. Óculos de sol comuns não oferecem proteção suficiente.

Quem estiver longe da trajetória poderá acompanhar transmissões preparadas por instituições científicas e agências espaciais.

E o mais curioso é que esse mesmo dia ainda terá outro fenômeno reservado para algumas horas antes.

Seis planetas aparecerão espalhados pelo céu antes do amanhecer

Na madrugada de 12 de agosto, vários planetas estarão distribuídos ao longo da eclíptica, criando aquilo que popularmente costuma ser chamado de alinhamento ou desfile planetário.

Júpiter, Mercúrio, Marte, Urano, Saturno e Netuno estarão posicionados ao longo dessa faixa imaginária do céu.

Isso não significa que os seis planetas formarão uma linha perfeitamente reta no espaço. Trata-se de um efeito de perspectiva provocado pela maneira como observamos os mundos do Sistema Solar a partir da Terra.

Também não será tão simples quanto sair de casa e encontrar todos imediatamente.

Alguns estarão relativamente próximos do horizonte e as condições de visibilidade dependerão da localização do observador e do horário. Urano e Netuno, muito menos brilhantes, exigirão equipamentos ópticos adequados para uma observação satisfatória.

Ainda assim, a proximidade temporal entre esse encontro planetário, as Perseidas e o eclipse transforma a metade de agosto em um período especialmente movimentado para os amantes da astronomia.

E o mês ainda não terá terminado.

A Lua encerrará agosto com outro grande fenômeno

No dia 27 de agosto, será a vez de um eclipse lunar parcial assumir o protagonismo.

Durante o evento, uma grande parte do disco lunar atravessará a sombra projetada pela Terra. No momento máximo, aproximadamente 96% da Lua ficará dentro da região mais escura da sombra terrestre, tornando o fenômeno muito próximo visualmente de um eclipse total.

Uma das vantagens dos eclipses lunares é sua enorme área de visibilidade. Diferentemente dos eclipses solares totais, que podem ser observados apenas dentro de uma faixa relativamente estreita, os lunares são visíveis simultaneamente em extensas regiões onde a Lua está acima do horizonte.

O eclipse de agosto poderá ser acompanhado em grande parte das Américas, incluindo regiões desde o Canadá até a Argentina.

Também não será necessário utilizar filtros ou óculos especiais. Observar um eclipse lunar a olho nu é seguro.

Um local com pouca poluição luminosa e boa visibilidade do céu poderá melhorar bastante a experiência.

Com chuva de meteoros, eclipse solar, vários planetas dividindo o céu e um eclipse lunar fechando o calendário, agosto de 2026 será um daqueles meses em que olhar para cima poderá valer muito mais do que parece.

[Fonte: Wired]

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