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Por que estão soltando milhares de mosquitos por drones no Havaí? A resposta surpreende

No céu havaiano, drones liberam cápsulas cheias de mosquitos. O que parece uma ameaça, na verdade, é uma missão para salvar aves à beira da extinção. Entenda como a biotecnologia está sendo usada de forma inovadora para combater uma doença mortal — e o que isso pode significar para o futuro da conservação.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O Havaí enfrenta uma crise ecológica que ameaça eliminar parte de sua biodiversidade única. Aves nativas, já severamente reduzidas, agora enfrentam um novo perigo que chega cada vez mais alto pelas montanhas: a malária aviária. Para combatê-la, cientistas estão apostando em uma abordagem inusitada — o uso de mosquitos lançados por drones. Mas não se trata de qualquer mosquito.

Uma ameaça invisível que sobe as montanhas

A malária aviária é transmitida por mosquitos e vem devastando populações de aves endêmicas do Havaí, como o kiwikiu e o ʻakekeʻe. Essas aves, que evoluíram sem contato com mosquitos, não possuem defesas naturais contra a doença.
Esses insetos chegaram às ilhas em 1826, provavelmente por meio de navios baleeiros. Até recentemente, as aves sobreviviam apenas em áreas montanhosas, onde as temperaturas impediam a proliferação dos mosquitos. Mas com o aquecimento global, essa barreira natural está sendo quebrada — e as aves estão ficando sem escapatória.

A solução: mosquitos contra mosquitos

Ao invés de recorrer a pesticidas, que poderiam afetar o ecossistema local, cientistas adotaram uma estratégia conhecida como Técnica do Inseto Incompatível (IIT). Ela consiste em liberar mosquitos machos (que não picam) infectados com a bactéria Wolbachia. Quando cruzam com fêmeas selvagens, os ovos gerados não se desenvolvem.
Esses mosquitos são criados em larga escala em laboratórios na Califórnia. Inicialmente, eram liberados por helicópteros. Desde junho de 2025, drones passaram a ser utilizados — o que diminui custos, poluição e permite operar em condições climáticas mais adversas.

Mosquitos Por Drones No Havaí1
© Huk! News – YouTube

Meia milhão de mosquitos por semana

Atualmente, cerca de 500 mil mosquitos são soltos semanalmente em cada uma das ilhas afetadas, como Maui e Kauai. O objetivo é reduzir drasticamente a população de mosquitos transmissores da malária aviária, dando às aves tempo para se recuperar.
Os primeiros resultados são esperados para o próximo ano — e há grande expectativa em torno do potencial da estratégia.

Um modelo para o mundo todo?

No Havaí, os mosquitos são uma espécie invasora e não têm papel ecológico relevante. Por isso, sua redução não traz riscos ao equilíbrio local. Porém, especialistas alertam que o uso da mesma técnica em regiões onde os mosquitos são nativos deve ser avaliado com cautela.
Esse é o primeiro uso da técnica IIT com fins de conservação no mundo, e pode abrir portas para novas alianças entre ecologia e biotecnologia na luta contra a perda de biodiversidade.

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