Durante anos, fomos nós que tivemos de aprender a lidar com a tecnologia: descobrir qual aplicativo abrir, onde estava determinada configuração e até qual botão fazia aquilo que queríamos. A inteligência artificial começa a inverter essa relação. Em vez de obrigar pessoas a entender cada dispositivo separadamente, a próxima aposta das fabricantes é fazer com que os próprios aparelhos compreendam hábitos, contexto e necessidades. E essa transformação já começa a sair da tela do smartphone.
A inteligência artificial só se torna interessante quando deixa de parecer complicada
As demonstrações mais impressionantes de IA costumam envolver vídeos futuristas, assistentes conversando como humanos ou ferramentas capazes de gerar imagens em segundos.

Mas a utilidade cotidiana pode aparecer de maneira muito menos espetacular.
Traduzir uma conversa, resumir informações, melhorar uma fotografia ou interpretar dados sobre o sono são exemplos de tarefas nas quais a inteligência artificial começa a funcionar como uma camada adicional do dispositivo, em vez de um recurso separado que precisa ser procurado.
Uma pesquisa realizada pela Samsung com 572 pessoas no Chile mostrou essa percepção. Segundo a empresa, 87% dos entrevistados consideram que a IA ajuda a utilizar a tecnologia de maneira mais eficiente, especialmente no smartphone.
O celular é justamente a principal porta de entrada para essa transformação.
Com o Galaxy AI, a Samsung reúne funções destinadas a pesquisa, comunicação, compreensão de conteúdo e criação. Mas existe um problema evidente nessa estratégia: ninguém passa o dia inteiro olhando apenas para o telefone.
É aí que aparece uma mudança maior.
O próximo passo é fazer diferentes aparelhos entenderem o mesmo contexto

A estratégia recebe o nome de AI Living.
A proposta é expandir a inteligência artificial para diferentes momentos da rotina, criando um ecossistema no qual dispositivos deixam de funcionar como ilhas independentes.
Um relógio inteligente, por exemplo, pode registrar informações sobre atividade física e sono. Dentro do ecossistema da Samsung, Galaxy Watch e Samsung Health transformam esses dados em informações e recomendações relacionadas ao bem-estar.
Em casa, o SmartThings conecta equipamentos compatíveis e permite automatizar determinadas rotinas. Já o SmartThings Energy acrescenta ferramentas destinadas ao acompanhamento e gerenciamento do consumo energético.
Até a televisão entra nessa lógica.
Sistemas de inteligência artificial podem analisar aquilo que está sendo exibido para ajustar automaticamente características de imagem e áudio.
Separadamente, nenhuma dessas funções representa necessariamente uma revolução. A diferença aparece quando os dispositivos começam a trabalhar em conjunto.
Segundo a Samsung, a comunidade do SmartThings já ultrapassa 430 milhões de usuários.
É uma escala que mostra como a disputa pela inteligência artificial pode estar mudando. O objetivo deixa de ser apenas oferecer o melhor assistente dentro de uma tela e passa a envolver todo um ecossistema de aparelhos conectados.
Mas quanto mais esses dispositivos sabem sobre nossa rotina, maior fica outra preocupação.
Para conhecer seus hábitos, a tecnologia precisa receber informações sobre você
Existe uma contradição inevitável nessa nova geração de dispositivos inteligentes.
Para que um sistema consiga antecipar necessidades, ele precisa compreender contexto.
E contexto significa dados.
Horários, padrões de sono, dispositivos utilizados, automações domésticas e diferentes preferências podem ajudar a construir experiências mais personalizadas. Ao mesmo tempo, tornam segurança e privacidade elementos centrais dessa transformação.
A Samsung destaca o Knox como parte dessa estrutura. A plataforma reúne diferentes mecanismos de proteção destinados a dispositivos e dados dentro do ecossistema da companhia.
A questão será cada vez mais importante à medida que a inteligência artificial deixar de existir somente dentro de aplicativos específicos.
Um chatbot utilizado ocasionalmente conhece aquilo que o usuário decide contar durante uma conversa. Um ecossistema inteligente integrado à rotina pode trabalhar com um conjunto muito maior de informações.
Por isso, conveniência e proteção terão de evoluir juntas.
A tecnologia pode ficar muito mais útil quando entende o contexto, mas também precisa deixar claro como essas informações são protegidas e utilizadas.
O futuro pode ter menos botões, aplicativos e comandos

Talvez a mudança mais interessante dessa visão esteja justamente naquilo que pode desaparecer.
Durante décadas, evolução tecnológica significou aprender novas interfaces.
Passamos dos botões físicos aos menus digitais, dos computadores aos smartphones e depois para aplicativos capazes de realizar praticamente qualquer tarefa.
A inteligência artificial promete reduzir parte dessa complexidade.
Imagine chegar em casa e não precisar configurar manualmente diferentes aparelhos porque o sistema já conhece algumas preferências. Ou consultar informações de saúde sem analisar dezenas de gráficos porque a IA consegue destacar aquilo que merece atenção.
Essa é a lógica por trás da ideia de uma tecnologia quase invisível.
Em vez de exigir que o usuário descubra como cada equipamento funciona, os próprios dispositivos começam a adaptar seu comportamento ao contexto.
Isso não significa que a tecnologia realmente “conheça” uma pessoa da mesma maneira que outro ser humano. Sistemas de IA identificam padrões a partir dos dados disponíveis e utilizam essas informações para gerar respostas ou automatizar determinadas ações.
Ainda assim, para quem utiliza os aparelhos, a sensação pode ser bastante diferente.
Durante muito tempo, nós aprendemos como falar com as máquinas.
A próxima etapa da tecnologia parece querer inverter essa lógica: fazer com que sejam as máquinas que aprendam, pouco a pouco, como se adaptar a nós.
[Fonte: Samsung]