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Tecnologia

Portugal e Escócia serão palco do maior teste para uma tecnologia que promete revolucionar a energia renovável

Uma inovação desenvolvida na Europa acaba de superar um teste que durante décadas impediu a expansão da energia das ondas. Agora, o próximo passo pode definir o futuro dessa fonte renovável.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Enquanto a energia solar e a eólica se consolidaram como protagonistas da transição energética, outra fonte renovável permanece há décadas tentando conquistar espaço: a energia das ondas. Apesar do enorme potencial dos oceanos, transformar o movimento do mar em eletricidade sempre esbarrou em um obstáculo difícil de superar. Agora, uma nova tecnologia acaba de atingir um marco importante e pode representar o início de uma nova fase para esse setor.

O maior desafio nunca foi produzir energia, mas resistir ao oceano

Os mares armazenam uma quantidade gigantesca de energia renovável disponível praticamente o tempo todo. No entanto, capturar essa força exige instalar equipamentos em um dos ambientes mais hostis do planeta.

Além da corrosão causada pela água salgada, os dispositivos precisam enfrentar ondas que mudam constantemente de intensidade e direção, além de tempestades capazes de destruir estruturas inteiras em poucas horas. Foi justamente essa dificuldade que impediu que muitos projetos experimentais chegassem ao mercado.

Uma empresa sueca acredita ter dado um passo importante para mudar esse cenário. Seu conversor de energia das ondas recebeu a primeira certificação de protótipo concedida pela DNV, uma das mais respeitadas organizações internacionais de certificação para os setores marítimo e energético.

O equipamento foi instalado na costa de Aguçadoura, em Portugal, onde passou anos sendo testado em condições reais do oceano Atlântico. Durante esse período, enfrentou tempestades com ondas de até 18,5 metros de altura, demonstrando resistência estrutural e capacidade de operação em situações extremas.

A certificação não avalia apenas se a máquina consegue gerar eletricidade. Ela também analisa o projeto de engenharia, os processos de fabricação, a segurança, a confiabilidade, a manutenção e o comportamento do equipamento ao longo de diferentes cenários de operação.

Esse reconhecimento pode representar um ponto de virada para a indústria. Investidores, bancos e seguradoras costumam exigir esse tipo de validação técnica antes de financiar projetos de grande porte. Durante muitos anos, diversas tecnologias conseguiram produzir eletricidade em testes de laboratório, mas poucas provaram que poderiam sobreviver por longos períodos em alto-mar.

Outro diferencial do equipamento está em seu sistema de controle inteligente, inspirado no funcionamento do coração humano. A tecnologia ajusta automaticamente o comportamento da boia conforme as condições do oceano. Em dias de mar calmo, ela amplia seu movimento para capturar o máximo possível de energia. Quando uma tempestade se aproxima, reduz drasticamente sua oscilação para minimizar os esforços sobre a estrutura e aumentar sua resistência.

O verdadeiro teste começará quando dezenas de equipamentos forem instalados

Segundo a empresa responsável pelo projeto, esse sistema permite gerar até cinco vezes mais energia por tonelada de equipamento em comparação com soluções anteriores. No entanto, esse desempenho ainda precisará ser confirmado em operações comerciais de maior escala.

A certificação obtida representa apenas a validação de um protótipo. O próximo objetivo será conquistar a certificação de tipo, utilizada para equipamentos padronizados destinados à produção em série.

Para isso, a empresa já prepara novos projetos em Portugal e na Escócia. Na costa portuguesa, a intenção é instalar um parque com capacidade de aproximadamente 10 megawatts, suficiente para abastecer cerca de 7.500 residências, segundo as estimativas apresentadas pela companhia. Paralelamente, outro empreendimento está previsto para as Ilhas Órcades, na Escócia, com capacidade inicial de 5 megawatts.

As decisões finais de investimento para ambos os projetos estão previstas para 2027, enquanto a entrada em operação poderá ocorrer entre 2029 e 2030.

Apesar do avanço, especialistas lembram que a energia das ondas ainda enfrenta desafios importantes. Será necessário comprovar que os custos de fabricação, instalação e manutenção podem competir com outras fontes renováveis já consolidadas, como a energia solar e a eólica.

Experiências anteriores demonstraram que a tecnologia funciona em pequena escala, mas a grande questão continua sendo sua viabilidade econômica quando dezenas de equipamentos precisarem operar simultaneamente durante muitos anos.

A resposta para o título está justamente nesse próximo passo. A energia das ondas pode finalmente sair do papel porque uma das maiores barreiras técnicas — sobreviver às condições extremas do oceano — começa a ser superada. Agora, resta demonstrar que essa tecnologia também consegue produzir eletricidade de forma competitiva, confiável e em larga escala.

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