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Portugal pede ajuda urgente à União Europeia para conter incêndios “extremamente violentos”

Com mais de 160 focos ativos e milhares de bombeiros em campo, Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e solicitou aviões Canadair. As chamas, que já obrigaram à criação de zonas de apoio para a população, colocam o país em estado de emergência climática e operacional.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Portugal enfrenta uma das piores ondas de incêndios dos últimos anos. O avanço rápido das chamas obrigou o governo a acionar o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e pedir apoio internacional. Enquanto a União Europeia prepara o envio de meios aéreos, bombeiros e autoridades locais tentam conter dezenas de fogos classificados como “extremamente violentos”.

Pedido de ajuda internacional

O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre. Segundo ele, a decisão foi tomada depois de uma madrugada em que os incêndios não deram trégua.

“Esta foi a decisão devido à dificuldade em dominar os fogos em curso”, explicou. Pouco tempo depois, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, confirmou pelo X (antigo Twitter) que a solidariedade europeia estava em marcha: “A solidariedade europeia não conhece fronteiras”, escreveu.

Além de Bruxelas, Lisboa pediu apoio a Espanha e Marrocos com base em acordos bilaterais. Mas Madrid, que também enfrenta grandes incêndios, não pôde oferecer reforços imediatos.

O cenário crítico no terreno

Até o início da tarde de sexta-feira, havia 168 incêndios ativos em Portugal continental. Mais de 5.000 operacionais estavam mobilizados, com 1.500 veículos e 31 meios aéreos.

O fogo em Lousã, iniciado na quinta-feira, já reunia mais de 300 bombeiros e quase 100 veículos, mas o maior esforço concentrou-se em Arganil (distrito de Coimbra), com mais de mil combatentes, 340 viaturas e quatro aeronaves.

Em Sátão e Trancoso, que as autoridades tratam como um único incêndio, foram destacados dez meios aéreos entre helicópteros e aviões. O objetivo é tentar travar a frente de fogo antes que atinja zonas residenciais.

População em risco e abrigos de emergência

O avanço das chamas obrigou à criação de sete zonas de apoio à população em diferentes localidades. Esses espaços, montados com apoio da Cruz Vermelha e das autarquias, oferecem alimentação, alojamento e condições mínimas de conforto às pessoas evacuadas.

“São locais preparados para que quem precise sair de casa possa descansar, pernoitar e manter a vida o mais normal possível”, afirmou Silvestre.

O comandante reforçou que o trabalho prioritário é proteger vidas e bens, pedindo à população que não se coloque em risco e evite aproximar-se das áreas de floresta. “Os incêndios são extremamente violentos”, alertou.

A difícil madrugada

As autoridades esperavam que a descida das temperaturas durante a noite ajudasse a conter os fogos. Mas a manhã de sexta-feira trouxe uma realidade diferente: condições meteorológicas desfavoráveis, ventos fortes e propagação rápida das chamas.

“O que esperávamos era que alguns incêndios se extinguissem durante a noite e que a situação fosse melhor ao amanhecer. Infelizmente, não foi isso que aconteceu”, disse Silvestre.

União Europeia em alerta

O acionamento do Mecanismo Europeu de Proteção Civil significa que os Estados-membros podem disponibilizar rapidamente meios aéreos e equipas especializadas. Até o fim da tarde, aguardava-se a confirmação do envio de quatro aviões Canadair, fundamentais para combater incêndios em zonas de difícil acesso.

A resposta europeia, aliada à mobilização nacional, será decisiva para as próximas horas, já que as previsões meteorológicas apontam para calor intenso e vento irregular — condições que favorecem novos focos e reacendimentos.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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