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Incêndios devastam Grécia, Espanha e Portugal e obrigam milhares a deixar suas casas

Uma onda de incêndios florestais atinge o sul da Europa sob temperaturas recordes. Milhares foram evacuados na Grécia, Espanha e Portugal, onde as chamas já destruíram dezenas de milhares de hectares e deixaram mortos e feridos. A União Europeia intensifica a ajuda diante do agravamento da crise.
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O verão mediterrâneo de 2025 entra para a história como um dos mais devastadores em termos de incêndios florestais. Temperaturas extremas, ventos fortes e falta de recursos transformaram áreas inteiras da Grécia, Espanha e Portugal em cenários de destruição. As autoridades ordenaram evacuações em massa, enquanto a União Europeia corre para enviar reforços.

Grécia em estado de alerta máximo

Na cidade portuária de Patras, bombeiros lutam para proteger casas e fazendas cercadas pelas chamas que já consumiram pinhais e olivais. Dois jovens suspeitos de provocar incêndios no distrito de Syhena foram detidos, enquanto ao menos 15 bombeiros precisaram de atendimento por queimaduras, inalação de fumaça ou exaustão.

Fortes ventos espalharam o fogo, atingindo moradias, comércios e até dois mosteiros. Aeronaves de combate ao fogo precisaram se dividir entre frentes em Patras, na ilha de Zante e no oeste do país. A gravidade da situação levou a Grécia a enviar reforços até para a Albânia, que também enfrenta dezenas de focos. Ao sul de Tirana, um idoso morreu em meio ao avanço das chamas.

Espanha vive temporada de recordes

Na Espanha, mais de 8.000 pessoas foram retiradas de cerca de 30 localidades do oeste ibérico. O incêndio de Uña de Quintanta (Zamora) já é considerado o mais destrutivo do século, com quase 38.000 hectares consumidos. Pelo menos três pessoas morreram, duas delas voluntários que tentaram conter o fogo sem apoio suficiente de equipamentos e equipes.

Outro foco grave em León destruiu áreas próximas a Las Médulas, sítio arqueológico romano classificado como Patrimônio Mundial pela Unesco. Até agora, são 12 feridos confirmados e a morte de um homem de 37 anos.

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, já são 106.000 hectares queimados em apenas 14 dias, tornando agosto de 2025 o segundo pior mês de incêndios do século no país — atrás apenas de julho de 2022.

Portugal reforça brigadas contra o fogo

Em Portugal, a situação também é crítica. Mais de 900 bombeiros combatem chamas intensas em Arganil, próximo a Coimbra, em condições descritas como “muito desfavoráveis”. Outros três grandes incêndios avançam em Sátão, Cinfães e Trancoso, obrigando deslocamentos de moradores e mobilização total de brigadas.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa classificou o cenário como “especialmente preocupante”, alertando para risco de agravamento. O primeiro-ministro Luís Montenegro, apesar da pressão, afirmou que por enquanto não acionará ajuda internacional, mas admitiu que poderá fazê-lo “quando as circunstâncias técnicas e operacionais exigirem”.

União Europeia acelera apoio

A crise levou a Comissão Europeia a intensificar os mecanismos de ajuda, incluindo o envio de equipes a países não membros. A presidente Ursula von der Leyen afirmou que recursos estão sendo direcionados com urgência para os incêndios na Grécia e destacou que bombeiros europeus já atuam em solo espanhol.

Segundo dados de Bruxelas, só nesta semana os pedidos de ajuda internacional para combater incêndios florestais igualaram o total de solicitações de todo o ano de 2024, mostrando a dimensão da catástrofe.

Uma emergência climática regional

Os incêndios que assolam o Mediterrâneo são consequência direta da combinação de calor extremo, secas prolongadas e ventos fortes, fenômenos que vêm se intensificando com as mudanças climáticas. Para além da destruição ambiental, o impacto humano é profundo: casas, fazendas, sítios históricos e vidas estão sendo perdidos em ritmo alarmante.

Enquanto milhares de deslocados aguardam retorno seguro, governos enfrentam o desafio imediato de conter as chamas e o de longo prazo: adaptar políticas de prevenção a um cenário em que verões extremos parecem ter vindo para ficar.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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