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Petróleo dispara após nova escalada entre Estados Unidos e Irã e incerteza sobre Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo subiram mais de 2% nesta segunda-feira após novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã. A escalada aumenta as dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes do início da guerra.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta segunda-feira após uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.

Durante a madrugada, forças americanas atacaram duas plataformas de lançamento na ilha iraniana de Larak, localizada no Estreito de Ormuz. Teerã respondeu com ataques contra duas bases aéreas dos Estados Unidos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.

A nova escalada acontece quando o conflito entre os dois países entra em seu sexto mês. Ao mesmo tempo, as negociações para reabrir completamente o Estreito de Ormuz permanecem paralisadas.

O mercado reagiu rapidamente.

Os contratos futuros do petróleo Brent avançaram US$ 2,21, ou 2,51%, chegando a US$ 90,31 por barril às 04h36 GMT.

Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu US$ 1,83, ou 2,19%, para US$ 85,23 por barril.

Estreito de Ormuz volta ao centro das preocupações

Trump promete transformar o estreito de Ormuz em território dos EUA e eleva tensão com o Irã em meio a guerra, ataques a petroleiros e nova ofensiva econômica de Washington
© Por Photographer’s Mate 3rd Class Jordon R. Beesley – Commons Wikimedia

A troca de ataques voltou a colocar os holofotes sobre uma das rotas marítimas mais importantes para o mercado mundial de energia.

Antes do início da guerra, no final de fevereiro, aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passava pelo Estreito de Ormuz.

Qualquer interrupção prolongada nessa passagem pode limitar a oferta global e pressionar os preços do petróleo.

As negociações para encerrar o conflito continuam estagnadas enquanto mediadores tentam encontrar uma solução que permita a reabertura da rota.

Suvro Sarkar, chefe de pesquisa energética do DBS, considera mais provável um cenário de confrontos limitados do que uma escalada militar contínua.

Segundo ele, porém, cada novo episódio de violência aumenta a incerteza sobre quando Ormuz poderá voltar a operar normalmente.

Petróleo pode permanecer entre US$ 85 e US$ 95

As perspectivas de retomada das negociações entre Washington e Teerã também pioraram.

Sarkar afirmou que anteriormente esperava uma retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã até o final do terceiro trimestre.

Agora, esse cenário parece menos provável.

Diante dessa incerteza, o analista estima que os preços do petróleo poderão permanecer na faixa entre US$ 85 e US$ 95 por barril enquanto não houver uma definição sobre o Estreito de Ormuz.

O transporte marítimo já mostra sinais claros de cautela.

Dados do fim de semana indicaram que apenas cinco embarcações comerciais visíveis por dia atravessaram a região.

A redução reflete o receio das companhias diante da possibilidade de novos ataques.

Além disso, o Serviço de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido informou no domingo que um navio-tanque foi atingido por um projétil enquanto atravessava o estreito no sábado.

Estados Unidos preparam novas sanções contra o Irã

A trégua durou poucos dias: novos bombardeios no Estreito de Ormuz reacendem o temor de uma guerra ainda maior
© YouTube

A pressão militar também está sendo acompanhada por novas medidas econômicas.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou à Reuters que Washington provavelmente aplicará novas sanções secundárias contra o Irã todas as semanas.

O objetivo seria aumentar progressivamente a pressão econômica sobre Teerã.

Donald Trump também anunciou uma medida relacionada às reservas americanas de petróleo.

Segundo o presidente, o petróleo proveniente de um acordo recentemente fechado com a Venezuela será utilizado para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos.

Atualmente, os estoques estratégicos americanos estão próximos de um dos níveis mais baixos registrados nos últimos 44 anos.

Petróleo vinha de uma semana de forte queda

A alta desta segunda-feira acontece depois de uma semana negativa para as principais referências internacionais do petróleo.

Tanto o Brent quanto o WTI caminham para encerrar agosto com pequenas perdas.

Na semana passada, os preços recuaram mais de 4%, interrompendo uma sequência de três semanas consecutivas de valorização.

A nova tensão no Oriente Médio, porém, voltou a aumentar o chamado prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações.

Bolsas asiáticas também sentiram a pressão

Bolsa
© Michael Nagle/Bloomberg

As consequências chegaram aos mercados financeiros asiáticos.

As principais bolsas da região operaram em queda, pressionadas não apenas pela escalada no Oriente Médio, mas também pelas expectativas em torno dos juros americanos.

Comentários do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, aumentaram as preocupações dos investidores sobre uma possível alta das taxas de juros nos Estados Unidos.

Durante um discurso no simpósio de bancos centrais e economistas de Jackson Hole, em Wyoming, Warsh demonstrou preocupação com a persistência da inflação.

Segundo ele, o Fed precisa de mais evidências de que a inflação subjacente está caminhando de forma consistente em direção à meta.

“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se aproximando de nossa meta, de maneira clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, teremos trabalho pela frente”, afirmou.

Inflação americana preocupa o Federal Reserve

Warsh classificou como “preocupante” a recente aceleração da inflação, atualmente em 3,7%.

O número permanece muito acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve.

O presidente do banco central americano também afirmou que seria “difícil” classificar as atuais condições financeiras como restritivas.

Apesar disso, evitou antecipar qual será a próxima decisão sobre os juros.

“Hoje estou aqui comprometido com uma disciplina, não com uma decisão”, declarou.

A combinação entre petróleo mais caro e possibilidade de juros mais altos aumentou a pressão sobre os mercados.

Os três principais índices de Wall Street fecharam em queda na sexta-feira. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de curto prazo subiram e o dólar ganhou força diante de outras moedas.

O ouro, por outro lado, registrou queda.

Com o conflito entre Estados Unidos e Irã ainda sem solução e o futuro do Estreito de Ormuz indefinido, o mercado de petróleo permanece especialmente vulnerável a qualquer nova escalada no Oriente Médio.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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