Dois anos, cinco, dez ou até vinte: existe uma diferença de idade capaz de aumentar as chances de um relacionamento durar? A pergunta aparece constantemente em conversas e redes sociais, quase sempre acompanhada de alguma suposta “regra”. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos encontrou uma tendência interessante ao analisar milhares de pessoas casadas. Os números parecem favorecer determinadas combinações, mas estão longe de funcionar como previsão para qualquer casal.
Quanto maior a diferença de idade, maior foi uma tendência observada no estudo
A pesquisa foi conduzida pelos economistas Andrew Francis-Tan e Hugo M. Mialon e analisou informações de mais de 3.000 pessoas que haviam sido casadas.
O objetivo principal era investigar a relação entre os gastos com o casamento e sua duração, mas os pesquisadores também consideraram diversas características dos casais, incluindo a diferença de idade.
Foi aí que apareceu um padrão.
Na amostra analisada, casais com idades mais próximas apresentaram, em média, maior estabilidade matrimonial. Conforme aumentava a distância entre as idades, também crescia o risco relativo de divórcio observado.
Quando a diferença era de aproximadamente cinco anos, o risco aparecia cerca de 18% maior em comparação com casais da mesma idade.
Com dez anos de diferença, o aumento relativo chegava a aproximadamente 39%.
E quando a distância alcançava cerca de 20 anos, o risco relativo observado era aproximadamente 95% superior.
Esse último número parece enorme, mas precisa ser interpretado corretamente.
Ele não significa que casais separados por 20 anos tenham 95% de probabilidade de se divorciar. O valor representa um aumento relativo em comparação com o grupo de referência usado pelos pesquisadores.
Foi assim que surgiu a famosa ideia de que “um ano é o ideal”
Entre os resultados que mais circularam posteriormente está o caso dos casais separados por aproximadamente um ano de idade.
Nesse grupo, o risco de divórcio era apenas ligeiramente superior ao registrado entre pessoas da mesma idade.
A partir daí, uma conclusão muito mais chamativa começou a se popularizar: a diferença “ideal” entre duas pessoas seria de apenas um ano.
Mas o estudo não estabelece essa regra.
Os pesquisadores encontraram uma associação estatística, não uma fórmula capaz de determinar quanto tempo um relacionamento vai durar.
Também não demonstraram que aumentar a diferença de idade seja, por si só, a causa direta de uma eventual separação.
Existem, porém, algumas hipóteses capazes de ajudar a compreender por que idades próximas podem aparecer associadas a maior estabilidade.
Pessoas da mesma geração frequentemente compartilham referências culturais e podem atravessar etapas importantes da vida em momentos semelhantes.
Carreira profissional, criação dos filhos, situação financeira, planos de longo prazo e aposentadoria são alguns exemplos.
Em um casal com grande diferença de idade, essas fases podem acontecer em momentos bastante diferentes.

A data de nascimento está longe de ser o único fator importante
Mesmo assim, relacionamentos envolvem variáveis muito mais complexas.
Comunicação, personalidade, dinheiro, expectativas, projetos em comum, filhos, família e planos para o futuro podem influenciar profundamente a dinâmica de um casal.
Além disso, o estudo é observacional.
Isso significa que os pesquisadores analisaram padrões existentes entre os participantes, mas não realizaram um experimento capaz de isolar a diferença de idade de todos os outros fatores.
Consequentemente, os resultados não permitem prever o futuro de uma relação específica.
Um casal com 15 ou 20 anos de diferença pode permanecer junto durante décadas. Da mesma maneira, duas pessoas que nasceram no mesmo ano não recebem nenhuma garantia estatística de felicidade ou estabilidade.
Então, quantos anos um casal “deveria” ter de diferença?
Na amostra analisada, casais com idades iguais ou próximas apresentaram menor risco relativo de divórcio, enquanto diferenças maiores apareceram associadas a riscos progressivamente mais elevados.
É daí que vem a ideia de que cerca de um ano seria uma diferença particularmente favorável. Mas transformar essa associação em uma recomendação universal vai além do que os dados permitem afirmar.
O que a pesquisa oferece é uma tendência populacional, não uma calculadora de compatibilidade.
No fim, a idade pode ser uma das muitas características relacionadas à estabilidade de um casamento. Mas saber o ano em que duas pessoas nasceram está muito longe de ser suficiente para descobrir quanto tempo elas permanecerão juntas.