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Ciência

Seu filho entra bem no carro e logo fica enjoado? O cérebro ajuda a explicar o que acontece

Náusea, suor frio e até vômitos podem surgir rapidamente durante uma viagem. Na infância, uma combinação de sinais contraditórios enviados ao cérebro ajuda a explicar o problema.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A viagem começa normalmente. A criança está tranquila no banco traseiro, talvez lendo, jogando no celular ou assistindo a alguma coisa no tablet. Pouco depois, aparecem palidez, suor frio e aquela frase que nenhum adulto quer ouvir no meio da estrada: “estou enjoado”. O problema é conhecido como cinetose e não acontece por acaso. Curiosamente, existe uma faixa da infância em que o corpo parece especialmente vulnerável a esse desconforto.

O cérebro recebe duas versões diferentes da mesma viagem

Para descobrir se estamos parados ou em movimento, o cérebro não depende de apenas um sentido.

Ele combina informações provenientes dos olhos, do ouvido interno, dos músculos e das articulações. Quando tudo coincide, interpretar o movimento é relativamente simples.

O problema aparece quando esses sistemas começam a contar histórias diferentes.

No ouvido interno está o sistema vestibular, responsável por detectar acelerações, curvas e mudanças na posição da cabeça. Os olhos fornecem outra referência visual, enquanto músculos e articulações ajudam o cérebro a compreender a posição e o movimento do corpo.

Imagine agora uma criança lendo um livro no banco traseiro.

Seus olhos estão concentrados em páginas que parecem praticamente imóveis. Para a visão, portanto, não há grandes sinais de deslocamento.

O ouvido interno, porém, percebe perfeitamente que o carro está acelerando, freando, subindo, descendo e fazendo curvas.

O cérebro precisa reconciliar essas informações contraditórias.

Esse conflito sensorial é uma das principais explicações para a cinetose e pode desencadear náusea, cansaço, suor frio, perda de apetite, tontura e vômitos.

Mas isso ainda não explica por que crianças parecem sofrer tanto com o problema.

Existe uma idade em que o enjoo se torna especialmente frequente

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a cinetose é particularmente comum entre crianças de aproximadamente 2 a 12 anos.

Curiosamente, bebês e crianças muito pequenas parecem ser menos afetados.

A razão exata para essa diferença ainda não foi completamente esclarecida.

Uma das hipóteses envolve o próprio desenvolvimento dos sistemas responsáveis por integrar visão, equilíbrio e percepção corporal. Durante a infância, essa integração atravessa diferentes etapas, o que poderia tornar algumas crianças mais sensíveis a informações sensoriais conflitantes.

Com o crescimento, muitas pessoas parecem se adaptar melhor.

Isso ajudaria a explicar por que o problema frequentemente diminui com a idade, embora não desapareça para todos. Adolescentes e adultos também podem sofrer bastante com viagens de carro, barco ou avião.

Há ainda um detalhe capaz de piorar consideravelmente a situação: para onde a criança está olhando.

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© Magnific

Celular, tablet e livros podem transformar uma viagem tranquila

Fixar os olhos em algo dentro do veículo tende a aumentar a diferença entre aquilo que a visão percebe e o movimento registrado pelo ouvido interno.

Por isso, ler, jogar no celular ou assistir a um vídeo no tablet pode favorecer o enjoo em crianças suscetíveis.

Olhar para fora pode produzir o efeito contrário.

Observar objetos distantes ou o horizonte oferece aos olhos referências visuais compatíveis com o deslocamento que o ouvido interno já está detectando.

Também pode ajudar a manter a cabeça relativamente imóvel, permitir a circulação de ar fresco e evitar refeições muito grandes ou pesadas antes da viagem.

Se a criança começar a passar mal, uma pausa pode ser útil.

A Mayo Clinic recomenda, quando possível, interromper o trajeto para que a criança saia do carro, caminhe um pouco ou descanse com os olhos fechados. Um pano fresco sobre a testa também pode ajudar a aliviar o desconforto.

O segredo está em fazer os sentidos “concordarem” novamente

Crianças entre aproximadamente 2 e 12 anos são especialmente suscetíveis ao enjoo de movimento, provavelmente porque o cérebro ainda está passando por etapas de desenvolvimento na integração das informações da visão, do ouvido interno e do restante do corpo.

Quando essas informações entram em conflito, a cinetose pode aparecer.

Medicamentos contra enjoo, incluindo alguns anti-histamínicos, são utilizados em determinadas situações. Porém, nem todos são apropriados para crianças, e o CDC recomenda que a escolha e a dose sejam discutidas com um profissional de saúde.

Para muitas famílias, medidas simples podem ser suficientes para tornar o trajeto mais confortável.

Às vezes, a diferença entre uma viagem tranquila e um banco traseiro tomado pelo enjoo pode começar com algo tão simples quanto guardar o tablet e pedir para a criança olhar pela janela.

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