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Ciência

Quase 4 bilhões de pessoas podem enfrentar calor extremo até 2050, alerta estudo da Universidade de Oxford

Um novo estudo publicado na revista Nature Sustainability projeta que cerca de 3,8 bilhões de pessoas estarão expostas a condições perigosas de calor nas próximas décadas. Países tropicais devem sentir o impacto mais severo, mas regiões tradicionalmente frias também precisarão se adaptar rapidamente a temperaturas inéditas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ondas de calor cada vez mais intensas já fazem parte do cotidiano em várias partes do planeta. Agora, cientistas alertam que esse cenário tende a se agravar de forma dramática. Pesquisadores da Universidade de Oxford estimam que quase metade da população mundial poderá enfrentar episódios de calor extremo até meados do século, pressionando sistemas de saúde, infraestrutura urbana e redes de energia em uma escala sem precedentes.

Um limiar climático que se aproxima rapidamente

Ola De Calor (2)
© Gildásio Filho – Unsplash

O trabalho, liderado por Jesús Lizana e publicado na Nature Sustainability, aponta que o mundo está prestes a atingir um aumento médio de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais — um marco considerado crítico pela comunidade científica. Segundo os autores, esse patamar pode ser alcançado muito antes do que muitos governos preveem.

Em um cenário de aquecimento global de 2 °C, a quantidade de pessoas expostas a condições de calor extremo quase dobraria, chegando a cerca de 3,79 bilhões até 2050. Para Lizana, a mensagem central é clara: a necessidade de adaptação é mais urgente do que se imaginava.

A exposição prolongada a temperaturas elevadas pode ultrapassar a capacidade natural do corpo de dissipar calor, provocando sintomas que vão de tontura e dores de cabeça até falência de órgãos e morte, especialmente entre idosos, crianças e populações com acesso limitado a cuidados médicos.

Países tropicais concentram os maiores riscos

As regiões do chamado cinturão tropical devem suportar a maior parte desse impacto. O estudo indica que países populosos como Brasil, Indonésia e Nigéria terão centenas de milhões de habitantes sujeitos a riscos inéditos associados ao calor.

Índia, Filipinas e Bangladesh também aparecem como áreas críticas, onde milhões de pessoas poderão enfrentar prejuízos significativos à saúde e à qualidade de vida. Em nações da África equatorial, como República Centro-Africana e Sudão do Sul, além de países do Sudeste Asiático como Laos, o número de dias com temperaturas perigosas deve crescer de forma expressiva.

Para Radhika Khosla, cientista climática urbana e coautora do estudo, os impactos não serão distribuídos de maneira igual. Segundo ela, as populações mais vulneráveis são as que pagarão o preço mais alto dessa tendência global de aquecimento, agravada pela falta de infraestrutura adequada.

Energia, desigualdade e o desafio da adaptação

Energia E Pib
© FreePik

Um dos pontos centrais do relatório é o aumento explosivo da demanda por sistemas de refrigeração em países em desenvolvimento. Grandes centros urbanos em rápido crescimento, muitas vezes sem acesso amplo a ar-condicionado ou soluções sustentáveis, estarão sob pressão.

Os pesquisadores defendem investimentos urgentes em infraestrutura de resfriamento sustentável e tecnologias de arrefecimento passivo, capazes de reduzir a temperatura interna de edifícios sem elevar drasticamente o consumo de energia. Sem essas medidas, alertam, comunidades inteiras podem enfrentar crises sanitárias recorrentes durante ondas de calor.

Ao mesmo tempo, o acesso desigual à tecnologia tende a aprofundar disparidades sociais. Enquanto grupos mais ricos conseguem se proteger com equipamentos de climatização, milhões permanecem expostos, ampliando as diferenças entre quem pode se adaptar e quem não pode.

Até países frios terão de mudar

O estudo ressalta que o problema não se limita aos trópicos. Nações tradicionalmente frias, como Canadá, Rússia e Finlândia, também enfrentarão novos desafios. Embora a redução dos dias extremamente frios possa gerar economias temporárias em aquecimento, os autores preveem que esses ganhos serão superados, em médio prazo, pelos custos crescentes de resfriamento.

Khosla adverte que países de renda alta vivem uma falsa sensação de segurança. Para Lizana, assumir que a riqueza garante proteção é um erro perigoso: muitas dessas sociedades estão mal preparadas para lidar com o calor intenso que se aproxima.

Os pesquisadores descrevem o calor extremo como um “assassino silencioso”. Diferentemente de desastres repentinos, suas vítimas muitas vezes sucumbem gradualmente, resultado da combinação entre altas temperaturas e fatores ambientais que desregulam o organismo. À medida que o aquecimento global intensifica a frequência das ondas de calor, esse risco tende a se consolidar como um dos maiores desafios de saúde pública do século.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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