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Tecnologia

Quase metade da geração Z e dos millennials sofre com burnout no trabalho

Longas jornadas, falta de reconhecimento e excesso de ferramentas digitais estão entre os principais fatores de estresse das gerações mais jovens.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O burnout continua sendo um dos grandes problemas enfrentados pela geração Z e pelos millennials no mercado de trabalho. Embora as empresas tenham ampliado políticas relacionadas à saúde mental, quase metade dos profissionais dessas gerações ainda relata níveis elevados de esgotamento.

Os dados fazem parte do Deloitte Global 2026 Gen Z and Millennial Survey, levantamento realizado com 22.595 pessoas de 44 países. A pesquisa mostra um cenário no qual bem-estar, estabilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganharam peso nas decisões de carreira.

Longas jornadas estão entre as principais fontes de estresse

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© Pexels

As condições de trabalho ajudam a explicar parte desse esgotamento. Entre os fatores apontados pelos jovens estão jornadas prolongadas, falta de reconhecimento, pouco tempo para concluir tarefas e a percepção de que determinadas decisões dentro das empresas não são justas.

O problema, portanto, não parece estar relacionado apenas à quantidade de trabalho. A forma como as tarefas são organizadas, o reconhecimento recebido e o controle que o profissional possui sobre suas responsabilidades também influenciam a experiência no ambiente profissional.

A relação entre essas condições e o estresse ocupacional não é uma preocupação recente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o burnout como um fenômeno ocupacional associado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente.

Ele pode envolver exaustão, maior distanciamento mental em relação ao emprego e redução da eficácia profissional.

A tecnologia também está provocando esgotamento

Ferramentas digitais deveriam tornar o trabalho mais eficiente. Na prática, porém, o excesso delas também pode se transformar em outra fonte de cansaço.

Segundo a Deloitte, 58% dos integrantes da geração Z e 54% dos millennials afirmam experimentar fadiga digital. Entre as causas estão notificações constantes, alternância entre diferentes ferramentas e necessidade de trabalhar com várias plataformas ao mesmo tempo.

E-mails, aplicativos de mensagens, videoconferências e sistemas de gerenciamento podem facilitar tarefas, mas também fragmentam a atenção quando não estão bem integrados.

O cenário ganha uma nova camada com a inteligência artificial. Cerca de 74% dos entrevistados das duas gerações disseram utilizar IA em suas atividades profissionais diárias. Ao mesmo tempo, aproximadamente um terço considera que sua organização ainda não está preparada para as mudanças provocadas pela tecnologia.

Saúde mental passou a pesar nas decisões de carreira

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© Pexels

O impacto do estresse também aparece quando esses profissionais pensam em assumir cargos de liderança.

De acordo com a pesquisa, 50% dos integrantes da geração Z e 49% dos millennials que enxergam obstáculos para chegar à liderança mencionam estresse e burnout. O excesso de responsabilidades também aparece entre as principais preocupações.

Isso não significa que essas gerações tenham desistido de crescer profissionalmente. Pelo contrário: 76% da geração Z e 67% dos millennials afirmam ter interesse em ocupar posições de liderança sênior em algum momento da carreira.

A diferença está na velocidade e nas condições dessa progressão. Apenas 25% da geração Z e 21% dos millennials preferem uma trajetória marcada por promoções rápidas. Uma parcela maior prefere avançar gradualmente e construir experiência antes de assumir responsabilidades maiores.

Empresas precisam ir além do discurso sobre bem-estar

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© Andrea Piacquadio – Pexels

Os números mostram que reconhecer a importância da saúde mental é apenas parte da solução. Mudanças na organização do trabalho também podem ser necessárias.

A própria OMS aponta fatores como pressão por tempo, falta de controle sobre as tarefas, jornadas prolongadas e pouco apoio como riscos associados ao estresse ocupacional.

Para as empresas, isso significa que programas de bem-estar podem ter alcance limitado quando os profissionais continuam enfrentando sobrecarga, excesso de ferramentas e falta de reconhecimento.

A pesquisa da Deloitte sugere que geração Z e millennials não estão abandonando suas ambições profissionais. Eles estão redefinindo as condições sob as quais consideram que vale a pena crescer na carreira.

 

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