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Ciência

Seu cérebro não percebe o tempo como um relógio: a ciência explica por que os anos parecem passar cada vez mais rápido — e como mudar essa sensação

A impressão de que o tempo está acelerando não é apenas uma sensação. Especialistas explicam que a maneira como o cérebro registra memórias, processa a rotina e direciona a atenção influencia diretamente nossa percepção da passagem dos dias. Pequenas mudanças de hábito podem tornar a vida mais presente e memorável.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quem nunca se perguntou como o ano passou tão depressa? Frases como “já estamos em julho?” ou “parece que foi ontem que começou o ano” fazem parte da rotina de muitas pessoas. Embora o tempo siga seu curso de forma objetiva, a maneira como o percebemos é profundamente subjetiva. Segundo especialistas do Instituto de Neurologia Cognitiva (INECO), na Argentina, essa sensação está diretamente ligada ao funcionamento do cérebro, à construção das memórias e ao quanto realmente prestamos atenção ao que vivemos.

O cérebro mede experiências, não minutos

Cérebro E Física Quântica
© Pixabay

Ao contrário de um relógio, o cérebro não registra a passagem do tempo de maneira linear. A sensação de que um período foi longo ou curto depende, principalmente, da quantidade e da qualidade das lembranças criadas durante esse intervalo.

Segundo o neurologista Guido Dorman, chefe do Departamento de Neurologia Cognitiva do INECO, nossa percepção temporal é moldada pelas experiências que conseguimos transformar em memórias duradouras.

Quando vivemos situações novas, o cérebro precisa dedicar mais atenção ao ambiente, processar informações diferentes e criar novas conexões neurais. Esse esforço gera registros mais ricos, fazendo com que, ao olhar para trás, aquele período pareça mais longo.

É por isso que viagens, mudanças de emprego, o nascimento de um filho ou qualquer acontecimento marcante costumam ocupar muito mais espaço na memória do que semanas inteiras marcadas apenas pela repetição da rotina.

A rotina faz os dias desaparecerem

Quando todos os dias são parecidos, o cérebro entra em um modo de economia de energia. Atividades repetitivas passam a ser executadas quase automaticamente, exigindo menos atenção consciente.

Como consequência, menos memórias distintas são armazenadas. Depois de algum tempo, essa sequência de dias semelhantes parece ter passado em um piscar de olhos.

Esse fenômeno ajuda a explicar por que a infância costuma parecer tão longa. Naquela fase da vida, quase tudo é novidade: pessoas, lugares, descobertas e aprendizados. Já na vida adulta, quando os padrões se repetem com frequência, o cérebro encontra menos motivos para registrar detalhes do cotidiano.

O piloto automático também acelera a percepção do tempo

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© Unsplash

Além da rotina, outro fator pesa bastante: viver constantemente no chamado “piloto automático”.

De acordo com a psicóloga Belén Tarallo, integrante do Departamento de Psicoterapia Cognitiva do INECO, muitas pessoas passam o dia inteiro focadas na próxima tarefa. Respondem mensagens enquanto trabalham, pensam na reunião seguinte durante o almoço ou já planejam o dia seguinte antes mesmo de encerrar o atual.

Quando a atenção permanece sempre voltada para o futuro, a experiência do presente deixa de ser registrada de forma completa.

Segundo a especialista, muitas pessoas acreditam que os meses simplesmente desapareceram. Na realidade, o cérebro apenas armazenou poucas experiências suficientemente significativas para formar lembranças claras. Quanto menos atenção damos ao cotidiano, menor ele parece quando olhamos para trás.

O estresse crônico e a sobrecarga de trabalho reforçam ainda mais esse processo. Em modo constante de resolução de problemas, o cérebro prioriza a eficiência em vez da construção consciente de memórias.

Sete hábitos que ajudam o cérebro a desacelerar

Os especialistas afirmam que não é possível fazer o tempo passar mais devagar. No entanto, é possível aumentar a sensação de presença e enriquecer a forma como o cérebro registra as experiências.

Algumas mudanças simples podem fazer diferença:

Faça uma tarefa de cada vez

Evitar a multitarefa melhora a atenção e favorece a formação de memórias mais consistentes.

Busque novidades durante a semana

Não é preciso fazer grandes viagens. Um restaurante diferente, um novo caminho para casa ou um hobby inédito já estimulam o cérebro.

Reduza as interrupções

Silenciar notificações por alguns momentos ajuda a manter o foco na experiência que está sendo vivida.

Cuide da qualidade do sono

Grande parte das memórias é consolidada enquanto dormimos. Dormir bem significa lembrar melhor.

Pratique a atenção plena

Observar o ambiente, perceber as próprias emoções e participar integralmente de uma conversa fortalecem a construção das lembranças.

Reserve momentos de pausa

Nem todo instante precisa ser produtivo. Pequenas pausas ajudam o cérebro a processar melhor as experiências.

Respeite seus limites

A sensação constante de que sempre há algo pendente aumenta o estresse e dificulta aproveitar o presente.

No fim das contas, a percepção do tempo depende muito menos do calendário do que da maneira como vivemos cada dia. Quanto mais presentes estamos, mais rica se torna nossa memória — e maior é a sensação de que a vida foi realmente vivida, em vez de simplesmente ter passado depressa.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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