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Ciência

Seu filho chupa o dedo? Especialistas explicam quando esse hábito deixa de ser inofensivo

Um comportamento comum desde antes do nascimento pode ter uma função importante no desenvolvimento infantil. Mas existe uma fase em que os pais precisam prestar mais atenção.
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Tempo de leitura: 3 minutos

É uma cena familiar para muitos pais: a criança está cansada, insegura ou quase dormindo e, instintivamente, coloca o polegar na boca. O gesto parece simples, mas envolve mecanismos biológicos e emocionais que começam a funcionar antes mesmo do nascimento. Embora seja considerado natural nos primeiros anos de vida, especialistas alertam que sua persistência merece atenção. A questão não é apenas por que as crianças fazem isso, mas quando o hábito pode começar a trazer consequências.

Por que os bebês chupam o dedo mesmo antes de nascer?

O hábito de chupar o dedo está relacionado ao reflexo de sucção, um mecanismo automático fundamental para a sobrevivência dos recém-nascidos.

Esse reflexo permite que o bebê se alimente por meio da amamentação e já pode ser observado durante a gestação.

Entretanto, a sucção não está associada exclusivamente à alimentação.

Ela também pode proporcionar sensações de conforto, segurança e tranquilidade, especialmente nos primeiros meses de vida.

Por isso, muitas crianças recorrem ao polegar quando estão com sono, cansadas, ansiosas ou diante de situações desconhecidas.

O comportamento funciona como uma estratégia espontânea de autorregulação emocional.

Além disso, durante a primeira infância, a boca desempenha um papel importante na exploração do ambiente.

Levar objetos e as próprias mãos à boca faz parte do processo de descoberta corporal e sensorial.

Na maioria dos casos, chupar o dedo não indica um problema psicológico nem representa motivo imediato de preocupação.

A atenção dos especialistas se concentra principalmente na intensidade e na persistência do hábito conforme a criança cresce.

Existe uma idade ideal para abandonar o hábito?

Grande parte das crianças deixa de chupar o dedo espontaneamente entre os dois e os quatro anos.

Isso acontece porque, ao longo do desenvolvimento, elas começam a encontrar outras maneiras de lidar com emoções, desconfortos e situações estressantes.

A Academia Americana de Odontologia Pediátrica recomenda acompanhar esses comportamentos desde cedo e incentivar sua interrupção por volta dos três anos.

O motivo está relacionado principalmente ao desenvolvimento da boca.

Quando a sucção continua por muito tempo, especialmente de maneira intensa e frequente, a pressão exercida pelo dedo pode influenciar o posicionamento dos dentes e o crescimento das estruturas bucais.

Entre as possíveis consequências estão alterações na mordida, deslocamento dos dentes anteriores e mudanças no formato do palato, conhecido popularmente como céu da boca.

Uma das alterações mais comuns é a mordida aberta anterior, caracterizada pela ausência de contato adequado entre os dentes da frente quando a boca está fechada.

Entretanto, o risco não depende apenas da idade.

A frequência, a intensidade e a duração da sucção são fatores importantes para determinar possíveis consequências.

Em muitas crianças, alterações iniciais podem melhorar naturalmente quando o hábito é interrompido.

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© Santanu Dey – Pexels

Como ajudar a criança a parar sem provocar ansiedade?

A recomendação dos especialistas é evitar punições, ameaças ou comentários que provoquem vergonha.

Isso acontece porque o hábito frequentemente está associado à necessidade de conforto emocional.

Quando os adultos aumentam a pressão, a criança pode ficar mais ansiosa e recorrer ainda mais à sucção.

Uma estratégia mais adequada é observar os momentos em que o comportamento aparece.

Se a criança costuma chupar o dedo antes de dormir, por exemplo, uma rotina tranquila com histórias, carinho e objetos de conforto pode ajudar.

Abraços, brincadeiras e atividades relaxantes também podem oferecer alternativas para lidar com situações de insegurança.

Outra ferramenta é o reforço positivo.

Elogiar a criança quando consegue passar determinados períodos sem chupar o dedo pode ser mais eficaz do que repreendê-la quando repete o comportamento.

O objetivo é construir novas estratégias de conforto, respeitando seu ritmo de desenvolvimento.

Quando é necessário procurar um odontopediatra?

Se a criança continua chupando o dedo depois dos três ou quatro anos, vale conversar com um odontopediatra.

A avaliação também é importante quando os pais percebem alterações no posicionamento dos dentes, dificuldades na mordida ou um hábito muito intenso.

O profissional poderá examinar o desenvolvimento bucal e orientar a família sobre a necessidade de alguma intervenção.

Em determinadas situações, podem ser utilizados lembretes comportamentais ou dispositivos específicos, sempre com acompanhamento profissional.

Isso não significa que toda criança que chupa o dedo precisará de tratamento.

A principal orientação é compreender que o comportamento começa como uma necessidade natural de conforto, mas merece acompanhamento quando persiste durante o crescimento.

Com paciência, apoio emocional e orientação adequada, muitas crianças conseguem abandonar o hábito sem conflitos ou medidas invasivas.

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