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Ciência

Sua gata teve filhotes completamente diferentes? Existe uma explicação fascinante

Uma única ninhada pode reunir gatos completamente diferentes, e não é apenas uma questão de sorte genética. A reprodução felina esconde um fenômeno pouco conhecido e fascinante.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Um é laranja. Outro completamente preto. O terceiro tem manchas brancas e o quarto parece não ter absolutamente nada em comum com os irmãos. Quem já observou uma ninhada de gatos provavelmente se perguntou como tamanha diversidade pode surgir de uma única gestação. Parte da resposta está na genética, mas existe outra explicação muito mais curiosa: em determinadas circunstâncias, aqueles filhotes podem compartilhar a mãe sem compartilhar o mesmo pai.

Uma única ninhada pode ter mais de um pai

Sua gata teve filhotes completamente diferentes? Existe uma explicação fascinante
© Pexels

A explicação está em um fenômeno chamado superfecundação heteropaterna.

Ele pode acontecer quando uma gata acasala com diferentes machos durante o mesmo período reprodutivo. Como vários óvulos podem estar disponíveis para fecundação, espermatozoides de machos diferentes podem fecundá-los.

O resultado parece quase um quebra-cabeça familiar: os filhotes se desenvolvem simultaneamente no útero e possuem a mesma mãe, mas podem ter pais diferentes.

Segundo Guisela Acuña, especialista em medicina de gatos domésticos e diretora médica do Centro de Saúde Veterinária El Roble, da Faculdade de Ciências Veterinárias e Pecuárias da Universidade do Chile, essa possibilidade ajuda a explicar parte da diversidade encontrada dentro de algumas ninhadas.

Isso não significa, entretanto, que filhotes com aparências diferentes necessariamente tenham pais distintos. Mesmo quando todos compartilham os mesmos progenitores, a combinação genética recebida por cada animal já pode produzir enormes diferenças de cores e padrões.

A possibilidade de múltiplos pais apenas acrescenta outra camada de diversidade.

E existe uma situação na qual as chances desse fenômeno aumentam: quando uma gata não esterilizada circula livremente pelo exterior e entra em contato com vários machos durante o período fértil.

Uma gata pode começar a reproduzir muito mais cedo do que parece

Agosto é popularmente chamado de “mês dos gatos” em algumas regiões justamente por sua associação com o aumento da atividade reprodutiva desses animais.

Gatos não esterilizados com acesso às ruas podem apresentar comportamentos ligados à reprodução e ficar mais expostos a brigas, acidentes e doenças infecciosas.

Há ainda outro detalhe que costuma surpreender tutores: uma gata pode atingir maturidade reprodutiva a partir de aproximadamente cinco meses de idade.

Isso significa que uma fêmea que ainda parece muito jovem já pode ficar prenhe.

Por esse motivo, Acuña destaca a esterilização como uma ferramenta importante de prevenção e guarda responsável. Evitar gestações não planejadas também reduz o nascimento de filhotes para os quais talvez não existam famílias disponíveis.

A especialista também contesta uma crença bastante difundida: a ideia de que seria necessário deixar a gata ter pelo menos uma ninhada antes da esterilização.

Não existe benefício médico comprovado em permitir uma primeira gestação apenas por esse motivo. A decisão sobre o momento adequado para esterilizar deve ser discutida com o médico-veterinário, considerando idade, saúde e condições individuais do animal.

Mas os mistérios familiares dos gatos não terminam na reprodução.

A cor do pelo também conta uma história genética

Sua gata teve filhotes completamente diferentes? Existe uma explicação fascinante
© Mauro Sbicego – Unsplash

Algumas características visíveis dos gatos funcionam quase como pequenas aulas de genética.

Um dos exemplos mais conhecidos aparece nos gatos calicó e escaminha, que apresentam combinações de preto e laranja, às vezes acompanhadas por áreas brancas.

A enorme maioria desses animais é fêmea.

A explicação está relacionada ao cromossomo X, no qual está localizado um gene importante para a determinação das variantes laranja e preta da pelagem. Como as fêmeas normalmente possuem dois cromossomos X, diferentes células podem expressar variantes distintas, contribuindo para aquele característico mosaico de cores.

Nos machos, a situação é diferente. Como normalmente possuem apenas um cromossomo X, basta que nele esteja a variante relacionada à cor laranja para que essa característica seja expressa.

Isso ajuda a explicar outra observação popular entre os amantes de felinos: gatos laranjas são mais frequentemente machos.

Não é uma regra absoluta, mas uma consequência das particularidades da herança ligada aos cromossomos sexuais.

Alguns gatos brancos escondem outra particularidade

Existe ainda uma associação genética especialmente interessante entre aparência e audição.

Determinados gatos de pelagem completamente branca, particularmente aqueles de olhos azuis, apresentam probabilidade maior de desenvolver surdez congênita.

Segundo Acuña, certas variantes genéticas envolvidas na produção da pelagem branca podem interferir no desenvolvimento de células que também desempenham um papel importante no funcionamento normal do ouvido interno.

Isso não significa que todo gato branco de olhos azuis seja surdo. Trata-se de um risco aumentado, e não de uma regra determinada exclusivamente pela aparência.

É justamente aí que a genética felina se torna tão fascinante.

Aquilo que enxergamos externamente, como manchas, cores e padrões, representa apenas uma pequena manifestação de combinações genéticas muito mais complexas.

Uma ninhada aparentemente formada por gatos que não poderiam ser irmãos pode ser um exemplo perfeito dessa diversidade. Algumas vezes, a explicação está simplesmente na combinação dos genes dos mesmos pais. Em outras, existe um detalhe adicional digno de novela familiar: todos nasceram juntos e possuem a mesma mãe, mas o pai pode não ser o mesmo.

[Fonte: nova ciência]

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