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Turismo em Marte ainda parece ficção científica, mas uma decisão dos EUA acaba de mudar o cenário

Uma nova política espacial dos Estados Unidos quer aproximar empresas privadas das missões mais ambiciosas da NASA e começa a desenhar um caminho comercial muito além da Terra.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Viajar para Marte continua sendo uma das ambições mais difíceis da exploração espacial, mas os Estados Unidos querem mudar a maneira como essa jornada poderá acontecer. Uma nova orientação do governo americano determina que a NASA investigue alternativas comerciais para futuras missões tripuladas ao planeta vermelho. A decisão abre espaço para empresas privadas em uma área que, até agora, dependia principalmente de enormes programas financiados pelo Estado.

A NASA terá que olhar para o mercado antes de chegar a Marte

Turismo em Marte ainda parece ficção científica, mas uma decisão dos EUA acaba de mudar o cenário
© Unsplash

A nova política espacial dos Estados Unidos determina que a NASA avalie opções comerciais para transportar seres humanos até a superfície de Marte, ampliando significativamente o papel que empresas privadas poderão desempenhar na exploração do espaço profundo.

A orientação substitui diretrizes estabelecidas em 2013 e sinaliza uma mudança importante de estratégia. Em vez de concentrar infraestrutura, transporte e desenvolvimento tecnológico exclusivamente em grandes programas governamentais, Washington pretende utilizar cada vez mais as capacidades construídas pela indústria aeroespacial.

O modelo não é totalmente novo. A NASA já trabalha com empresas comerciais no transporte de astronautas e cargas para a órbita terrestre. A diferença está na distância e, principalmente, na complexidade do próximo objetivo.

Marte está em outra categoria.

Uma missão tripulada exige meses de viagem, sistemas extremamente confiáveis de suporte à vida, grandes quantidades de suprimentos e soluções para pousar, sobreviver e posteriormente deixar a superfície marciana.

Ainda assim, o novo documento deixa claro que o governo quer descobrir até onde o modelo comercial pode chegar.

SpaceX e Blue Origin podem ganhar ainda mais espaço

Turismo em Marte ainda parece ficção científica, mas uma decisão dos EUA acaba de mudar o cenário
© SpaceX – Unsplash

Entre as empresas potencialmente favorecidas pela estratégia estão SpaceX e Blue Origin, duas companhias que já desenvolvem veículos e tecnologias destinados a aumentar a capacidade americana de transporte espacial.

A ideia é incentivar a indústria privada a participar de missões progressivamente mais distantes e complexas, incluindo operações relacionadas à Lua e, futuramente, a Marte.

A política também estabelece uma meta particularmente ambiciosa para a infraestrutura espacial dos Estados Unidos: até 2030, o sistema de transporte espacial do país deverá ter capacidade para sustentar mais de mil lançamentos e reentradas por ano.

Para chegar a esse patamar, o governo pretende ampliar o acesso a instalações federais, estimular novas parcerias entre os setores público e privado e reduzir obstáculos regulatórios considerados desnecessários para a expansão da atividade espacial.

Na prática, isso significaria transformar lançamentos em operações muito mais frequentes do que são atualmente. E essa escala pode ser fundamental caso os Estados Unidos realmente pretendam construir uma presença humana permanente além da órbita terrestre.

Viajar como turista para Marte continua muito distante

Turismo em Marte ainda parece ficção científica, mas uma decisão dos EUA acaba de mudar o cenário
© Unsplash

A possibilidade de arquiteturas comerciais capazes de transportar pessoas até Marte inevitavelmente faz surgir uma pergunta: estamos nos aproximando do turismo no planeta vermelho?

Ainda não.

A nova política não estabelece qualquer data para o primeiro voo privado tripulado até a superfície marciana. Tampouco significa que uma empresa poderá começar a vender passagens para Marte em um futuro próximo.

Antes disso, existem obstáculos tecnológicos enormes.

Uma nave precisaria manter seus ocupantes vivos e saudáveis durante uma viagem de longa duração, oferecendo proteção, alimentos, água, oxigênio e condições adequadas para enfrentar meses longe da Terra. Também seria necessário transportar equipamentos e suprimentos suficientes para a permanência na superfície.

E chegar é apenas metade do problema.

NASA e empresas aeroespaciais ainda precisam desenvolver ou aperfeiçoar tecnologias para pousar veículos pesados em Marte, manter sistemas funcionando durante a estadia, lançar novamente a partir da superfície marciana e garantir um retorno seguro à Terra.

Tudo isso transforma qualquer ideia de turismo marciano em um cenário de longo prazo.

A grande mudança pode acontecer antes mesmo do primeiro pouso

O aspecto mais importante da nova política talvez não seja imaginar turistas caminhando por Marte, mas perceber como os Estados Unidos pretendem organizar a próxima fase da exploração espacial.

Durante décadas, grandes missões dependeram quase exclusivamente de governos. O crescimento das empresas privadas começou a alterar esse modelo, especialmente no acesso à órbita terrestre.

Agora, Washington parece interessado em levar essa transformação muito mais longe.

Se companhias comerciais conseguirem desenvolver veículos, infraestrutura e sistemas capazes de operar além da Terra, a exploração da Lua e de Marte poderá deixar de depender exclusivamente de missões concebidas e executadas integralmente por agências governamentais.

Isso não significa que a NASA perderá protagonismo. Pelo contrário, a agência poderá atuar como cliente, parceira, coordenadora científica e responsável por estabelecer requisitos para missões realizadas com tecnologias comerciais.

O primeiro viajante privado em Marte ainda pertence a um futuro difícil de prever. Mas a nova orientação americana indica que, quando essa viagem finalmente acontecer, a nave que pousar no planeta vermelho talvez não carregue apenas o logotipo de uma agência espacial.

[Fonte: notigram]

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