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Ciência

Tábuas de plástico podem liberar microplásticos nos alimentos durante o corte

Pesquisadores calcularam quantas partículas podem se desprender de tábuas plásticas durante o uso cotidiano. Embora os efeitos sobre a saúde ainda estejam sendo investigados, alternativas como madeira podem reduzir uma fonte de exposição.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As tábuas de cortar de plástico estão presentes em milhões de cozinhas, mas o desgaste provocado pelas facas pode produzir algo praticamente invisível: pequenas partículas do próprio material.

Uma pesquisa analisou tábuas feitas de polietileno e polipropileno e descobriu que sucessivos cortes podem liberar microplásticos. Parte dessas partículas pode acabar na faca, permanecer sobre a superfície ou entrar em contato com os alimentos preparados.

A descoberta não significa que utilizar uma tábua de plástico cause necessariamente alguma doença. Entretanto, ela acrescenta mais uma possível fonte cotidiana de exposição aos microplásticos, contaminantes que já foram encontrados na água, nos alimentos e no ambiente.

Quantos microplásticos uma tábua pode liberar?

Microplasticos
© European Union, 2025, CC BY 4.0 https://creativecommons.org/licenses/by/4.0, via Wikimedia Commons

O estudo, conduzido por pesquisadores da North Dakota State University, analisou o desgaste produzido por cortes repetidos em diferentes materiais.

Segundo os resultados divulgados, tábuas de polietileno poderiam liberar aproximadamente entre 1 e 14 partículas de microplástico por corte. Nas versões feitas de polipropileno, a estimativa ficou entre 3 e 15 partículas.

Os pesquisadores também tentaram calcular o que isso representaria ao longo de um ano.

Considerando um cenário de aproximadamente 128 mil cortes anuais, a quantidade de plástico liberada poderia variar entre 7,4 e 50,7 gramas, dependendo do material, do tipo de corte e de outras condições.

O experimento também realizou testes preliminares com células de camundongos e não encontrou efeitos agudos nessa etapa. Isso, porém, não permite concluir que a exposição prolongada seja completamente inofensiva para humanos.

Por que a faca consegue liberar plástico?

O mecanismo é relativamente simples.

Cada vez que uma faca passa sobre uma tábua de plástico, ela provoca pequenas alterações na superfície. Com o uso, começam a aparecer riscos e sulcos claramente visíveis.

Essas marcas significam que parte do material foi removida.

A pesquisadora Himani Yadav explicou que esse desgaste pode produzir partículas que permanecem sobre a própria tábua, ficam presas na faca ou acabam entrando em contato com os alimentos.

Quanto mais desgastada estiver a superfície, maior também pode ser a preocupação com a liberação de fragmentos.

Microplásticos já estão presentes em alimentos e água

As tábuas representam apenas uma pequena parte de um problema muito maior.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já analisou a presença de microplásticos na água potável e também estudou a exposição humana através da alimentação, água e ar.

Essas partículas podem chegar ao ambiente por inúmeras fontes, incluindo resíduos plásticos, águas residuais, embalagens e sistemas de distribuição.

Portanto, abandonar uma tábua de plástico não significa eliminar a exposição aos microplásticos.

A questão é que, diante de tantas fontes diferentes, reduzir aquelas que podem ser facilmente evitadas se tornou uma estratégia adotada por algumas pessoas.

Microplásticos fazem mal à saúde?

Microplásticos No Seu Corpo
© Unsplash

Essa é justamente a pergunta que a ciência ainda tenta responder com precisão.

Existe evidência suficiente para demonstrar que humanos estão constantemente expostos a partículas plásticas. Entretanto, determinar o impacto das quantidades encontradas no cotidiano é muito mais complicado.

A OMS destaca que ainda existem lacunas importantes sobre fatores como tamanho das partículas, comportamento dentro do organismo e consequências da exposição prolongada.

Também é necessário diferenciar microplásticos de partículas ainda menores, os nanoplásticos, que podem apresentar características biológicas diferentes.

Por isso, os resultados sobre tábuas de cozinha devem ser interpretados como evidência de uma fonte de exposição, e não como demonstração de que utilizar uma tábua plástica necessariamente provoca doenças.

Vale a pena trocar a tábua de plástico?

A escolha que pode impactar sua saúde sem você perceber: tábua de madeira ou de plástico?
© Pexels

Para quem deseja reduzir a exposição desnecessária a partículas plásticas, trocar uma tábua muito desgastada pode ser uma medida simples.

Tábuas de madeira aparecem como uma alternativa interessante, desde que sejam utilizadas e higienizadas corretamente. Independentemente do material escolhido, manter boas práticas de limpeza continua sendo fundamental para evitar contaminação por microrganismos.

Também não é necessário entrar em pânico caso exista uma tábua de plástico na cozinha.

A pesquisa mostra que o atrito das facas pode liberar microplásticos e acrescentar mais uma fonte de exposição cotidiana. O que ainda não está estabelecido é quanto dessa exposição representa um risco real para a saúde humana.

Até que existam respostas mais conclusivas, reduzir fontes evitáveis de plástico pode ser uma escolha de precaução — especialmente quando existem alternativas simples disponíveis.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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