Enquanto o mundo acompanha os julgamentos de Jair Bolsonaro no Brasil, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu intervir — de forma indireta, mas impactante. Anunciou tarifas pesadas contra produtos estratégicos brasileiros. A justificativa? Oficialmente, um suposto déficit comercial. Mas os bastidores revelam uma trama política e ideológica mais profunda.
Bolsonaro no centro do conflito
Bolsonaro está sendo julgado no STF por tentativa de golpe ao não reconhecer a vitória de Lula nas eleições de 2022. Se condenado, pode pegar até 40 anos de prisão. Paralelamente, seu filho, Eduardo Bolsonaro, tem feito articulações nos EUA para pressionar a Justiça brasileira por meio de aliados de Trump.
Trump, que tem laços ideológicos com Bolsonaro, publicou uma carta afirmando que o julgamento do ex-presidente brasileiro seria uma “perseguição política”. Logo depois, anunciou tarifas de 50% sobre aço e petróleo bruto do Brasil — medida interpretada como um gesto de apoio ao seu aliado político.
Tarifas com motivação política
A alegação de Trump é um suposto desequilíbrio na balança comercial com o Brasil. Porém, os dados mostram o contrário: os EUA têm superávit comercial com o Brasil há mais de 15 anos. Ainda assim, as tarifas foram anunciadas e entrarão em vigor no dia 1º de agosto.
A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) pediu cautela, mas reconheceu que o motivo não é econômico. Já o governo Lula vê a medida como uma forma de Trump tentar interferir na política brasileira, desgastar o STF e fortalecer o discurso bolsonarista.

Redes sociais, censura e os BRICS
Trump também criticou as ações do Brasil contra plataformas digitais, acusando o país de “censura”. Na verdade, o Brasil tem liderado iniciativas legais contra a desinformação online, com o ministro Alexandre de Moraes à frente. Plataformas como Rumble já acionaram a Justiça americana contra ele.
Além disso, a crescente influência do Brasil nos BRICS parece incomodar Trump. Durante a cúpula no Rio, o ex-presidente americano fez declarações duras contra o bloco, temendo uma nova ordem internacional liderada pelo Sul Global.
Um embate que vai além do comércio
Apesar da retórica agressiva, o Itamaraty busca manter o diálogo e evitar uma escalada. Essa tensão mostra que, mais do que tarifas e produtos, está em jogo uma disputa por influência, ideologia e protagonismo internacional. E o Brasil, mais uma vez, virou peça-chave nesse tabuleiro.