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Ciência

Telescópio Vera Rubin detecta 10 milhões de galáxias em uma semana e inicia o maior mapa do universo já feito

Em apenas sete noites, o telescópio Vera C. Rubin registrou milhões de galáxias e milhares de asteroides, marcando o início de uma missão sem precedentes para desvendar os segredos do cosmos. Localizado no Chile, o observatório inicia uma nova era na astronomia com dados que podem reescrever o que sabemos sobre o universo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

 Um marco impressionante acaba de ser alcançado na astronomia moderna. Em sua primeira semana de operação científica, o telescópio Vera C. Rubin, no Chile, detectou mais de 10 milhões de galáxias e mais de dois mil asteroides inéditos. Essa façanha, conquistada em apenas sete noites, é apenas uma amostra do que está por vir: nos próximos dez anos, o Rubin pretende mapear 20 bilhões de galáxias e transformar para sempre a forma como enxergamos o universo.

Um novo olhar sobre o céu

Instalado a 2.600 metros de altitude no Cerro Pachón, no deserto do Atacama, o Rubin foi projetado para observar o céu com uma amplitude e profundidade sem precedentes. Sua câmera de 3.200 megapixels — a maior já construída — é capaz de registrar imagens de alta precisão a cada cinco segundos, cobrindo uma área equivalente a 45 luas cheias.

Ao contrário de telescópios que observam um ponto fixo por horas, o Rubin escaneia todo o céu visível do hemisfério sul a cada três noites, criando uma verdadeira “filmagem” do cosmos. Esse método permite detectar não apenas milhões de galáxias, mas também fenômenos rápidos, como supernovas e variações estelares.

A escala de um universo ainda pouco conhecido

Os responsáveis pelo projeto descrevem os primeiros dados como “um cálice cósmico transbordando”. Detectar 10 milhões de galáxias em tão pouco tempo mostra que o universo observável pode ser ainda mais vasto do que se imaginava. O objetivo é registrar objetos celestes até então invisíveis — muitos deles tênues e distantes — e montar o maior catálogo astronômico da história.

Além das galáxias, foram identificados 2.015 asteroides desconhecidos. A expectativa é que, ao longo da década, o Rubin descubra dezenas de objetos interestelares — corpos vindos de outros sistemas solares — e milhares de novos objetos transnetunianos.

Dados que exigem novas ferramentas

A quantidade de informações geradas pelo Rubin é tão colossal que os astrônomos precisarão desenvolver novas formas de analisá-las. Algoritmos de inteligência artificial, alertas automatizados e colaborações globais já estão sendo utilizados para dar conta do fluxo diário de dados.

Cada noite de observação gera centenas de imagens detalhadas, fundamentais para estudar desde a formação de estrelas até a estrutura da matéria escura — um dos principais mistérios do universo.

Quatro objetivos fundamentais

O projeto do telescópio Rubin tem quatro eixos principais:

  1. Mapear a matéria escura – Através de distorções na luz causadas por essa matéria invisível, os astrônomos poderão criar mapas de sua distribuição pelo universo.

  2. Investigar a energia escura – Observando milhões de supernovas, será possível medir a expansão acelerada do universo e entender se essa força misteriosa se comporta de forma constante ou variável ao longo do tempo.

  3. Procurar o Planeta Nove – O Rubin poderá localizar um possível nono planeta além de Netuno, cuja existência explicaria órbitas anômalas de corpos no cinturão de Kuiper.

  4. Estudar a Via Láctea em detalhe – A observação de milhões de estrelas e galáxias satélites ajudará a reconstituir a história de formação da nossa galáxia.

Um telescópio para o desconhecido

Além dos objetivos traçados, cientistas reconhecem que o Rubin também servirá para revelar o que ainda nem conseguimos imaginar. “É assim com os grandes telescópios: a parte mais emocionante é o que ainda não sabemos que não sabemos”, resumiu o astrônomo Michael Wood-Vasey.

O Rubin marca uma mudança de paradigma: durante séculos buscamos enxergar mais longe; agora, com ele, vemos mais rápido, com mais detalhes e em maior escala. Cada imagem capturada carrega séculos de luz viajando pelo espaço — e cada galáxia descoberta é uma nova porta aberta para as perguntas que ainda virão.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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