Donald Trump voltou a endurecer o discurso contra a Rússia. Em entrevista à Fox News nesta sexta-feira (12), o presidente dos Estados Unidos afirmou que sua paciência com Vladimir Putin “está se esgotando”. A fala ocorre semanas após o encontro entre os dois líderes no Alasca, que foi descrito como positivo, mas sem resultados práticos. Ao mesmo tempo, cresce a pressão internacional para que Washington forneça mais armas à Ucrânia.
Um encontro sem acordo

O encontro entre Trump e Putin, realizado no mês passado no Alasca, terminou sem a assinatura de nenhum acordo formal. Em coletiva de imprensa, o presidente americano classificou a reunião como “extremamente positiva” e disse que houve avanços em diversos pontos, embora os temas mais delicados tenham ficado sem solução.
“Concordamos em muitos aspectos, a maioria deles, eu diria. Mas ainda não chegamos a um entendimento em questões centrais”, afirmou Trump.
Apesar das tensões atuais, o republicano ressaltou que sempre manteve um “relacionamento fantástico” com o líder russo, mas que esse vínculo foi prejudicado por investigações sobre suposta interferência russa nas eleições de 2016.
“Paciência se esgotando”
Na entrevista à Fox News, Trump foi mais direto. Questionado sobre o futuro das negociações, disse que a paciência dos EUA com Putin “está se esgotando, e rapidamente”.
A fala marca um tom mais duro em relação ao Kremlin e sinaliza que Washington pode adotar medidas mais agressivas caso não haja avanços em direção a um cessar-fogo na Ucrânia.
Pedido de Zelensky

As declarações de Trump ocorreram um dia após o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pedir formalmente a Washington o envio de armas de longo alcance.
Segundo Zelensky, caso Moscou continue a rejeitar negociações por um cessar-fogo, Kiev precisará de armamento adicional para reforçar suas defesas. “Estamos prontos para apoiar os esforços dos nossos aliados e abertos ao diálogo, mas precisamos de garantias concretas de segurança”, afirmou.
O pedido foi feito depois que drones russos chegaram a violar o espaço aéreo da Polônia, ampliando o risco de que a guerra transborde para além das fronteiras ucranianas.
A Ucrânia sob pressão
Desde o início do conflito, Kiev tem utilizado um arsenal diversificado que vai de armamentos antigos herdados da era soviética até sistemas modernos fornecidos por aliados ocidentais. Ainda assim, os ataques aéreos intensificados da Rússia têm exposto a fragilidade das defesas ucranianas.
Com a invasão já no seu terceiro ano, o governo de Zelensky insiste que armas de longo alcance podem ser decisivas para mudar o equilíbrio do conflito.
O xadrez geopolítico
Analistas avaliam que a postura mais dura de Trump pode estar ligada tanto às pressões da OTAN quanto à opinião pública americana, que acompanha com atenção a escalada da guerra. O envio de caças, mísseis ou novas sanções econômicas contra Moscou está entre as opções discutidas em Washington.
Para Putin, a manutenção da guerra também se tornou uma questão de sobrevivência política. O Kremlin insiste que não aceitará imposições externas e acusa os EUA de alimentar o conflito.
O que vem pela frente
Ainda não está claro se as declarações de Trump indicam uma mudança prática na estratégia americana ou se são parte de um discurso mais duro para pressionar o Kremlin nas negociações.
De qualquer forma, a combinação entre a retórica crescente de Washington, os pedidos urgentes de Kiev e os incidentes militares recentes eleva o risco de novas tensões na Europa.
[ Fonte: CNN Brasil ]