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Trump sai frustrado da reunião no Alasca e aguarda Zelensky em Washington

O ex-presidente dos EUA buscava um cessar-fogo imediato na guerra da Ucrânia, mas saiu da cúpula com Putin sem avanços concretos. A visita de Volodymyr Zelensky à Casa Branca será o próximo teste para medir o real alcance da diplomacia de Trump.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A reunião entre Donald Trump e Vladimir Putin no Alasca terminou sem grandes anúncios e deixou claro que os objetivos dos dois líderes seguem distantes. Trump esperava um cessar-fogo imediato, mas não conseguiu o compromisso que desejava. O semblante, o discurso contido na coletiva e até a entrevista protocolar a Sean Hannity, na Fox News, transmitiram insatisfação. Já Putin, por sua vez, falou mais, mas também evitou detalhes, classificando o encontro apenas como “oportuno” e “útil”.

Agora, todas as atenções se voltam para a próxima etapa: a visita de Volodymyr Zelensky à Casa Branca, anunciada para esta segunda-feira, que pode definir se Trump ainda manterá seu otimismo em relação a uma saída negociada.

Expectativas frustradas

Trump E O Efeito Dominó
© JUSTIN LANE

Trump queria repetir a fórmula de seu livro The Art of the Deal: transformar o encontro em um momento histórico com resultados imediatos. Elevou o status da visita de Putin a uma cúpula formal, com todos os símbolos de Estado. Mas não saiu com o que mais buscava: o anúncio de um cessar-fogo.

Para Trump, parar o derramamento de sangue já seria uma vitória política. Na sua lógica, um armistício criaria uma fronteira de facto — como aconteceu em 1949 entre Israel e vizinhos árabes, ou em 1953 entre as duas Coreias — congelando o território ocupado pela Rússia, hoje cerca de 20% da Ucrânia.

Putin, no entanto, enxerga a guerra como parte de uma negociação maior: a revisão das fronteiras pós-URSS. Desde o início dos anos 2000, insiste que o colapso soviético foi rápido demais, criando novos Estados sem um acordo adequado com Moscou. Para ele, a guerra da Ucrânia é apenas o começo dessa discussão, não o fim.

A guerra mais longa do que parece

Trump lembra que o conflito não começou em 2022, mas em 2014, com a anexação da Crimeia e o apoio russo a separatistas no Donbass. Ou seja, trata-se de uma guerra de 11 anos, marcada por tentativas frustradas de negociações, dos Acordos de Minsk à mediação de países europeus.

Putin, por sua vez, continua acumulando ganhos militares graduais. Embora lentos e custosos, os avanços russos mantêm a pressão sobre Kiev, que sofre com ataques diários a civis e infraestrutura.

Zelensky em xeque

Um esquema milionário envolvendo a compra de drones militares veio à tona logo após a Ucrânia restaurar a autonomia de seus órgãos anticorrupção
© https://x.com/Bricktop_NAFO

Para complicar, Zelensky enfrenta desafios internos. Ele não convocou eleições previstas para 2023, alegando a impossibilidade durante a guerra. Pesquisas indicavam que poderia perder para o ex-comandante Valerii Zaluzhny, considerado herói da resistência inicial.

Qualquer concessão territorial ou promessa de neutralidade poderia enfraquecer ainda mais sua posição política. E é exatamente disso que Putin se aproveita: quer que a Ucrânia aceite um modelo semelhante ao de Finlândia e Áustria na Guerra Fria — soberania limitada, neutralidade forçada e exclusão da OTAN e da União Europeia.

O desgaste da mediação

Trump não é o primeiro a tentar. Houve iniciativas anteriores: mediação de Israel em 2022, negociações em Istambul, reuniões no chamado “Formato da Normandia” com França e Alemanha, e até 20 tentativas de cessar-fogo registradas desde 2014. Todas fracassaram.

A dificuldade é estrutural: cada parte narra a origem da guerra de forma diferente. Moscou culpa o Ocidente pelo levante da Praça Maidan em 2013 e pela queda de Yanukóvich em 2014. Kiev, por sua vez, vê nesses episódios apenas a resistência legítima contra a influência russa.

O que está em jogo para Trump

Ao não obter o cessar-fogo no Alasca, Trump pode perder interesse no tema e buscar outras vitórias diplomáticas — como já fez ao intermediar acordos em regiões como Índia-Paquistão e Congo-Ruanda. Mas, por ora, insiste em exibir-se como único líder disposto a encarar o impasse ucraniano.

O problema é que o tempo joga contra. Em breve, começam as eleições de meio termo nos EUA, e depois toda a agenda política estará dominada pela corrida presidencial — sem Trump como candidato.

Com Zelensky em Washington, Trump terá nova chance de mostrar resultados. Mas, diante da complexidade das ambições de Putin e da fragilidade política do presidente ucraniano, as perspectivas de um cessar-fogo imediato parecem cada vez mais distantes.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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