Donald Trump intensificou sua retórica em relação ao conflito no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, que tenta consolidar seu papel como mediador entre Israel e o Hamas, afirmou estar “trabalhando duro” para transformar em realidade seu plano de cessar-fogo de 20 pontos — e deixou claro que o grupo palestino terá um preço alto a pagar caso rejeite o acordo.
“Extinção completa”, diz Trump

Em mensagens enviadas ao jornalista Jake Tapper, da CNN americana, Trump foi categórico: o Hamas enfrentará “extinção completa” se insistir em manter o controle da Faixa de Gaza. A declaração veio após o senador republicano Lindsey Graham afirmar que o grupo havia rejeitado a proposta do presidente, ao se recusar a desarmar e condicionar a libertação de reféns a negociações prolongadas.
Questionado por Tapper se Graham estaria errado, Trump respondeu: “Descobriremos. Só o tempo dirá!!!”
O presidente disse ainda esperar clareza “em breve” sobre a disposição real do Hamas em relação à paz.
Apoio de Netanyahu e plano em andamento
Trump afirmou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está de acordo com sua visão de encerrar a campanha de bombardeios em Gaza e iniciar um processo mais amplo de retirada israelense. Segundo o presidente, Israel já aceitou a linha de retirada inicial delineada em seu plano.
“Após negociações, Israel concordou com a linha de retirada inicial, que mostramos e compartilhamos com o Hamas. Quando o Hamas confirmar, o cessar-fogo entrará em vigor imediatamente”, escreveu Trump na rede Truth Social. Ele acrescentou que, a partir desse momento, começará a troca de reféns e prisioneiros e se criará o caminho para “o fim desta catástrofe de 3.000 anos”.
O republicano disse ainda estar “esperançoso” de que sua proposta se torne realidade em breve e que está pessoalmente envolvido em todas as etapas da negociação.
Suspensão temporária de ataques e pressão sobre o Hamas
De acordo com Trump, Israel teria suspendido temporariamente seus ataques aéreos sobre Gaza como um gesto de boa-fé para facilitar a implementação do cessar-fogo e acelerar a libertação de reféns. “É um passo crítico”, afirmou o presidente, ressaltando que o Hamas “precisa agir rapidamente”.
Entretanto, relatórios de hospitais em Gaza indicam que, no mesmo sábado (4), pelo menos 67 pessoas morreram em novos bombardeios israelenses — um sinal de que, apesar das declarações, os combates continuam intensos no território palestino.
Um “grande dia”, segundo o presidente
Na sexta-feira (3), Trump havia divulgado um vídeo em sua plataforma Truth Social celebrando a resposta inicial do Hamas ao seu plano de 20 pontos, classificando o momento como “um grande dia” e “sem precedentes”. Segundo ele, o documento traça um caminho “realista e equilibrado” para o fim da guerra e a reconstrução de Gaza sob supervisão internacional.
Ainda assim, o presidente americano deixou claro que não aceitará delongas. Ao ameaçar o Hamas com “extinção completa”, Trump não apenas busca pressionar o grupo a aceitar o acordo, mas também reafirma sua imagem de líder decidido e imprevisível — um traço que, segundo aliados, tem sido central em sua política externa.
[ Fonte: CNN Brasil ]