O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (16/10/2025) que voltará a se encontrar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Budapeste, Hungria, para negociar o fim da guerra na Ucrânia.
A nova cúpula será a segunda entre os dois líderes desde agosto, quando se reuniram no Alasca, e acontece em meio a um esforço diplomático crescente da Casa Branca para reposicionar Washington como mediador global.
Um novo capítulo diplomático

O anúncio foi feito por Trump em sua rede social Truth Social, pouco depois de uma ligação telefônica “longa e produtiva” com o líder russo.
Segundo o presidente, o objetivo do encontro é “pôr fim a esta guerra ignominiosa entre Rússia e Ucrânia”, que já completou mais de três anos e deixou centenas de milhares de mortos.
O republicano também revelou que, na próxima semana, será realizada uma reunião preparatória entre assessores de alto nível dos dois governos, em local ainda a ser definido. Pelo lado americano, participará o secretário de Estado, Marco Rubio, uma das figuras mais próximas de Trump na atual administração.
Conversa com Zelenski

O anúncio do encontro com Putin acontece um dia antes da visita do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, à Casa Branca.
Trump afirmou que discutirá com o líder de Kiev os detalhes da conversa telefônica e as possibilidades de avanço nas negociações.
“Acredito que a ligação de hoje foi um grande passo à frente”, declarou Trump em sua publicação, sugerindo otimismo quanto ao futuro das conversas.
Ele ainda destacou que Putin o parabenizou pelo acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, referindo-se à trégua mediada por Washington entre Israel e facções palestinas em Gaza.
“Estou convencido de que esse sucesso no Oriente Médio contribuirá para nossas negociações sobre o fim da guerra entre Rússia e Ucrânia”, acrescentou o norte-americano.
O tom do Kremlin
O Kremlin confirmou o contato telefônico entre os dois presidentes e descreveu o diálogo como “extremamente franco e cheio de confiança”.
Em nota, o governo russo afirmou que a nova reunião já está em preparação e reiterou o interesse de Moscou em “explorar todas as vias possíveis” para encerrar o conflito “de forma justa e duradoura”.
A presidência russa, no entanto, não comentou as declarações recentes de Trump sobre o possível envio de mísseis Tomahawk à Ucrânia, proposta que gerou forte reação em Moscou.
Segundo o porta-voz Dmitri Peskov, “qualquer fornecimento de armas de longo alcance a Kiev representaria um novo nível de escalada”.
Entre pressão e diplomacia
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro, a política externa americana tem oscilado entre retórica de pressão militar e gestos de negociação direta com adversários históricos.
O republicano aposta em um modelo de diplomacia “personalista”, no qual contatos diretos entre líderes — e não via diplomatas — seriam mais eficazes para alcançar acordos.
A escolha de Budapeste como sede também chama atenção: a Hungria, governada por Viktor Orbán, é o país da União Europeia mais próximo de Moscou e tem mantido uma postura ambígua diante da guerra.
Expectativas e incertezas
Apesar do clima de aparente avanço, analistas internacionais alertam que as divergências centrais do conflito permanecem intocadas.
Enquanto Putin insiste em garantir o controle de regiões anexadas no leste da Ucrânia, Zelenski mantém a exigência de retirada total das tropas russas como condição para qualquer acordo de paz.
Com a reunião de Budapeste ainda sem data confirmada, cresce a expectativa sobre como Trump equilibrará sua promessa de “paz rápida” com as pressões internas e externas.
Seja qual for o resultado, o encontro deverá definir o tom das negociações e o papel que os Estados Unidos pretendem desempenhar no futuro da guerra.
[ Fonte: DW ]