Uma diferença de apenas um voto separou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em cinco municípios brasileiros no segundo turno presidencial de domingo (25). As cidades ficam em quatro estados: Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Goiás. Em outro município paranaense, Marquinho, os candidatos terminaram empatados. Os resultados mostram como uma votação local pode apresentar um equilíbrio que desaparece na soma nacional.
Onde a diferença foi de um voto

Segundo o levantamento publicado pela CNN Brasil, Lula liderou em três dessas cidades. Em Apiacá, no Espírito Santo, recebeu 2.366 votos, contra 2.365 de Flávio. Em São João do Pau d’Alho, em São Paulo, o placar ficou em 769 a 768. Já em Altamira do Paraná, foram 1.334 votos para o petista e 1.333 para o adversário.
Flávio terminou à frente nas outras duas localidades. Em Nova Luzitânia, no interior paulista, somou 1.039 votos, enquanto Lula recebeu 1.038. Em Anhanguera, em Goiás, o senador conquistou 523 votos, contra 522 do presidente.
Marquinho apresentou uma situação ainda mais equilibrada: cada candidato recebeu 1.530 votos, exatamente metade dos votos válidos. No conjunto do país, o levantamento identificou 196 municípios com uma distância inferior a cem votos entre os concorrentes.
O resultado municipal compõe a votação nacional
Na eleição presidencial, os votos registrados em cada cidade entram na mesma contagem nacional. Isso significa que terminar à frente em um município não concede ao candidato uma pontuação adicional ou uma quantidade específica de representantes.
Assim, uma vantagem de um voto acrescenta exatamente essa diferença ao saldo nacional entre os candidatos. O tamanho do município também não altera o valor individual de cada escolha registrada na urna.
Essa característica ajuda a interpretar o empate em Marquinho. Os dois concorrentes contribuíram com a mesma quantidade de votos válidos naquela cidade. Portanto, o município não ampliou a distância entre eles na soma da disputa presidencial.
Os resultados podem ser consultados no sistema oficial de apuração do Tribunal Superior Eleitoral. A consulta por município permite observar diferenças locais que os percentuais nacionais, sozinhos, não mostram.
Brancos e nulos ficam fora da conta
Outro ponto essencial para entender os placares é distinguir votos válidos do total de pessoas que compareceram à votação. Na disputa presidencial, a definição do vencedor considera os votos atribuídos aos candidatos.
Conforme explica o Tribunal Superior Eleitoral sobre votos brancos e nulos, essas duas opções ficam fora do cálculo da maioria necessária para vencer. Elas não são transferidas para quem lidera a apuração.
Por isso, os 50% registrados para cada candidato em Marquinho se referem aos votos válidos. O percentual não significa, necessariamente, que metade de todos os eleitores cadastrados no município escolheu cada concorrente.
As margens mínimas também permitem visualizar o efeito matemático de uma participação individual. Quando a diferença é de um voto, um voto adicional para quem ficou atrás produziria um empate. Já a troca de um voto do candidato que liderou para o adversário inverteria a posição dos dois.
Esse exercício não explica as motivações dos eleitores nem permite identificar quem determinou o resultado. Ele apenas mostra como escolhas individuais se acumulam até formar o placar de cada cidade e, depois, o resultado nacional.