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Como Lula conseguiu 10 milhões de votos adicionais e venceu Flávio Bolsonaro

Lula reverteu uma desvantagem de 2,2 milhões de votos e venceu Flávio Bolsonaro no segundo turno. Queda da abstenção, redução dos votos inválidos e mobilização eleitoral marcaram a disputa.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 terminou com uma virada inédita na história recente do Brasil. Depois de ficar atrás de Flávio Bolsonaro (PL) na primeira votação, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou mais de 10 milhões de votos adicionais e garantiu a reeleição. O resultado foi acompanhado por mudanças importantes no comparecimento às urnas, na quantidade de votos brancos e nulos e nas estratégias de mobilização dos candidatos.

Lula saiu de uma desvantagem de 2,2 milhões para uma vitória de 4,4 milhões de votos

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia recebido aproximadamente 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões de Lula.

Três semanas depois, o cenário mudou.

Segundo os dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula conquistou 64.256.232 votos, enquanto Flávio Bolsonaro terminou com 59.826.041.

Resultado do segundo turno — 25 de outubro de 2026

Lula (PT): 51,79%

Flávio Bolsonaro (PL): 48,21%

Votos válidos, apuração concluída. Fonte: TSE.

A diferença final foi de 4.430.191 votos.

De acordo com a análise publicada pela Jovem Pan, foi a primeira vez desde a retomada das eleições presidenciais diretas, em 1989, que o segundo colocado no primeiro turno venceu a disputa decisiva.

Queda da abstenção levou quase 3 milhões de eleitores adicionais às urnas

Um dos dados mais relevantes da eleição foi a redução da ausência dos eleitores.

No primeiro turno, 33,47 milhões de brasileiros não compareceram à votação. No segundo, esse número caiu para 30,51 milhões.

A taxa de abstenção passou de 21,08% para 19,22%.

Isso representou um aumento líquido de aproximadamente 2,96 milhões de votantes, uma mudança significativa em uma eleição disputada.

Entretanto, não é possível afirmar apenas com esses números quantos eleitores que faltaram inicialmente escolheram Lula ou Flávio Bolsonaro na segunda votação.

Votos brancos e nulos também diminuíram

Outra mudança importante aconteceu entre os eleitores que compareceram, mas não escolheram um candidato válido.

Os votos em branco caíram de aproximadamente 2,3 milhões para 1,43 milhão. Já os votos nulos passaram de 3,67 milhões para 2,72 milhões.

Somadas, essas duas categorias diminuíram cerca de 1,82 milhão de votos.

Com mais comparecimento e menos votos inválidos, o total de votos válidos cresceu aproximadamente 4,78 milhões entre os turnos.

Essas alterações ajudam a compreender a diferença no tamanho do eleitorado que efetivamente escolheu um dos candidatos, mas não identificam individualmente as transferências de votos.

Campanha de Lula apostou no WhatsApp e na mobilização nas ruas

Além das mudanças no comparecimento, a campanha petista intensificou sua presença digital.

Uma das iniciativas mais comentadas foi o canal de WhatsApp chamado Exército do Lula, organizado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Segundo a reportagem da Jovem Pan, o grupo ultrapassou 10,6 milhões de seguidores na reta final da eleição. Os participantes recebiam orientações para compartilhar conteúdos políticos e mobilizar outros eleitores.

A campanha também contou com manifestações em grandes cidades, incluindo atos na Avenida Paulista, em São Paulo, e no Rio de Janeiro.

A atuação de comunidades de fãs de artistas internacionais nas redes sociais foi outro elemento observado durante o segundo turno.

De onde vieram os mais de 10 milhões de votos adicionais?

Entre o primeiro e o segundo turno, Lula acrescentou 10.376.694 votos à sua votação. Flávio Bolsonaro ganhou outros 3.721.538.

Parte dessa diferença pode estar relacionada à migração de votos de candidatos eliminados, ao comparecimento de pessoas que haviam se abstido e à redução de votos brancos e nulos.

No primeiro turno, os demais candidatos haviam recebido, juntos, aproximadamente 9,3 milhões de votos.

No entanto, os totais agregados não permitem determinar com precisão quais eleitores mudaram de candidato. Para identificar esses movimentos, seriam necessários levantamentos específicos sobre o comportamento individual do eleitorado.

A virada de Lula resultou de uma combinação de mudanças no comparecimento e na distribuição dos votos válidos. A mobilização digital e presencial fez parte da campanha, mas os dados disponíveis não permitem medir isoladamente seu impacto sobre o resultado.

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