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Tecnologia

Uma inovação do MIT pode tornar câmeras infravermelhas menores, mais inteligentes e muito mais eficientes

Pesquisadores desenvolveram uma tecnologia capaz de manipular um tipo de luz invisível de forma inédita. O avanço pode abrir caminho para equipamentos menores, mais inteligentes e com aplicações surpreendentes.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Grande parte das informações que existem ao nosso redor simplesmente não pode ser vista pelos olhos humanos. Vazamentos de gases, perdas de calor, poluição atmosférica e até sinais importantes para missões espaciais permanecem ocultos sem equipamentos especializados. Agora, um grupo de pesquisadores apresentou um chip inovador que pode mudar essa realidade ao controlar a luz infravermelha com uma precisão jamais alcançada, reduzindo o tamanho e aumentando a eficiência de futuros sistemas ópticos.

Como um pequeno chip conseguiu controlar a luz invisível de maneira inédita

O avanço foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que criaram um dispositivo baseado em uma tecnologia conhecida como metassuperfície. Diferentemente das lentes convencionais, compostas por elementos ópticos relativamente espessos, essas superfícies são extremamente finas e possuem estruturas microscópicas capazes de modificar a forma como a luz atravessa ou é refletida.

A grande novidade está no fato de que essa superfície pode ser ajustada dinamicamente. Em vez de funcionar como uma lente fixa, o novo chip permite controlar pequenas regiões de forma independente, como acontece com os pixels de uma tela de televisão ou smartphone. A diferença é que, neste caso, cada pixel atua diretamente sobre a luz infravermelha, invisível para o ser humano.

Essa capacidade torna possível configurar o dispositivo para destacar determinados padrões específicos. Em um cenário prático, por exemplo, o sistema poderia ser ajustado para localizar vazamentos de metano em instalações industriais, identificar perdas de calor em edifícios, detectar compostos químicos presentes na atmosfera ou até facilitar operações de busca em ambientes de baixa visibilidade.

Esse tipo de controle elimina a necessidade de componentes ópticos volumosos utilizados atualmente em muitas câmeras infravermelhas, que costumam ser caras, pesadas e difíceis de transportar.

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© Magnific

A arquitetura inspirada em telas pode facilitar a produção em larga escala

Um dos maiores desafios desse projeto era encontrar uma forma eficiente de controlar milhares — ou até milhões — de pixels individualmente. Em projetos anteriores, cada ponto precisava de uma conexão elétrica própria, tornando praticamente impossível aumentar a resolução do dispositivo.

Para resolver esse problema, os pesquisadores recorreram a uma arquitetura semelhante à utilizada em telas digitais e chips de memória. O sistema utiliza duas camadas de condutores de cobre organizadas em formato de grade. Quando uma linha e uma coluna são ativadas simultaneamente, apenas o pixel localizado naquela interseção recebe o comando.

Abaixo dessa estrutura existe uma camada de silício especialmente modificada para gerar calor, além de um material capaz de alternar entre diferentes estados físicos. Cada mudança altera a quantidade de radiação infravermelha que atravessa aquele ponto da superfície. O projeto também incorpora diodos que impedem que a corrente elétrica interfira nos pixels vizinhos, aumentando a precisão do controle.

O resultado é um modulador espacial de luz, um equipamento que não produz imagens sozinho, mas modifica e filtra a radiação infravermelha antes que ela seja capturada pelos sensores da câmera.

O protótipo ainda é pequeno, mas já aponta para aplicações que podem transformar diversas áreas

Para validar a tecnologia, os pesquisadores fabricaram um protótipo composto por apenas 36 pixels, distribuídos em uma matriz de seis por seis. Mesmo com dimensões reduzidas, os testes demonstraram que cada pixel pode ser controlado individualmente e suportar diversos ciclos de funcionamento sem perda significativa de desempenho.

Segundo os cientistas, a arquitetura utilizada poderá ser ampliada futuramente para incorporar milhares ou até milhões de pixels, tornando possível desenvolver câmeras infravermelhas muito mais compactas, precisas e acessíveis.

Além da inspeção térmica de edifícios e da identificação de vazamentos de gases como metano e propano, a tecnologia poderá ser empregada em monitoramento ambiental, exploração espacial, sistemas aeroespaciais, aplicações científicas e equipamentos industriais.

Outra possibilidade considerada bastante promissora é seu uso na computação óptica. Nesse conceito, parte dos cálculos deixaria de ser realizada exclusivamente por circuitos eletrônicos tradicionais e passaria a utilizar diretamente o comportamento da luz, aumentando a eficiência em determinadas tarefas.

Embora o dispositivo ainda esteja em fase experimental, os resultados publicados demonstram que controlar a luz invisível pixel por pixel pode representar um dos passos mais importantes para a próxima geração de sensores e sistemas ópticos. Se a tecnologia alcançar escala industrial, ela poderá transformar desde câmeras térmicas portáteis até equipamentos utilizados em pesquisas científicas e missões espaciais.

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