Pular para o conteúdo
Ciência

O continente mais rápido da Terra avança 7 centímetros por ano e está mudando o mapa do planeta

A gigantesca placa tectônica australiana se desloca para o norte e já colide com regiões do Sudeste Asiático
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O chão sob nossos pés parece completamente imóvel. Em escala geológica, porém, a superfície da Terra está em movimento constante. Continentes mudam de posição, oceanos se abrem e desaparecem, enquanto enormes placas tectônicas avançam lentamente pelo planeta.

Nesse cenário, a Austrália chama atenção. A placa tectônica sobre a qual grande parte do país está localizada se desloca para o norte e nordeste a uma velocidade de aproximadamente 7 centímetros por ano, uma das maiores registradas entre as grandes placas tectônicas do planeta.

Pode parecer pouco, mas é uma velocidade impressionante quando pensamos em um continente inteiro. Para colocar o número em perspectiva, estudos indicam que as unhas humanas crescem, em média, cerca de 4 centímetros por ano. Ou seja, o território australiano pode se deslocar mais rapidamente do que nossas unhas crescem.

E esse movimento não é apenas uma curiosidade geológica. Ele já obrigou a Austrália a atualizar seus próprios mapas.

A Austrália precisou corrigir suas coordenadas

A Austrália encontrou na tecnologia e em um conhecimento milenar uma poderosa arma contra os incêndios
© SpaceX – Unsplash

Durante décadas, o país utilizou sistemas de referência geográfica baseados em coordenadas praticamente estáticas. O problema é que a Austrália continuou se movimentando enquanto essas coordenadas permaneceram no mesmo lugar.

Com o avanço dos sistemas modernos de posicionamento por satélite, capazes de trabalhar com enorme precisão, a diferença começou a se tornar significativa.

Desde a década de 1990, o território australiano acumulou um deslocamento próximo de dois metros em relação a algumas das coordenadas utilizadas anteriormente.

Uma diferença dessa magnitude pode provocar problemas em tecnologias que dependem de localização extremamente precisa. Agricultura automatizada, obras de engenharia, levantamentos topográficos, veículos autônomos e sistemas avançados de GPS são alguns exemplos.

Por isso, a Austrália adotou o sistema GDA2020, desenvolvido para aproximar novamente as coordenadas cartográficas da posição física real do continente.

O problema, claro, não terminou. A placa continua avançando alguns centímetros todos os anos.

A colisão com a Ásia já começou

A viagem da Austrália para o norte também está provocando consequências muito maiores do que simplesmente alterar coordenadas de GPS.

A placa australiana encontra uma região tectonicamente complexa no Sudeste Asiático. Em algumas áreas, a crosta oceânica mergulha sob outras placas. Em outras, blocos continentais colidem diretamente.

Esse processo pode ser observado em regiões próximas à fossa de Java, Timor e Nova Guiné.

A enorme pressão exercida entre as placas contribui para deformar e elevar terrenos, modificar estruturas rochosas e alimentar intensa atividade sísmica e vulcânica.

Isso ajuda a explicar por que essa parte do planeta concentra tantos terremotos e vulcões. As ilhas localizadas ao norte da Austrália fazem parte de uma enorme zona de interação entre diferentes placas tectônicas.

E esse processo ainda está longe de terminar.

Austrália começou sua viagem há milhões de anos

A atual posição australiana é resultado de uma história que começou dezenas de milhões de anos atrás.

A Austrália fazia parte de Gondwana, antigo supercontinente que também reunia territórios que hoje correspondem à Antártida, América do Sul, África e Índia.

Há cerca de 45 milhões de anos, a separação entre Austrália e Antártida já estava estabelecida, permitindo que o continente australiano continuasse sua trajetória para o norte.

Desde então, esse movimento aproximou progressivamente a Austrália da Ásia.

Em escalas humanas, sete centímetros anuais parecem irrelevantes. Em dezenas de milhões de anos, entretanto, são suficientes para transportar continentes por milhares de quilômetros.

O mapa da Terra pode ficar irreconhecível

A tecnologia que quer conquistar uma região da Terra onde nem aviões nem satélites conseguem chegar
© Unsplash

O futuro é ainda mais impressionante. Modelos geodinâmicos tentam prever como os continentes estarão distribuídos daqui a centenas de milhões de anos.

Uma das hipóteses sugere que, dentro de aproximadamente 200 a 300 milhões de anos, grande parte do oceano Pacífico poderá desaparecer devido ao contínuo processo de subducção de sua crosta.

Os continentes acabariam se aproximando até formar novamente uma enorme massa terrestre. Uma das possíveis configurações recebeu o nome de Amasia.

Ela reuniria grandes porções das atuais Américas e da Ásia, embora diferentes modelos científicos proponham outros formatos para o próximo supercontinente.

A posição exata das terras no futuro continua sendo debatida. Uma coisa, porém, é praticamente certa: o mapa atual da Terra não é permanente.

Assim como antigos oceanos desapareceram e supercontinentes se fragmentaram no passado, os mares e continentes que conhecemos hoje também são temporários. A Austrália, avançando alguns centímetros por ano, é uma demonstração visível de que o planeta continua sendo redesenhado sob nossos pés.

 

[ Fonte: as ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados