Agachar, apoiar as mãos no chão e começar a se deslocar como um primata pode parecer uma brincadeira. No entanto, a chamada “caminhada do gorila” ganhou espaço em academias, treinos de calistenia e aulas de animal flow. O exercício usa o próprio peso corporal e exige força, equilíbrio, coordenação e mobilidade.
A proposta é relativamente simples: reproduzir movimentos semelhantes aos realizados pelos gorilas, envolvendo braços e pernas durante o deslocamento. Apesar da aparência curiosa, a atividade consegue ativar diferentes cadeias musculares que muitas pessoas utilizam pouco no cotidiano.
A influenciadora fitness norte-americana Sam Hope, por exemplo, decidiu experimentar nove minutos de caminhada do gorila diariamente durante uma semana. Segundo seu relato, logo percebeu como alguns músculos estavam rígidos ao assumir a posição inicial de agachamento.
Depois de alguns dias, ela também notou mudanças principalmente na mobilidade dos quadris e dos músculos posteriores das coxas. Isso acontece porque o exercício exige movimentos amplos e pouco comuns na rotina de quem passa muitas horas sentado.
Além disso, a caminhada do gorila envolve ombros, punhos, pernas e músculos do core, responsáveis pela estabilização do tronco.
Um movimento diferente para o corpo humano

Os seres humanos caminham sobre duas pernas há milhões de anos. O bipedalismo foi fundamental para que nossos ancestrais percorressem grandes distâncias e ocupassem diferentes ambientes.
Movimentos utilizando os quatro membros, porém, continuam sendo explorados em alguns tipos de treinamento físico. Eles obrigam o organismo a lidar com posições e padrões de movimento diferentes daqueles encontrados no cotidiano.
Por isso, exercícios quadrúpedes podem representar um desafio interessante para força, estabilidade e coordenação, sem necessariamente exigir pesos ou aparelhos de academia.
O médico do esporte Santiago Kweitel destaca que um dos pontos interessantes desses movimentos é justamente a necessidade de controlar simultaneamente diferentes partes do corpo.
Na caminhada do gorila, braços e pernas precisam trabalhar de maneira coordenada enquanto o praticante controla a distribuição do próprio peso.
Equilíbrio, quadril e ombros estão entre os mais exigidos
Um dos principais benefícios associados ao exercício é o trabalho de equilíbrio e coordenação. Como os braços também participam ativamente do deslocamento, o cérebro precisa sincronizar movimentos que não costumam fazer parte da caminhada tradicional.
Os quadris também recebem bastante estímulo. A posição de agachamento e os deslocamentos para frente, para trás, para os lados e com rotação aumentam a participação dos flexores e extensores dessa região.
Isso pode ser particularmente interessante para pessoas que passam muitas horas sentadas e acabam movimentando pouco os quadris durante o dia.
O exercício também exige bastante dos ombros e punhos. Parte do peso corporal passa pelos membros superiores enquanto o praticante se movimenta, criando um estímulo diferente daquele encontrado em exercícios convencionais para pernas.
Apesar disso, Kweitel recomenda encarar a caminhada do gorila principalmente como uma ferramenta complementar. Ela pode funcionar como aquecimento ou ativação muscular antes de uma sessão mais completa, em vez de substituir todo o treinamento.
Como fazer a caminhada do gorila

O movimento começa em uma posição de agachamento profundo. Os pés ficam ligeiramente mais afastados que a largura dos ombros, enquanto os calcanhares permanecem apoiados no chão. Os joelhos devem acompanhar a direção dos pés.
A coluna deve permanecer em uma posição confortável e neutra, evitando curvar excessivamente as costas. O abdômen permanece ativo para ajudar na estabilização do tronco.
A partir dessa posição, o praticante transfere suavemente o peso de um lado para o outro. As mãos são colocadas à frente do corpo e ajudam no deslocamento, enquanto pernas, braços e tronco trabalham de maneira coordenada.
É possível avançar lateralmente em uma direção e depois repetir o movimento para o lado contrário.
Embora pareça simples, a caminhada do gorila exige mobilidade considerável de tornozelos, joelhos, quadris, ombros e punhos. Por isso, pessoas com dores, limitações articulares ou lesões nessas regiões devem ter cuidado.
A recomendação é começar devagar, respeitar os limites do corpo e interromper o exercício caso apareça dor. Quem possui alguma condição ou lesão prévia deve buscar orientação profissional antes de incorporar esse tipo de movimento ao treinamento.
[ Fonte: La Nación ]