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Ciência

Experimento revela que humanos podem ter um ‘sétimo sentido’ que quase não utilizamos

Cientistas descobriram que pessoas conseguem perceber objetos escondidos sob a areia sem tocá-los diretamente
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Tempo de leitura: 3 minutos

Visão, audição, olfato, paladar e tato formam a lista tradicional dos cinco sentidos humanos. A ciência, porém, sabe há bastante tempo que nossa percepção é muito mais complexa. Agora, um experimento realizado por pesquisadores britânicos revelou uma capacidade surpreendente: humanos conseguem detectar objetos escondidos sob a areia antes mesmo de tocá-los.

Pesquisadores da Queen Mary University of London demonstraram a existência dessa habilidade, chamada de “toque remoto”. Durante os testes, participantes conseguiram perceber a presença de pequenos objetos enterrados simplesmente movimentando os dedos sobre a areia.

Os resultados chamaram atenção porque mostram que nossa pele pode identificar alterações mecânicas extremamente pequenas provocadas por objetos próximos.

Os cientistas chegaram a comparar essa capacidade com habilidades encontradas em algumas aves costeiras, que conseguem localizar presas escondidas sob areia ou sedimentos interpretando pequenas alterações no ambiente.

O experimento que revelou uma capacidade pouco conhecida

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© Andriy Onufriyenko (Getty Images)

Durante o estudo, os voluntários receberam uma tarefa aparentemente simples. Eles precisavam encontrar um pequeno cubo enterrado em um recipiente cheio de areia.

Para isso, movimentavam lentamente os dedos pela superfície.

O objetivo era perceber onde estava o objeto antes de encostar diretamente nele. Conforme os dedos se aproximavam do cubo, sua presença modificava discretamente o comportamento e a pressão exercida pelos grãos de areia.

Essas alterações eram extremamente pequenas. Mesmo assim, vários participantes conseguiram identificá-las.

Nos experimentos, os humanos atingiram uma precisão de 70,7% na detecção do objeto escondido.

O fenômeno recebeu o nome de toque remoto porque a percepção não depende necessariamente do contato direto entre a pele e o objeto. Em vez disso, o corpo identifica alterações provocadas pelo objeto no material ao redor.

Na prática, a areia funciona como intermediária entre aquilo que está escondido e os dedos.

Nossa pele é mais sensível do que imaginávamos

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© Pexels

O resultado amplia a compreensão científica sobre os limites do tato humano.

Segundo Elisabetta Versace, diretora do Prepared Minds Lab e uma das responsáveis pela pesquisa, esta foi a primeira investigação dedicada especificamente ao toque remoto em seres humanos.

A descoberta sugere que nossa percepção tátil consegue trabalhar muito próxima dos limites físicos teóricos para detectar pequenas alterações mecânicas no ambiente.

Isso não significa, porém, que os cientistas tenham descoberto literalmente um novo órgão sensorial. A expressão “sétimo sentido” funciona principalmente como uma maneira de descrever uma capacidade pouco explorada do sistema tátil humano.

Além dos cinco sentidos tradicionais, a ciência já reconhece outras formas de percepção. Entre elas estão a propriocepção, que permite saber onde nossas partes do corpo estão mesmo sem olhar para elas, e o sistema vestibular, essencial para equilíbrio e orientação espacial.

Por isso, não existe uma contagem científica universal que limite os sentidos humanos a cinco, seis ou sete.

Humanos ajudaram um robô a aprender a mesma habilidade

O experimento também teve uma segunda parte interessante. Os pesquisadores utilizaram os resultados obtidos com humanos para ajudar um sistema robótico a desenvolver uma capacidade semelhante.

De acordo com Lorenzo Jamone, professor de Robótica e Inteligência Artificial da University College London, os experimentos realizados com pessoas ajudaram a orientar o aprendizado da máquina.

Ao mesmo tempo, o comportamento do robô forneceu informações adicionais para que os cientistas compreendessem melhor os resultados humanos.

Essa combinação entre neurociência, percepção e robótica pode ter aplicações importantes no futuro.

Descoberta pode ajudar robôs a “sentir” objetos escondidos

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© Unsplash – Sumaid pal Singh Bakshi.

Uma das possibilidades é desenvolver máquinas capazes de explorar ambientes nos quais câmeras não funcionam adequadamente ou onde tocar diretamente em determinados objetos representa um risco.

Robôs equipados com sensores suficientemente precisos poderiam detectar estruturas escondidas analisando pequenas alterações em areia, solo ou outros materiais.

A tecnologia poderia ser utilizada, por exemplo, em missões espaciais para explorar terrenos planetários, em operações de busca ou em investigações arqueológicas nas quais o contato direto poderia danificar objetos frágeis.

Outra possibilidade envolve robôs submarinos capazes de investigar estruturas enterradas em sedimentos.

Para Zhengqi Chen, pesquisador do Advanced Robotics Lab, o estudo também pode contribuir para a criação de ferramentas capazes de ampliar a própria percepção tátil humana.

A descoberta mostra que o tato pode funcionar de maneiras muito mais sofisticadas do que simplesmente perceber aquilo que encostamos. Em determinadas condições, nossos dedos parecem capazes de detectar o que está próximo antes mesmo de chegar a tocar.

 

[ Fonte: El Economista ]

 

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