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Tecnologia

A tecnologia que pode transformar o robô aspirador em um verdadeiro ajudante doméstico

Eles já aspiravam, cortavam grama e limpavam piscinas. Agora, uma nova geração de robôs começa a desenvolver algo muito mais interessante: a capacidade de sentir, tocar e agir.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante muito tempo, os robôs domésticos foram máquinas que sabiam principalmente onde estavam. Câmeras, sensores e sistemas de mapeamento permitiam desviar de móveis, paredes e outros obstáculos. Mas essa lógica começa a mudar. Em uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, novos protótipos mostraram que o próximo passo pode ser muito mais ambicioso: máquinas capazes de perceber o contato físico e reagir ao ambiente.

Quando o robô deixa de apenas enxergar os obstáculos

A novidade foi apresentada pela empresa chinesa MOVA durante a IFA 2026, em Berlim. A companhia revelou 22 lançamentos globais e 15 tecnologias, incluindo soluções voltadas para limpeza doméstica, manutenção de jardins e piscinas.

Entre as demonstrações mais curiosas está o TactiPercept, sistema criado para acrescentar uma nova dimensão aos robôs aspiradores. Em vez de depender exclusivamente de câmeras, sensores ópticos e LiDAR, a tecnologia utiliza 128 sensores de pressão instalados sob uma estrutura flexível.

Na prática, isso permite perceber não apenas que houve contato, mas também a intensidade desse contato.

A diferença pode parecer pequena, mas representa uma mudança importante. Ao encostar em um móvel ou parede, o robô pode reduzir sua velocidade, manter uma pressão controlada para limpar uma borda ou tentar escapar caso fique preso.

É como se a máquina passasse a ter uma espécie de “tato” rudimentar.

A MOVA também apresentou o AquaSonar, voltado para robôs de limpeza de piscinas. Como sinais sem fio tradicionais enfrentam limitações debaixo d’água, a tecnologia utiliza comunicação ultrassônica para manter a conexão em ambientes submersos.

São exemplos de uma mesma tendência: fazer com que máquinas autônomas deixem de apenas observar o espaço e passem a compreender melhor aquilo que acontece quando interagem com ele.

O cortador de grama que ganhou um braço e novas funções

A ideia fica ainda mais impressionante quando sai de dentro de casa e chega ao jardim.

Um dos conceitos apresentados pela empresa foi o AstraX, um robô cortador de grama equipado com um braço multifuncional e diferentes ferramentas que podem ser trocadas conforme a tarefa.

Com sistemas de visão artificial, o equipamento consegue identificar objetos em seu caminho e movê-los antes de continuar trabalhando. Mas o braço não serve apenas para liberar o caminho.

Uma pinça de dois dedos permite pegar determinados objetos e até frutas posicionadas em locais baixos. Outro acessório funciona como uma espécie de sistema de irrigação, direcionando água para áreas específicas do jardim em horários programados.

A proposta transforma o tradicional cortador autônomo em algo mais próximo de uma plataforma robótica multifuncional.

A empresa também mostrou evoluções do UltraTrim, tecnologia destinada a melhorar o corte junto a paredes, cercas e canteiros — regiões onde os cortadores convencionais costumam deixar pequenas faixas de grama.

Ainda não significa que todas essas funções estarão disponíveis imediatamente em produtos vendidos ao consumidor. Algumas delas continuam sendo demonstrações de tecnologia. Mesmo assim, indicam uma direção bastante clara para o futuro da automação residencial.

Uma mão robótica que sabe quanto deve apertar

Outro projeto apresentado em Berlim talvez seja ainda mais revelador sobre o futuro desses equipamentos.

O Knot 80 é um sistema experimental inspirado na estrutura do braço e da mão humanos. Ele possui 15 articulações, 11 graus de liberdade e percepção tridimensional baseada em luz estruturada.

Antes de agarrar um objeto, o sistema analisa sua posição, orientação e características. Depois, ajusta a maneira como fará o movimento.

A força aplicada também pode variar automaticamente entre 25 e 50 newtons. Isso é importante porque objetos diferentes exigem níveis diferentes de pressão. Uma máquina que aplica força demais pode danificar algo delicado; força insuficiente, por outro lado, pode fazer o objeto cair.

A tecnologia ainda está longe de transformar uma casa comum em um cenário de ficção científica. Mas o princípio é significativo: os robôs começam a ser desenvolvidos não apenas para se mover pelo ambiente, mas para interagir fisicamente com ele.

É justamente essa mudança que torna as novidades da MOVA tão interessantes. Aspirar o chão ou cortar a grama são tarefas relativamente simples. Sentir um obstáculo, decidir como tocá-lo, agarrar um objeto e executar uma ação diferente de acordo com a situação exige um nível muito maior de percepção e controle.

Se esses conceitos chegarem ao mercado com a eficiência esperada, o robô doméstico do futuro poderá ser bem diferente daquele que simplesmente percorre a casa sozinho. Ele poderá observar, tocar, decidir e, finalmente, fazer coisas que antes exigiam a intervenção humana.

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