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Ciência

Universidade usou IA para fiscalizar vestibular e agora 58 mil candidatos terão que refazer a prova

A Universidade Nacional Autônoma do México precisará aplicar uma nova prova para cerca de 58 mil candidatos após um sistema de inteligência artificial usado para monitorar o vestibular levantar suspeitas de fraude em larga escala.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial vem sendo adotada para diversas tarefas, inclusive na fiscalização de provas online. No entanto, um experimento realizado pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) acabou produzindo o efeito contrário ao esperado. Em vez de impedir fraudes, o sistema gerou tantas dúvidas sobre a legitimidade dos resultados que aproximadamente 58 mil candidatos terão de fazer um novo exame presencial.

Vestibular da UNAM é um dos mais concorridos do México

A UNAM é considerada a maior e uma das mais prestigiadas universidades da América Latina.

Todos os anos, centenas de milhares de estudantes disputam uma vaga na instituição. Em 2026, cerca de 160 mil candidatos participaram do processo seletivo.

Embora a universidade ofereça pouco mais de 50 mil vagas, mais da metade delas é destinada automaticamente a alunos provenientes de escolas preparatórias vinculadas à própria UNAM.

As cerca de 22 mil vagas restantes são preenchidas pelos candidatos com melhor desempenho no vestibular, tornando a competição extremamente acirrada.

IA e navegador bloqueado foram usados para evitar cola

Para aplicar o exame remotamente, a universidade recorreu a duas tecnologias.

A primeira foi o LockDown Browser, desenvolvido pela empresa Respondus. O programa impede que o estudante utilize outros aplicativos, abra páginas da internet ou execute funções externas durante a prova.

A segunda ferramenta foi um sistema de monitoramento por inteligência artificial criado pela empresa Territorium.

Por meio da webcam, o software analisava o comportamento dos candidatos em busca de sinais de cola ou outras irregularidades durante a realização do exame.

A expectativa era garantir um processo seletivo seguro mesmo sem aplicação presencial.

Resultados despertaram suspeitas imediatamente

Pouco depois da divulgação das notas, começaram a surgir questionamentos sobre a confiabilidade do processo.

Nos cinco vestibulares anteriores, apenas cerca de 0,9% dos candidatos haviam obtido notas iguais ou superiores a 110 pontos.

Na edição realizada com fiscalização por inteligência artificial, esse percentual saltou para 5,5%.

A diferença chamou a atenção de estudantes, professores e especialistas.

Durante protestos realizados no campus da universidade, manifestantes chegaram a entoar o slogan: “Exigimos honestidade, não inteligência artificial”.

Alguns especialistas estimaram que uma parcela significativa dos participantes conseguiu burlar o sistema de monitoramento.

Comissão recomendou uma nova prova para milhares de estudantes

Diante da repercussão, a UNAM criou uma comissão independente para investigar o ocorrido.

Após analisar os resultados, o grupo concluiu que seria necessário aplicar um novo exame para confirmar as notas dos candidatos aprovados por meio da prova remota.

A recomendação também inclui estudantes cujas pontuações seriam suficientes para conquistar uma vaga em qualquer vestibular realizado entre 2021 e 2025.

Com isso, aproximadamente 58 mil pessoas — cerca de um terço de todos os participantes do processo seletivo — terão de realizar uma nova avaliação.

Desta vez, a prova será aplicada exclusivamente de forma presencial.

Caso reforça desafios da IA na fiscalização de exames

O episódio evidencia uma das principais dificuldades da inteligência artificial aplicada à educação: monitorar milhares de candidatos sem comprometer a segurança nem a confiança no processo.

Embora sistemas automatizados possam identificar determinados comportamentos suspeitos, eles ainda enfrentam limitações para impedir fraudes sofisticadas ou diferenciar ações legítimas de tentativas reais de cola.

O caso da UNAM também mostra que, em processos seletivos de alto impacto, a credibilidade do exame continua sendo tão importante quanto a tecnologia utilizada para supervisioná-lo.

Em vez de validar definitivamente a fiscalização por inteligência artificial, o experimento acabou levando a universidade a retornar ao método mais tradicional: uma prova presencial para confirmar quem realmente conquistou uma vaga.

 

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