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Você sabia? Este é o país latino-americano com a bandeira mais antiga — e não é nem Brasil, nem Argentina

Com quase 220 anos de história, esta bandeira foi criada antes das grandes independências da região e segue carregando o símbolo de uma identidade nacional forjada na luta. Descubra qual é esse país surpreendente e por que sua bandeira é considerada a mais antiga da América Latina.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As bandeiras representam mais do que cores e formas — elas são símbolos de lutas, identidade e soberania. Na América Latina, muitas foram criadas no calor das guerras de independência do século XIX. Mas, ao contrário do que se pensa, as primeiras não surgiram nem no Brasil nem na Argentina. A mais antiga de todas nasceu em 1806, e pertence a um país com uma rica trajetória de emancipação: a Venezuela.

A origem da bandeira venezuelana

A história das bandeiras na América Latina está profundamente ligada às lutas por independência, à construção da identidade nacional e à memória coletiva de seus povos.
© Unsplash

A bandeira da República Bolivariana da Venezuela tem raízes profundas no processo de independência da região. Ela foi criada pelo militar Francisco de Miranda, um dos maiores líderes da luta pela liberdade na América Hispânica, em colaboração com o capitão Lino de Clemente. O símbolo foi hasteado pela primeira vez em 3 de agosto de 1806, durante a chamada Expedição Libertadora, quando o grupo desembarcou na região de Vela de Coro.

Hoje, o local abriga um monumento dedicado às diversas versões que a bandeira teve ao longo do tempo. Desde aquele primeiro momento até a aprovação oficial pelo Congresso Supremo em 1811, foram várias mudanças. O modelo de três faixas horizontais que conhecemos hoje só foi ratificado oficialmente anos depois.

Evolução e simbolismo

A bandeira da Venezuela passou por nada menos que 13 alterações em sua história. A versão atual traz:

  • Três faixas horizontais de igual tamanho nas cores amarelo, azul e vermelho.

  • Oito estrelas brancas de cinco pontas na faixa azul, representando as províncias que proclamaram a independência (Margarita, Cumaná, Barcelona, Barinas, Mérida, Trujillo e Caracas), além da oitava estrela em homenagem à libertação da Guiana, conforme pedido de Simón Bolívar em 1817.

  • O brasão de armas da Venezuela no canto superior esquerdo, presente apenas em versões utilizadas por instituições oficiais como a presidência da república, forças armadas e prédios públicos.

A versão atual foi definida oficialmente em 2006, quando a oitava estrela foi adicionada, tornando o símbolo ainda mais representativo da história do país.

E a bandeira argentina?

A bandeira da Argentina foi criada alguns anos depois. Em 27 de fevereiro de 1812, o general Manuel Belgrano a hasteou pela primeira vez em Rosario. A narrativa tradicional conta que ele se inspirou ao olhar para o céu, mas os registros históricos sugerem outra motivação.

Na verdade, Belgrano solicitou ao governo a autorização para que seus soldados usassem uma escarapela branca e azul-celeste, a fim de diferenciá-los dos soldados realistas espanhóis. Poucos dias depois, uma moradora de Rosario chamada Catalina Echeverría costurou uma bandeira com essas mesmas cores, e Belgrano a apresentou a suas tropas, que juraram lealdade diante dela.

Apesar do mito romântico, a escolha das cores tinha um significado político: remetia à dinastia Bourbon, ainda considerada legítima por muitos nas Províncias Unidas do Rio da Prata. A intenção era mostrar oposição à dominação espanhola sem romper com os Bourbons.

Em 1818, uma lei estabeleceu que as cores oficiais seriam branco e azul, e não branco e azul-celeste. Porém, a definição legal mais recente veio em 1985, durante o governo de Raúl Alfonsín, que determinou que a bandeira argentina deve ser “celeste e branca, com o sol no centro”.

Um símbolo de resistência e identidade

A história das bandeiras na América Latina está profundamente ligada às lutas por independência, à construção da identidade nacional e à memória coletiva de seus povos. A da Venezuela, em particular, é um testemunho da ousadia dos primeiros libertadores e da força de um símbolo que resistiu ao tempo, permanecendo como referência de uma nação que buscava se afirmar desde os primórdios do século XIX.

 

Fonte: Canal26

 

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