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Ciência

Wall Street encontrou uma nova forma de buscar lucro depois da explosão da inteligência artificial

Depois de anos perseguindo as empresas mais promissoras da tecnologia, grandes investidores começaram a olhar para outro lugar em busca de crescimento, rentabilidade e algo cada vez mais valioso: resultados concretos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante boa parte da atual febre da inteligência artificial, o dinheiro de Wall Street parecia ter um destino óbvio: chips, data centers, software e empresas capazes de dominar a próxima geração tecnológica. Mas os dados mais recentes mostram uma mudança de comportamento. Grandes gestores estão ampliando a exposição ao setor financeiro e, dessa vez, o movimento ultrapassa as fronteiras dos Estados Unidos. Há uma região que começou a aparecer com força nessa nova estratégia.

O dinheiro que saiu da tecnologia encontrou uma nova rota

Os dados referentes ao segundo trimestre de 2026 revelam uma mudança importante nas carteiras dos grandes investidores. Segundo uma análise do Goldman Sachs envolvendo 991 hedge funds, com US$ 5,4 trilhões em ativos, e 504 fundos de investimento, com outros US$ 4,6 trilhões, os dois grupos terminaram o período mais expostos ao setor financeiro.

É um movimento raro. A sobreponderação dos hedge funds em empresas financeiras aumentou mais de 300 pontos-base, alcançando o maior nível desde antes da crise financeira global. Entre os fundos tradicionais, a exposição também atingiu o maior patamar desde pelo menos 2012.

A mudança não significa que Wall Street tenha abandonado a inteligência artificial. O que parece estar acontecendo é algo mais sutil: depois de anos pagando preços elevados por expectativas de crescimento futuro, investidores começaram a procurar negócios que já consigam transformar expansão em lucro.

Visa, Mastercard, Capital One, CME Group e S&P Global aparecem entre os nomes favorecidos. São empresas que se beneficiam do próprio movimento do dinheiro e conseguem capturar pequenas receitas em enormes volumes de transações.

Mas uma parte ainda mais interessante dessa rotação está acontecendo longe dos tradicionais gigantes financeiros americanos.

Wall Street8
© Chansak Joe – Shutterstock

A América Latina entrou no radar de uma maneira inesperada

Dois nomes chamam atenção nos documentos apresentados após o segundo trimestre: Nu Holdings, controladora do Nubank, e Credicorp, um dos maiores grupos financeiros do Peru.

No caso do Nubank, a transformação é especialmente curiosa. A empresa ainda conserva características associadas às grandes companhias de tecnologia: não depende de uma enorme rede de agências, concentra sua operação em aplicativos e utiliza inteligência artificial para análise de crédito e atendimento.

A diferença é que já não precisa vender apenas uma promessa de futuro.

No segundo trimestre, o Nubank chegou a 139 milhões de clientes e registrou lucro líquido de US$ 1,1 bilhão, 49% acima do mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio chegou a 33%, enquanto a carteira de crédito avançou 37%.

A Credicorp representa uma versão mais tradicional dessa mesma tese. O grupo reúne negócios como BCP, Mibanco, Pacífico Seguros e operações de investimentos e previdência. Entre abril e junho, registrou lucro de 1,9819 bilhão de soles, alta anual de 8,8%, com retorno sobre o patrimônio de 20,3%. Os empréstimos cresceram 13,1% e os depósitos, 17,7%.

O interesse, portanto, não parece ser simplesmente encontrar bancos baratos. Os investidores estão procurando uma combinação específica: tecnologia, crescimento, clientes, depósitos e capacidade de gerar dinheiro agora.

Os títulos americanos ajudam a explicar a mudança

Existe, porém, um elemento fora do setor bancário que ajuda a entender toda essa movimentação: o mercado de renda fixa.

Quando os títulos do Tesouro americano oferecem retornos elevados, a comparação entre diferentes investimentos muda. Bancos podem se beneficiar de taxas maiores ao conceder crédito, enquanto seguradoras conseguem reinvestir seus recursos em títulos mais rentáveis.

Para empresas de inteligência artificial, a situação pode ser menos confortável. A construção de data centers, a compra de chips e os enormes contratos de energia exigem investimentos cada vez maiores. Quanto mais caro fica financiar esse crescimento, maior passa a ser a cobrança por resultados.

O setor imobiliário enfrenta uma pressão semelhante, já que precisa de crédito barato e agora compete com títulos públicos que oferecem retornos elevados com menor risco. Não por acaso, os REITs estiveram entre os segmentos que sofreram algumas das maiores vendas líquidas.

Ainda assim, existe uma ressalva importante: os formulários 13F não mostram exatamente para onde cada dólar saiu. Eles representam apenas uma fotografia das posições de determinados investidores em ações americanas ao final do trimestre. Além disso, são divulgados com atraso e não revelam posições vendidas.

A grande mensagem, portanto, não é que Wall Street deixou de acreditar na IA. É que a régua mudou. A tecnologia continua importante, mas agora precisa dividir espaço com algo menos futurista e muito mais concreto: clientes, margens e lucros.

E é justamente nessa combinação que empresas financeiras latino-americanas começaram a chamar a atenção.

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