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Ciência

Cientistas descobrem como “treinar” o sistema imunológico para atacar o câncer

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco desenvolveram uma técnica que utiliza células do próprio tumor para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e destruir o câncer. O método apresentou resultados promissores em laboratório e em testes com animais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Nosso sistema imunológico possui um verdadeiro exército de células capazes de destruir ameaças. Entre elas estão os linfócitos T, que também podem atacar células cancerígenas — desde que consigam identificá-las corretamente.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) desenvolveram uma nova maneira de fazer justamente isso. A estratégia combina células imunológicas produzidas em laboratório com fragmentos do tumor de cada paciente para “treinar” os linfócitos T.

O método, descrito na revista científica Cell Stem Cell, foi testado com amostras de pacientes com leucemia e câncer de ovário. Em laboratório, os linfócitos treinados conseguiram atacar tumores dos próprios pacientes. A abordagem também reduziu o crescimento tumoral em um modelo com camundongos.

Células dendríticas ensinam o sistema imunológico a atacar

Cientistas potencializaram células “assassinas” do organismo e conseguiram fazê-las entrar em tumores
© Unsplash

Para que os linfócitos T reconheçam um tumor como ameaça, eles precisam receber instruções.

Uma das responsáveis por essa tarefa é a célula dendrítica. Ela funciona como uma espécie de professora do sistema imunológico, apresentando características de possíveis ameaças para que os linfócitos aprendam a identificá-las.

O problema é que células dendríticas são relativamente raras e difíceis de obter de pacientes com câncer em quantidade suficiente.

A equipe da UCSF encontrou uma alternativa utilizando células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPSCs.

Essas células podem ser cultivadas em grandes quantidades no laboratório e posteriormente transformadas em células dendríticas.

Antes disso, os cientistas modificaram as iPSCs para remover características que poderiam fazer com que fossem identificadas como estranhas e rejeitadas pelo sistema imunológico.

Cientistas revestiram células com pedaços do tumor

A etapa seguinte foi tornar essas células dendríticas capazes de apresentar o câncer específico de cada paciente.

Em vez de procurar individualmente quais moléculas do tumor deveriam ser atacadas, os pesquisadores utilizaram uma estratégia mais ampla.

Eles romperam as membranas das células cancerígenas e permitiram que o material formasse pequenas vesículas semelhantes a bolhas.

Essas estruturas foram então fundidas às células dendríticas produzidas em laboratório.

O resultado foi uma célula imunológica revestida com diferentes fragmentos provenientes do tumor do próprio paciente.

Dessa maneira, os linfócitos T receberam várias informações sobre como reconhecer o câncer.

Estratégia pode dificultar a fuga dos tumores

Apresentar diferentes características do câncer simultaneamente pode oferecer uma vantagem importante.

Algumas imunoterapias são desenvolvidas para reconhecer um alvo específico presente nas células tumorais. O câncer, entretanto, pode evoluir e deixar de apresentar aquela característica, permitindo que algumas células escapem do tratamento.

A nova estratégia oferece aos linfócitos T vários possíveis alvos ao mesmo tempo.

Além de carregar fragmentos tumorais, as células dendríticas produziram os sinais necessários para indicar aos linfócitos que aquele material deveria ser interpretado como uma ameaça.

Os pesquisadores também conseguiram aumentar a intensidade desses sinais, provocando uma resposta mais forte das células T.

Linfócitos conseguiram atacar câncer em laboratório

Células Cancerígenas
© Thanapipat-Kulmuangdoan

Os testes foram realizados inicialmente em placas de laboratório utilizando tumores e células T provenientes dos mesmos pacientes.

As células dendríticas modificadas conseguiram estimular os linfócitos a reconhecer e destruir as células cancerígenas correspondentes.

A abordagem também foi testada em camundongos com células tumorais humanas e conseguiu desacelerar o crescimento do câncer.

Os resultados são promissores, mas ainda representam uma etapa experimental. Será necessário realizar novos estudos para determinar a segurança e eficácia da estratégia antes que ela possa se tornar um tratamento disponível para pacientes.

Tratamento poderia ser personalizado após uma cirurgia

Robert Blelloch, professor da UCSF e autor sênior do estudo, imagina uma possível aplicação da tecnologia em pacientes submetidos à cirurgia.

Em alguns tipos de câncer, como o de próstata, o tumor pode ser removido cirurgicamente, mas ainda existe o risco de células cancerígenas permanecerem no organismo e provocarem uma recaída.

O tecido retirado durante a cirurgia poderia fornecer justamente o material necessário para criar uma imunoterapia personalizada.

Os cientistas poderiam produzir células dendríticas em laboratório, revesti-las com fragmentos do tumor removido e reintroduzi-las no paciente.

Essas células funcionariam como instrutoras, ensinando os linfócitos T a procurar células cancerígenas restantes pelo organismo.

Se estudos futuros confirmarem a eficácia da estratégia em humanos, o próprio tumor de cada paciente poderá fornecer ao sistema imunológico as pistas necessárias para encontrá-lo e destruí-lo.

 

[ Fonte: Infosalus ]

 

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