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Ciência

A gigantesca placa oceânica responsável por terremotos em quatro países da América do Sul

A Placa de Nazca avança sob o continente sul-americano e está diretamente relacionada à intensa atividade sísmica registrada em Peru, Chile, Equador e Colômbia.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma enorme estrutura tectônica localizada sob o Oceano Pacífico influencia há milhões de anos a geologia da costa oeste da América do Sul. Trata-se da Placa de Nazca, uma das principais responsáveis pelos terremotos que atingem países como Peru, Chile, Equador e Colômbia.

O fenômeno acontece porque essa placa oceânica colide continuamente com a Placa Sul-Americana. Em vez de simplesmente parar, ela mergulha sob o continente em um processo conhecido como subducção.

Esse movimento aparentemente lento é capaz de acumular quantidades gigantescas de energia. Quando a tensão armazenada nas rochas é liberada repentinamente, podem ocorrer terremotos de grande magnitude.

Placa de Nazca avança vários centímetros por ano

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© Unsplash – JP Desvigne

Segundo o Instituto Geofísico do Peru (IGP), grande parte da atividade sísmica peruana tem origem justamente na convergência entre as placas de Nazca e Sul-Americana.

Diante da costa do Peru, a placa oceânica se desloca aproximadamente sete ou oito centímetros por ano.

Pode parecer pouco. Em escala geológica, entretanto, esse movimento é significativo.

O principal problema ocorre porque o contato entre as placas não acontece de maneira perfeitamente contínua. Determinados segmentos podem ficar temporariamente presos pelo atrito, mesmo enquanto as forças tectônicas continuam atuando.

Como resultado, a tensão se acumula durante anos, décadas ou até séculos.

Quando as rochas finalmente não conseguem mais suportar essa pressão, ocorre uma ruptura. A energia armazenada é liberada em forma de ondas sísmicas, produzindo um terremoto.

Dependendo da extensão da área rompida e da quantidade de energia acumulada, esses eventos podem atingir magnitudes extremamente elevadas.

O mesmo processo ajudou a criar a Cordilheira dos Andes

A interação entre as placas de Nazca e Sul-Americana não produz apenas terremotos.

Durante milhões de anos, a compressão provocada pela convergência tectônica desempenhou um papel fundamental na formação e elevação da Cordilheira dos Andes.

A subducção também está relacionada ao vulcanismo encontrado em grandes áreas do continente.

Por isso, terremotos, vulcões e algumas das maiores estruturas geológicas da América do Sul fazem parte de um mesmo sistema tectônico extremamente complexo.

Um estudo publicado em 2025 no Journal of Geophysical Research: Solid Earth reconstruiu o movimento da Placa de Nazca ao longo de aproximadamente 34 milhões de anos.

Os pesquisadores identificaram uma redução próxima de 20% na taxa de convergência durante os últimos 780 mil anos.

Essa desaceleração, entretanto, não significa que o risco de grandes terremotos tenha desaparecido.

De onde surgiu a Placa de Nazca?

A atual Placa de Nazca é resultado de uma longa reorganização tectônica do Pacífico.

Ela surgiu a partir da fragmentação da antiga Placa de Farallon, uma enorme placa oceânica que existiu durante dezenas de milhões de anos.

Com sua progressiva subducção sob as Américas, a Farallon acabou dividida em diferentes blocos. Entre eles estavam as placas de Nazca e de Cocos.

Hoje, a Placa de Nazca ocupa uma extensa região do Pacífico oriental e continua sendo empurrada em direção à América do Sul.

Esse movimento coloca Peru, Chile, Equador e Colômbia dentro de uma das regiões tectonicamente mais ativas do planeta.

América do Sul faz parte do Círculo de Fogo do Pacífico

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© Alexander Lukatskiy – Shutterstock

A costa oeste sul-americana integra o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma gigantesca faixa geológica que acompanha grande parte das margens do maior oceano da Terra.

Nessa região estão concentradas numerosas zonas de subducção, fossas oceânicas e cadeias vulcânicas.

Também foi no Círculo de Fogo que ocorreram alguns dos terremotos mais poderosos já registrados por instrumentos.

O Chile oferece um dos exemplos mais extremos. Em 1960, o país sofreu o terremoto de Valdivia, de magnitude 9,5, considerado o maior já registrado instrumentalmente.

Eventos desse porte mostram quanta energia pode ser acumulada em limites tectônicos convergentes.

A placa não mergulha da mesma maneira em todos os lugares

Outro fator importante é que a Placa de Nazca não desce sob a América do Sul mantendo sempre o mesmo ângulo.

Existem regiões conhecidas como flat slabs, nas quais a placa oceânica permanece relativamente horizontal durante parte de seu percurso sob o continente.

Essas diferenças modificam a maneira como terremotos e atividade vulcânica se distribuem pelo território.

Por isso, compreender a geometria subterrânea da placa é essencial para mapear as áreas de maior risco.

É possível prever quando acontecerá o próximo grande terremoto?

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© Jesus Vargas via Getty Images

A ciência consegue identificar regiões onde existe potencial elevado para grandes terremotos. Também é possível estudar deformações da crosta, falhas geológicas e o histórico de eventos anteriores.

O que ainda não é possível é determinar com precisão o dia e a hora em que ocorrerá um grande terremoto.

O próprio IGP ressalta essa limitação.

Isso significa que conhecer a Placa de Nazca não permite prever exatamente quando acontecerá o próximo megaterremoto. Entretanto, esse conhecimento ajuda a compreender onde os riscos são maiores e a desenvolver construções, sistemas de alerta e planos de emergência mais eficientes.

A Placa de Nazca continuará avançando lentamente sob a América do Sul. São apenas alguns centímetros por ano, mas suficientes para transformar montanhas, alimentar vulcões e produzir alguns dos terremotos mais poderosos do planeta.

 

[ Fonte: Diario El Norte ]

 

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