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Ciência

Andrômeda reduz em 80% a formação de novas estrelas e intriga astrônomos

A galáxia de Andrômeda, considerada a grande vizinha cósmica da Via Láctea, vem diminuindo drasticamente sua produção de novas estrelas. Dados obtidos pelo telescópio espacial Hubble indicam que essa desaceleração ocorre há pelo menos 500 milhões de anos e reduziu em cerca de 80% o ritmo de formação estelar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A descoberta ajuda os astrônomos a compreender como grandes galáxias espirais envelhecem e por que, mesmo possuindo grandes reservas de gás, podem deixar de produzir estrelas com a mesma intensidade do passado.

Andrômeda está formando muito menos estrelas

A grande fusão começou: Hubble detecta o primeiro contato entre a Via Láctea e Andrômeda
© Unsplash – Arnaud Mariat.

O estudo analisou quanto gás a galáxia consegue transformar em novas estrelas ao longo do tempo.

Há cerca de 500 milhões de anos, Andrômeda formava anualmente uma quantidade de estrelas equivalente à massa do Sol. Atualmente, essa produção caiu para aproximadamente um quinto desse valor.

Em outras palavras, a galáxia passou a utilizar muito menos gás para alimentar regiões de formação estelar.

Os pesquisadores estimam que o ritmo atual representa uma redução próxima de 80%, o que revela uma mudança significativa na evolução recente de Andrômeda.

Os resultados foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal.

Hubble analisou cerca de 200 milhões de estrelas

Para chegar a essa conclusão, os cientistas combinaram dados de dois grandes levantamentos realizados pelo telescópio Hubble.

Essas observações cobriram aproximadamente dois terços da galáxia de Andrômeda e permitiram analisar individualmente cerca de 200 milhões de estrelas.

A enorme quantidade de informações ajudou a reconstruir a história da formação estelar em diferentes regiões da galáxia.

Ao estudar a idade, o brilho e a distribuição das estrelas, os astrônomos conseguiram identificar quando Andrômeda viveu seus períodos de maior atividade e quando começou a desacelerar.

A galáxia já viveu uma fase muito mais ativa

A grande fusão começou: Hubble detecta o primeiro contato entre a Via Láctea e Andrômeda
© Pixabay – WikiImages.

Segundo os pesquisadores, Andrômeda passou por um intenso período de formação estelar há aproximadamente 2 bilhões de anos.

Naquela época, grandes quantidades de gás deram origem a novas estrelas em diferentes regiões da galáxia.

Depois desse pico, no entanto, a atividade começou a diminuir progressivamente.

Tobin Wainer, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Washington, comparou o comportamento da galáxia ao de uma pessoa após uma corrida longa.

Segundo ele, Andrômeda parece estar passando por uma espécie de recuperação depois de uma verdadeira maratona de formação estelar.

A falta de gás não explica a desaceleração

Um dos pontos mais curiosos do estudo é que Andrômeda ainda possui material suficiente para formar novas estrelas.

Isso indica que a desaceleração não ocorre simplesmente porque a galáxia ficou sem combustível.

Em vez disso, processos internos podem estar impedindo que o gás se concentre e colapse, etapa necessária para o nascimento de novas estrelas.

Turbulências, aquecimento do gás, campos magnéticos e interações gravitacionais podem influenciar esse processo.

Os cientistas ainda não sabem qual desses mecanismos exerce o papel mais importante.

Galáxia satélite M32 pode ter influenciado Andrômeda

Uma das principais suspeitas envolve M32, uma pequena galáxia satélite localizada nas proximidades de Andrômeda.

Os dados mostram que a queda na formação de estrelas foi mais intensa justamente nas regiões mais próximas de M32.

Isso levanta a hipótese de que interações gravitacionais entre as duas galáxias possam ter alterado a distribuição do gás em Andrômeda.

Uma aproximação no passado poderia ter comprimido algumas regiões, dispersado outras ou provocado mudanças na estrutura do disco galáctico.

No entanto, os pesquisadores destacam que essa relação ainda não foi comprovada.

Novas observações serão necessárias para determinar se M32 realmente participou da desaceleração.

O futuro de Andrômeda e da Via Láctea

Estudar a evolução de Andrômeda também ajuda os astrônomos a compreender o possível futuro da Via Láctea.

As duas galáxias são grandes espirais e compartilham várias características, embora suas histórias evolutivas não sejam idênticas.

Ao observar como Andrômeda reduz sua formação estelar, os cientistas podem investigar se a Via Láctea passará por um processo semelhante.

A descoberta mostra que uma galáxia não precisa esgotar completamente seu gás para envelhecer.

Mudanças internas e interações com galáxias vizinhas podem reduzir gradualmente o nascimento de estrelas, transformando uma galáxia ativa em um sistema muito mais tranquilo ao longo de centenas de milhões de anos.

 

[ Fonte: Marca ]

 

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