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Ciência

O que acontece com seu corpo quando você come alho todos os dias — e como isso afeta a imunidade

Presente na alimentação e na medicina tradicional há milhares de anos, o alho contém compostos associados a efeitos antimicrobianos, anti-inflamatórios e cardiovasculares.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O sabor intenso pode não agradar a todo mundo, mas o alho (Allium sativum) acompanha a humanidade há milhares de anos. Além de ser um dos ingredientes mais populares da cozinha, esse pequeno bulbo também ocupa um lugar importante na medicina tradicional de diferentes culturas.

Hoje, a ciência tenta descobrir quais dessas antigas propriedades realmente possuem fundamento. E embora o alho esteja longe de ser uma solução milagrosa, pesquisas indicam que seu consumo regular pode oferecer alguns benefícios interessantes para a saúde.

Um alimento consumido há milhares de anos

Os benefícios do alho que a ciência confirma (e pouca gente conhece)
© Pexels

O alho cresce debaixo da terra e sua cabeça normalmente é formada por cerca de oito a dez dentes. Existem mais de 500 variedades conhecidas.

Entre as mais consumidas estão o alho branco e o roxo. Nos últimos anos, outra versão também ganhou espaço: o alho negro.

Apesar do nome e da aparência, ele não é uma espécie diferente. Trata-se de alho comum submetido a um processo controlado de envelhecimento em condições específicas de temperatura e umidade. O resultado é um alimento mais escuro, macio e com sabor mais adocicado e menos agressivo.

A origem do alho é geralmente associada à Ásia Central, de onde teria se espalhado para outras regiões, incluindo o Mediterrâneo.

Na Grécia Antiga, o alimento era valorizado por suas supostas propriedades medicinais e preventivas. No Egito Antigo, também fazia parte da alimentação dos trabalhadores e ganhou importância cultural ao longo dos séculos.

Mas o que durante muito tempo pertenceu principalmente à tradição popular começou a ser investigado com ferramentas da ciência moderna.

Alicina é um dos principais compostos do alho

Grande parte do interesse científico pelo alho cru está relacionada à alicina, um composto sulfurado produzido quando o alimento sofre algum tipo de dano físico.

Isso significa que a alicina praticamente não está disponível da mesma maneira enquanto o dente de alho permanece intacto.

Ela se forma principalmente quando o alho é cortado, esmagado ou mastigado. Nesse momento, diferentes componentes presentes nas células do vegetal entram em contato e desencadeiam uma reação química que leva à formação da substância.

Para a própria planta, esse mecanismo funciona como uma espécie de sistema natural de defesa.

Para os pesquisadores, porém, a alicina se tornou um dos compostos mais interessantes para explicar algumas das propriedades biológicas atribuídas ao alho.

Como o alho pode afetar o sistema imunológico

Estudos experimentais mostram que a alicina e outros compostos sulfurados presentes no alho possuem diferentes atividades biológicas.

Entre elas estão propriedades antibacterianas. Compostos derivados do alho demonstraram atividade contra diferentes tipos de bactérias em estudos laboratoriais.

Também existem evidências experimentais de efeitos antivirais e antifúngicos. Alguns trabalhos observaram atividade contra determinados vírus e fungos, incluindo espécies do gênero Candida.

Outro ponto investigado é seu possível efeito sobre a inflamação.

Compostos encontrados no alho podem interferir em determinadas vias celulares relacionadas à resposta inflamatória. Como a inflamação faz parte da atuação do sistema imunológico, esse mecanismo ajuda a explicar por que o alimento desperta tanto interesse nessa área.

Isso, porém, não significa que comer alho diariamente impeça uma pessoa de pegar gripe, resfriado ou outras infecções. Os resultados encontrados em laboratório não podem ser automaticamente interpretados como proteção garantida no organismo humano.

Os possíveis benefícios vão além da imunidade

Os efeitos cardiovasculares do alho também são estudados há décadas.

Algumas pesquisas associam seus compostos sulfurados a efeitos sobre a circulação e a agregação das plaquetas, processo envolvido na formação de coágulos sanguíneos.

Além disso, diferentes estudos investigam possíveis efeitos do consumo de alho sobre fatores como pressão arterial e níveis de colesterol.

Por isso, incluir alho regularmente na alimentação pode fazer parte de uma dieta equilibrada.

Mas existe uma diferença importante entre reconhecer que o alimento contém substâncias biologicamente ativas e tratá-lo como medicamento.

O alho pode contribuir para uma alimentação saudável e fornecer compostos interessantes ao organismo. Ainda assim, não substitui medicamentos, vacinas ou tratamentos médicos quando eles são necessários.

Em outras palavras, a ciência encontrou boas razões para continuar estudando um alimento usado pela humanidade há milhares de anos. Só não encontrou motivos para transformá-lo em uma cura para todos os males.

 

[ Fonte: ABC ]

 

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